Fevereiro, muito sol e carnaval. Ao redor de todo o país brasileiros tomam as ruas para celebrar nossa festa mais popular, mas foi sob a neve italiana que vimos o hino do país mais tropical do mundo ser tocado no topo do pódio. Lucas Pinheiro, aos 25 anos, inscreveu seu nome definitivamente na história do esporte ao descer as montanhas europeias com uma precisão cirúrgica, garantindo o primeiro lugar e trazendo a medalha de ouro inédita não apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina.
O Slalom Gigante, modalidade do esqui alpino que exige que os atletas desçam a montanha em um zigue-zague frenético desviando de obstáculos, é decidido pela soma dos tempos de duas baterias, consagrando campeão o atleta com a menor soma dos tempos. E em pleno sábado de Carnaval, Lucas encerrou sua participação com o tempo total de 2min25s, superando o favoritismo do suíço Marco Odermatt e provando que a determinação brasileira é capaz de desafiar até as tradições mais consolidadas das nações de inverno.
Nascido na Noruega e filho de mãe brasileira, Lucas viveu uma infância dividida entre Oslo e São Paulo, e embora o gelo fizesse parte de sua rotina geográfica, foi em solo paulista que o desejo pela competição floresceu nos gramados de futebol onde sonhava em ser craque. Após uma carreira sólida defendendo as cores norueguesas, em 2023, por uma desavença com a federação norueguesa, Lucas decidiu se aposentar do esporte apenas para retornar um ano depois com o propósito inabalável de ser o melhor do mundo, dessa vez representando o Brasil.
Com uma vitória carregada de dramaticidade, Lucas ergueu as cores verde e amarelo com a força característica de um povo que se reinventa, fazendo com que o país do futebol assistisse, entre as neves, ao nascimento de um novo orgulho nacional celebrado com samba no pé e lágrimas nos olhos. Contrariando as vozes que ousaram questionar sua nacionalidade, ele provou que a identidade brasileira é uma força que corre livre pelas veias, e mostrou que a alma de quem sabe sambar é a mesma que, com maestria, aprendeu a dominar os esquis.


