Público, gratuito e de acesso universal, o nosso Sistema Único de Saúde, que deveria ser motivo de perene orgulho nacional, conquistou recentemente uma marca histórica ao bater o recorde de transplantes de órgãos no país. Com mais de 30 mil cirurgias realizadas apenas em 2024, um aumento expressivo de 18% em relação a 2022, o Brasil consolida sua posição de destaque no cenário internacional, tendo nos rins e nas córneas os órgãos mais frequentemente transplantados em solo brasileiro.
Embora o avanço seja notável, a fila de espera, que ainda abriga mais de 75 mil pessoas, impulsionou o Ministério da Saúde a anunciar, em junho de 2025, um pacote de modernização destinado a otimizar o sistema e ampliar a sensibilização das famílias para a doação. Entre as novidades, destaca-se a oferta de transplantes de intestino delgado e multivisceral, além da implementação da Prova Cruzada Virtual: uma tecnologia de ponta que realiza o cruzamento eletrônico de dados entre doadores e receptores para prever a probabilidade de rejeição. Esta inovação não apenas agiliza a distribuição de órgãos vitais como coração e pulmão, mas também reduz drasticamente o tempo entre a captação e a cirurgia, minimizando o risco de isquemia e garantindo maior sucesso nos procedimentos.
Não é por acaso que o SUS é reconhecido globalmente como o maior e mais complexo sistema público de saúde do mundo, servindo de objeto de estudo para nações que buscam replicar a universalização do atendimento. O modelo brasileiro é parâmetro internacional de pesquisa diferenciando-se de sistemas como o do Reino Unido ao oferecer acolhimento integral a qualquer pessoa em território nacional, independentemente de sua origem ou nacionalidade. Para além disso, é também referência por gerir a maior rede pública de transplantes do planeta e o programa de vacinação mais abrangente da América Latina. Uma verdadeira vitrine mundial.
Posicionar-se contra o SUS é, em última análise, opor-se ao acesso democrático à saúde e desconsiderar seu impacto vital na redução da mortalidade infantil e no tratamento gratuito de doenças de alto custo que, de outra forma, seriam inacessíveis à imensa maioria da população. É justamente graças à capilaridade deste sistema que, mesmo em um país de dimensões continentais, a logística da vida acontece com agilidade e segurança, materializando-se em números expressivos como os de 2024, quando foram realizados 4.767 voos comerciais e 234 missões da Força Aérea Brasileira exclusivamente para o transporte de órgãos, tecidos e pacientes.
Defender o SUS é um exercício de defesa da própria democracia e, acima de tudo, é um compromisso inegociável com o direito à vida.


