A edição de 2026 do Critics’ Choice Awards reforçou seu papel de bússola da temporada: quando a corrida ganha um favorito, a premiação costuma transformar tendência em manchete — e foi exatamente isso que ocorreu com “Uma Batalha Após a Outra” (One Battle After Another). O filme saiu da cerimônia com o troféu de Melhor Filme e ainda garantiu a Direção e o Roteiro Adaptado para Paul Thomas Anderson, num trio de vitórias que desenha uma narrativa clara de força autoral e unidade artística.
Se o prêmio principal teve dono, o restante da noite mostrou um mapa mais pulverizado — e, por isso mesmo, revelador. Timothée Chalamet venceu Melhor Ator por “Marty Supreme”, num reconhecimento que, embora isolado no placar do longa, funciona como selo de “performance do ano” para a crítica. Do outro lado, Jessie Buckley levou Melhor Atriz por “Hamnet”, repetindo o padrão clássico das temporadas: um grande trabalho individual que, às vezes, brilha mesmo quando o filme não varre outras categorias.

Entre os destaques técnicos e de atuação coadjuvante, “Frankenstein” foi um dos títulos mais vitoriosos, puxado pela vitória de Jacob Elordi como Melhor Ator Coadjuvante — e acompanhado por categorias técnicas que costumam indicar impacto visual real na tela, como figurino, cabelo e maquiagem e design de produção.
A noite também confirmou o peso de “Pecadores” (Sinners) como filme de força coletiva: além de aparecer como um dos líderes em prêmios, venceu em frentes que medem “construção” — como Roteiro Original, Trilha Sonora e Escalação de Elenco — e ainda levou Melhor Jovem Ator/Atriz com Miles Caton.
No recorte que mais interessa ao público brasileiro, veio a estatueta que muda a temperatura de qualquer campanha: “O Agente Secreto” venceu como Melhor Filme Internacional, colocando o título no centro do radar global justamente numa vitrine em que a crítica americana costuma ditar o tom da conversa até a reta final da temporada.
Além do destaque do Brasil em Melhor Filme Internacional, a cerimônia também consagrou um brasileiro em uma das áreas mais decisivas do cinema: Adolpho Veloso venceu Melhor Direção de Fotografia por “Sonhos de Trem” (Train Dreams), produção da Netflix. A premiação reconhece a força da assinatura visual do longa — um tipo de vitória que costuma funcionar como selo de prestígio técnico na temporada e, muitas vezes, empurra o filme (e seu fotógrafo) para o centro do debate até as grandes premiações seguintes.
E ainda houve espaço para o “respiro” da comédia e da animação: “Corra que a Polícia Vem Aí!” foi eleito Melhor Filme de Comédia, enquanto “Guerreiras do K-POP” venceu como Melhor Animação e também saiu premiado em Melhor Canção, confirmando a dobradinha frequente de animações musicais que emplacam tanto no ouvido quanto no voto.
No conjunto, o Critics’ Choice 2026 desenha uma fotografia nítida: um líder incontestável no prêmio máximo (“Uma Batalha Após a Outra”), dois “campeões de estatuetas” em blocos específicos (“Frankenstein” no aparato técnico e coadjuvante; “Pecadores” no eixo de roteiro/força de conjunto) e uma vitória brasileira que, por si só, já reposiciona o debate internacional (“O Agente Secreto”). É o tipo de resultado que não apenas celebra o ano do cinema — ele reorganiza a conversa sobre quem chega mais forte quando a temporada apertar de verdade.



