Durante muito tempo, falar sobre saúde mental no trabalho foi tratado como algo subjetivo, delicado ou até secundário. Com tantas mudanças no mercado de trabalho e avanços tecnológicos, essa questão mudou muito de uma forma definitiva e prioritária.
E você sabe o que fez mudar esse cenário?
O aumento dos afastamentos por transtornos mentais, a queda de produtividade, o alto turnover e a pressão regulatória mostram que os riscos psicossociais deixaram de ser invisíveis. Eles existem, impactam resultados e agora exigem gestão estruturada.
É justamente nesse contexto que o Janeiro Branco ganha relevância estratégica: mais do que uma campanha de conscientização, ele reforça a necessidade de olhar para aquilo que, muitas vezes, não aparece nos relatórios tradicionais, mas adoece silenciosamente pessoas e organizações.
Mas o que são riscos psicossociais e por que eles merecem atenção imediata?
Riscos psicossociais são fatores presentes na organização do trabalho, na gestão, nas relações interpessoais e na cultura organizacional que podem gerar sofrimento psíquico, estresse crônico, ansiedade, depressão e burnout.
Eles não surgem do acaso. Geralmente estão associados a:
• Excesso de cobrança e metas irreais;
• Falta de clareza de papéis e responsabilidades;
• Jornadas extensas e sobrecarga constante;
• Lideranças despreparadas emocionalmente;
• Ambientes marcados por conflitos, assédio ou medo;
• Falta de reconhecimento, autonomia e escuta.
Os sinais silenciosos que indicam alerta nas empresas
Muitas organizações só percebem que algo está errado quando o problema já se agravou. Por isso, identificar os sinais precoces é fundamental. Alguns indicadores merecem atenção especial:
• Aumento frequente de afastamentos médicos, principalmente por motivos emocionais
• Queda repentina ou progressiva de desempenho de profissionais antes engajados
• Alto índice de turnover em áreas específicas
• Clima organizacional pesado, com medo de errar ou de se posicionar
• Lideranças sobrecarregadas, reativas e emocionalmente exaustas
• Crescimento do absenteísmo e do presenteísmo (estar presente, mas improdutivo).
Ignorar esses sinais não os elimina. Pelo contrário: potencializa riscos legais, financeiros e reputacionais.
NR-1: riscos psicossociais agora são obrigação legal
A atualização da NR-1, que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), trouxe uma mudança significativa: os riscos psicossociais passaram a integrar formalmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Na prática, isso significa que as empresas devem:
• Identificar e avaliar riscos psicossociais no ambiente de trabalho;
• Registrar esses riscos no PGR;
• Definir medidas preventivas e corretivas;
• Monitorar continuamente os impactos sobre a saúde dos trabalhadores.
Ou seja, saúde mental deixou de ser apenas um discurso de bem-estar e passou a ser tema de conformidade legal, sujeito à fiscalização do Ministério do Trabalho e a possíveis sanções em caso de negligência.
Como identificar riscos psicossociais de forma prática
Não se trata apenas de boa intenção, mas de método. Algumas ações práticas ajudam as empresas a mapear esses riscos de forma estruturada:
• Pesquisas de clima e saúde emocional, com perguntas que avaliem carga de trabalho, pressão, relações e segurança psicológica;
• Escuta ativa e estruturada, por meio de entrevistas, rodas de conversa e feedbacks organizados;
• Análise de indicadores de RH, como turnover, absenteísmo e afastamentos;
• Avaliação do modelo de liderança, observando comportamentos, comunicação e gestão de conflitos;
• Revisão de processos e metas, identificando sobrecargas e desalinhamentos.
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O objetivo não é expor pessoas, mas identificar padrões organizacionais que geram adoecimento.
A importância de apoiar a Campanha Janeiro Branco
O Janeiro Branco deve ser encarado como um ponto de partida não como uma ação isolada no calendário. Empresas que tratam a saúde mental de forma estratégica conseguem:
• Reduzir afastamentos e passivos trabalhistas;
• Aumentar engajamento e retenção de talentos;
• Fortalecer a marca empregadora;
• Criar ambientes mais humanos e produtivos.
Ignorar os riscos psicossociais hoje é um erro estratégico. Reconhecê-los, preveni-los e geri-los é uma decisão inteligente, responsável e alinhada ao futuro do trabalho.



