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Meu filho está frustrado com o vestibular e eu sofro junto!

Cláudia Oliveira
Cláudia Oliveira
Psicóloga com formação em Terapia Cognitiva Comportamental, especialista em adolescência, adultos e orientação profissional. Neuropsicóloga, pós-graduada em orientação parental e inteligência emocional, Pós-graduanda em Psicopatologia e em Psicologia baseada em evidências. @psiclaudiaoliveira @adolescenciasimples
claudia oliveira

Os primeiros resultados dos vestibulares costumam fazer uma bagunça na mente dos nossos jovens. Eles trazem uma mistura de esperança e medo. Eles estudam, criam expectativas, imaginam bons resultados, mas quando as notas não vêm como o esperado, a frustração chega rápido e talvez até potencializada. O que muitas famílias não percebem é que esse momento, embora doloroso, também é um processo emocional necessário.

A gente já sabe que a frustração é um dos pilares para o amadurecimento emocional do adolescente, mas dói ver um filho sofrer. Dói porque, por muitos anos, nós fomos os escudos deles. Protegemos de quedas, de conflitos, de decepções. Fizemos o melhor que podíamos. Mas agora, na transição para a vida adulta, evitar completamente o sofrimento já não os prepara e sim os enfraquece.

Sei que nesta hora sua vontade é de ajudar, tirar com a mão o sofrimento do seu filho, mas se eu pudesse fazer algo por você, eu diria que o mais importante agora é resistir à enorme vontade de falar o que você pensa racionalmente, de fazer discursos motivacionais, de propor soluções para que ele não sofra por muito tempo.

O que de fato vai dar resultado é o seu acolhimento sem pressa. Acolhimento silencioso. Um tipo de presença que diz sem palavras: “eu estou aqui, mesmo quando é difícil”, que faz o mesmo efeito de um abraço e um beijo carinhoso. Permita que ele sinta a dor da decepção, com você ao lado. Só isso basta.

Sente-se perto dele, mesmo que vocês não conversem muito, não fique indagando tudo. Se você puder, diga que imagina que está sendo difícil para ele. Pergunte do que ele precisa agora e não fique dando sugestões do que ele deveria fazer. Deixe que ele viva o luto das expectativas. Isso também é crescimento.

A frustração, quando atravessada com suporte, vira maturidade. O desconforto vira resiliência. E essa dor, tão incômoda no início, pode se transformar em potência. No fim das contas, crescer dói, mas é uma dor que prepara. E você pode ter certeza que esta fase também prepara você para quando ele for embora viver a vida do adulto.

Um pai ou mãe presente, disponível e emocionalmente silencioso faz toda a diferença nesse caminho. Talvez o vestibular não esteja ensinando só ao seu filho. Ele também está ensinando a você a difícil arte de deixá-lo crescer.

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