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O novo cenário do Simples Nacional

Mariana Rufino
Mariana Rufino
Mariana Rufino é advogada, formada pela Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), com especialização em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET). Presidente Comissão de Defesa e Proteção Animal da OAB de São José dos Campos. É atuante na defesa dos Direitos dos Animais, no âmbito criminal e em Direito de Família. Atua de forma consolidada nas áreas de Direito Empresarial, Tributário e Cível, oferecendo assessoria jurídica estratégica a empresas e seus sócios, com foco em medidas preventivas e atuação contenciosa, bem como em Direito Tributário Internacional aplicado a pessoas físicas.
Mariana Rufino

Se você é dono de um pequeno negócio, o Simples Nacional sempre foi o seu “porto seguro”: menos burocracia e menos impostos. Mas a Reforma Tributária mudou as regras do jogo. A partir de agora, não basta apenas “pagar menos”; o que vai definir se você ganha ou perde clientes é o quanto de crédito tributário você gera para eles.

A Nova Moeda do Mercado: O Crédito Tributário

Com a Reforma, entra em cena o IVA (Imposto sobre Valor Agregado). A lógica é simples: cada empresa na cadeia paga imposto sobre o que adicionou de valor, mas pode descontar o imposto que o fornecedor anterior já pagou. Esse desconto é o chamado “crédito”.

O Desafio para quem vende para outras empresas (B2B)

Aqui mora o perigo para o pequeno negócio. Se o seu cliente é uma empresa média ou grande (que não está no Simples), ela quer comprar de quem gera o maior crédito possível para ela abater nos impostos dela.

Empresas Grandes: Pagam o imposto cheio, mas repassam um crédito cheio para o cliente.

Empresas no Simples: Pagam menos imposto, mas repassam um crédito menor.

O Resultado: Mesmo que seu preço seja competitivo, você pode se tornar “caro” para uma grande empresa, porque ela não conseguirá recuperar quase nada de imposto ao comprar de você. Isso pode fazer com que grandes compradores troquem pequenos fornecedores por empresas maiores.

Split Payment: O Imposto Pago na Hora

Outra mudança importante é o Split Payment. No futuro, quando seu cliente pagar uma nota, o valor do imposto será separado automaticamente e enviado direto para o governo.

Atenção ao Caixa: Diferente de hoje, onde você paga a guia (DAS) no mês seguinte, o imposto poderá sair do seu fluxo de caixa no momento exato da venda. Isso exigirá uma gestão financeira muito mais rigorosa.

O Simples ainda vale a pena?

A resposta agora é: depende de para quem você vende. O Simples deixa de ser uma escolha automática e vira uma decisão estratégica.

Se você vende para…O impacto da ReformaO que fazer?
Consumidor Final (CPF)O cliente comum não usa créditos tributários.O Simples Nacional continua sendo a melhor opção pela carga menor.
Outras Empresas (B2B)Seus clientes vão exigir créditos para reduzir os custos deles.Avalie com seu contador se vale a pena migrar para o regime geral para manter a competitividade.

O ponto central da Reforma não é o imposto que você paga, mas o crédito que você gera para o seu cliente.

Se o seu negócio fornece produtos ou serviços para outras empresas, o Simples pode deixar de ser uma vantagem e se tornar um obstáculo nas vendas. O segredo agora é calcular o seu “preço líquido”, ou seja, o quanto você realmente custa para o seu cliente após ele abater os impostos.

Não tome essa decisão sozinho. Leve esse conceito de “geração de crédito” para profissionais especializados e simule como sua empresa fica perante os concorrentes maiores. Estar bem informado hoje é o que garantirá suas vendas amanhã.

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