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Oscar 2026: consagrações, ausências e um momento histórico para a fotografia

Fabrício Correia
Fabrício Correia
Fabrício Correia é jornalista, escritor, professor universitário, especialista em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão. É crítico de cinema, membro da Academia Brasileira de Cinema e apresenta o programa “Vale Night” na TV Thathi SBT.
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A cerimônia do Oscar de 2026 confirmou grande parte das previsões que se desenhavam antes da premiação e revelou, mais uma vez, como Hollywood gosta de narrar a própria história diante do mundo. O grande vencedor da noite foi “Uma Batalha Após a Outra”, dirigido por Paul Thomas Anderson, que levou seis estatuetas, incluindo melhor filme, direção, roteiro adaptado, montagem e ator coadjuvante para Sean Penn, que não esteve presente para receber o prêmio. A vitória reafirma o prestígio de um cinema autoral dentro da engrenagem industrial americana.

O outro polo da noite foi “Pecadores”, de Ryan Coogler, que chegou com 16 indicações e saiu com quatro prêmios importantes. Entre eles, melhor ator para Michael B. Jordan e, sobretudo, um momento histórico para o cinema: a vitória de Autumn Durald Arkapaw em melhor fotografia.

O feito tem peso simbólico enorme. Arkapaw tornou-se a primeira mulher a vencer o Oscar de fotografia, uma das categorias historicamente mais fechadas da indústria. Sua vitória representa uma ruptura num campo que, por décadas, permaneceu dominado quase exclusivamente por homens. O reconhecimento sinaliza uma mudança estrutural lenta, mas real, dentro de Hollywood.

Nas categorias técnicas, “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, dominou o terreno visual ao vencer direção de arte, figurino e maquiagem — reafirmando a paixão da Academia pelo cinema como construção estética e artesanal.

A cerimônia também teve momentos de forte carga emocional e nostalgia. Foi impossível não sorrir ao ver figuras históricas do cinema surgindo no palco ou na plateia — Barbra Streisand, Meg Ryan e Goldie Hawn, entre outros rostos que ajudaram a construir décadas de imaginação cinematográfica. Há algo comovente quando Hollywood se recorda de si mesma.

Mas a noite também teve um silêncio incômodo. No tradicional segmento In Memoriam, que homenageia artistas que partiram, muitos espectadores notaram e comentaram imediatamente, a ausência de Brigitte Bardot. A omissão surpreendeu. Bardot não foi apenas uma atriz; foi um fenômeno cultural que redefiniu a sensualidade e a presença feminina no cinema europeu dos anos 1950 e 1960. Esquecê-la num momento de memória coletiva soou, para muitos cinéfilos, como um deslize histórico difícil de compreender.

No balanço geral, a premiação confirmou boa parte das leituras feitas antes da cerimônia: a vitória do filme de Paul Thomas Anderson, a força de “Pecadores” nas categorias centrais e o domínio técnico de produções específicas. Mais do que isso, o Oscar de 2026 expôs novamente o retrato de uma indústria que tenta equilibrar tradição, diversidade e espetáculo.

Entre a nostalgia representada por suas lendas vivas e a ruptura simbolizada por Autumn Durald Arkapaw, Hollywood mostrou que continua sendo, ao mesmo tempo, memória e reinvenção. E talvez seja justamente nessa tensão que o cinema americano ainda encontra sua força.

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