RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Por que tantas mulheres têm dificuldade para emagrecer? O problema não é falta de disciplina!

Stella Vilella
Stella Vilella
Stella Vilella é fisioterapeuta dermatofuncional, com especialização em neurociência do comportamento. Atua nas áreas de estética, saúde e emagrecimento desde 2011 e, ao longo de sua trajetória, já auxiliou mais de cinco mil pacientes em processos de perda de peso e mudança de hábitos, consolidando-se como referência regional em saúde comportamental aplicada ao controle de peso. Em 2019, apresentou seu programa de mudança de hábitos na Harvard University, ocasião em que estruturou o Método ATIVA, um programa de emagrecimento baseado na neurociência do comportamento. O método propõe uma abordagem integrada entre mente, emoções e construção de hábitos saudáveis, superando o modelo tradicional centrado apenas em dietas e priorizando estratégias sustentáveis para a manutenção do peso e da saúde no longo prazo.
stella villela

Mais de 60% das mulheres brasileiras estão acima do peso. Esse dado, por si só, já deveria mudar a forma como enxergamos o emagrecimento feminino. Ainda assim, o discurso mais comum continua sendo o mesmo: “falta foco”, “falta disciplina”, “falta força de vontade”.

Mas a verdade é outra. A mulher não fracassa no emagrecimento. Na maioria das vezes, ela está tentando seguir estratégias que simplesmente não respeitam o funcionamento do próprio corpo.

Diferente do organismo masculino, o corpo feminino passa por oscilações hormonais constantes ao longo da vida. Estrogênio, progesterona e cortisol influenciam diretamente o metabolismo, a fome, o armazenamento de gordura e até o comportamento alimentar. Não é apenas uma questão de “comer menos e gastar mais”.

Durante o ciclo menstrual, por exemplo, é comum haver aumento do apetite e preferência por alimentos mais calóricos. Na TPM, a retenção de líquido e a compulsão alimentar podem se intensificar. Já na menopausa, a queda hormonal favorece o acúmulo de gordura abdominal e reduz o gasto energético.

Agora imagine tentar manter constância em um processo de emagrecimento vivendo em um corpo que muda todos os meses. Some a isso a rotina. A sobrecarga feminina, profissional, doméstica e emocional, tem um impacto direto na saúde metabólica. O estresse crônico eleva o cortisol, hormônio que está associado ao acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. A privação de sono, cada vez mais comum, também interfere na regulação da fome e da saciedade.

Ou seja: o corpo entra em um estado biológico que favorece o ganho de peso. E não é só fisiologia é comportamento. Oscilações hormonais aumentam o desejo por açúcar e alimentos ultraprocessados. O estresse reduz a capacidade de tomada de decisão. O cansaço diminui a adesão a hábitos saudáveis. Tudo isso cria um ciclo difícil de quebrar e que muitas vezes é interpretado de forma simplista como “falta de controle”.

Por isso, é preciso mudar a pergunta. Em vez de “qual é a dieta mais rápida?”, a pergunta deveria ser: “o que na minha rotina, na minha mente e no meu corpo está dificultando esse processo?”. Saúde não é estética. Saúde é equilíbrio físico, mental e emocional. E emagrecimento sustentável só acontece quando esses três pilares caminham juntos.

Isso envolve estratégias possíveis: melhorar a qualidade do sono, reduzir o estresse, ajustar a alimentação de forma inteligente, praticar atividade física com regularidade e, principalmente, desenvolver consciência sobre o próprio comportamento. Não existe solução rápida para um problema que é multifatorial. Existe um processo. E, quando esse processo respeita o corpo da mulher, o resultado deixa de ser temporário e passa a ser duradouro.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS