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Alemanha diz que barrou 50 mil desde que começou a controlar fronteiras

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) – Nancy Faeser, ministra do Interior da Alemanha, divulgou uma série de números para dizer que a imigração está sob controle no país. Desde 2023, 50 mil foram barrados nos controles de fronteira em estradas e 2.000 criminosos foram presos. A medida foi adotada, em afronta ao Tratado Schengen de livre circulação na Europa, após clamor público diante de ataques perpetrados por requerentes de asilo.

Nos últimos dois anos, também o número de deportações aumentou 55% e o de imigrações legais, em geral de trabalhadores qualificados, subiu 77%. Segundo o ministério, há agora muito menos gente pedindo asilo: foram 32.671 requerentes no primeiro trimestre deste ano, contra 213 mil e 324 mil em períodos equivalentes de 2024 e 2023.

As estatísticas, no entanto, não amenizam o controverso debate sobre o assunto, que emperra a formação do próximo governo e alimenta a popularidade da AfD, o partido de extrema direita da Alemanha, que defende deportações em massa, tomando como exemplo a controversa ofensiva anti-imigratória de Donald Trump, nos EUA.

Faeser fez o balanço em entrevista à imprensa na manhã desta terça-feira (1º). Na noite anterior, em uma palestra em Berlim, Hans-Eckhard Sommer, chefe do Escritório Federal de Migração e Refugiados, havia declarado que não concordava com o direito individual de asilo, que está garantido na Constituição alemã. Sommer, pelo organograma do ministério, está subordinado a Faeser, mas afirmou que expressava sua opinião pessoal.

O episódio ilustra a grande diferença de abordagem para a questão que existe entre os futuros parceiros da coalizão que vai governar o país. O conservador Friedrich Merz, da CDU, vencedor das eleições de fevereiro, negocia a formação de uma maioria parlamentar com o SPD, do atual primeiro-ministro, Olaf Scholz, e de Faeser. O Executivo atual continua no poder até que o próximo seja empossado. Sommer, por sua vez, está no cargo desde 2018, por indicação da CSU, que faz parte do grupo político de Merz.

Sommer defendeu a substituição do sistema atual, bastante receptivo a quem pede asilo, por “admissões humanitárias”, que aconteceriam em “escala admissível”, talvez um eufemismo para caracterizar um volume bem mais restrito. Segundo ele, “ditadores e coiotes” estão decidindo quem entra na Alemanha neste momento.

Alertou ainda que a questão pode corroer o Estado de Direito se não for enfrentada, como já ocorre em alguns países europeus. A questão imigratória é um dos motores da ascensão de partidos populistas e extremistas no continente, e a Alemanha não é exceção.

A AfD, de Alice Weidel, que no ápice da campanha eleitoral admitiu que “reimigração” não era uma má ideia, viu sua popularidade crescer depois do pleito. O partido, que é considerado de extrema direita pelos serviços de segurança do país e tem membros investigados por discurso de ódio e neonazismo, conquistou a segunda bancada do Parlamento, com 20,8% dos votos. Na última pesquisa de opinião, divulgada nesta semana pelo Instituto Forsa, a sigla já alcança 24% das preferências.

Quem perdeu apoio foi justamente a CDU de Merz, que conquistou 28,5% dos votos nas eleições de fevereiro e agora chega a 25%. Ajudou na corrosão dos números o empenho do conservador na aprovação do maior pacote de estímulo da Alemanha desde a reunificação pelo Parlamento anterior, no mês passado. O freio da dívida, a versão local do teto de gastos, foi relaxado, encerrando décadas de austeridade.

Foi uma grande vitória política de Merz, que terá recursos sem precedentes para defesa e 500 bilhões (R$ 3,04 trilhões) para infraestrutura pela próxima década, e ainda reposicionou a Alemanha no ambiente hostil alimentado por Trump contra a Europa em sua busca de um cessar-fogo na Ucrânia.

O futuro primeiro-ministro já declarou que abusou de sua credibilidade e agora terá que convencer os futuros parceiros de coalizão que o rigor com a imigração não era apenas um discurso populista de sua campanha.

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE / Folhapress

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