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Alerta não funcionou, diz coordenador operacional do Metrô após caos na linha 3-vermelha

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Falha na comunicação e uma sequência de problemas transformaram em caos a volta para casa de quem usava a linha 3-vermelha do Metrô de São Paulo, na noite da última quinta-feira (1º), em pleno horário de pico.

Passageiros em pânico desceram para a linha, após ficarem quase uma hora em trens lotados, com iluminação apagada e ar-condicionado desligado. A multidão caminhou por túneis estreitos e com queixas de que não havia funcionários para orientar.

“Não faltou comunicação, mas o alerta [para passageiros não saírem dos trens] não funcionou. Normalmente ele funciona, mas ontem [quinta] ele não funcionou, precisamos olhar isso com carinho”, afirmou à Folha de S.Paulo Rodrigo Lopes Soares, coordenador do Centro de Controle Operacional, defendendo que os protocolos adotados evitaram acidentes com os usuários.

Segundo a companhia, um problema no sistema de portas de uma composição na estação Belém, na zona leste, foi o responsável, às 18h02, por dar início a um efeito cascata que paralisou toda a linha por cerca de três horas.

O problema com a porta, que não fechava, só foi admitido pelo Metrô na manhã desta sexta-feira (2), em uma entrevista de Marcos Borges, coordenador de Cuidados com o Passageiro, ao Bom Dia SP, da TV Globo.

Em quatro notas enviadas à Folhade S.Paulo na noite de quinta, a assessoria do Metrô não especificou quais eram as causas da falha que gerou os transtornos, mesmo tendo sido procurada. A afirmação era de que o acionamento dos dispositivos de emergência por parte de passageiros demandou o esvaziamento de trem.

De acordo com o coordenador do Centro de Controle Operacional, mesmo com a intervenção de um funcionário, a porta não conseguiu ser fechada, e 11 minutos após a detecção do problema começou o esvaziamento da composição parada na estação Belém.

A partir daí, segundo Soares, foram feitos vários acionamentos do botão de emergência por passageiros no trem que estava parado atrás à espera da retirada da outra composição com falha no sistema de portas.

“Tem que acionar toda vez que o passageiro perceber que dentro do vagão algo de muito anormal está acontecendo. São dispositivos que existem para emergência, para situações anormais. A gente aproveita a oportunidade para pedir ao nosso passageiro que isso seja feito, sim, com critério”, disse Marcos Borges, à TV Globo.

Na sequência, usuários desceram do trem e a situação foi relatada pelo operador da segunda composição na fila, que forçou a desenergização da linha para não expor as pessoas a riscos. “Foi um efeito cascata”, afirmou Soares.

“Alguma coisa não deu certo. A gente imagina que a nossa comunicação vai ser suficiente para as pessoas se acalmarem, e isso funciona por um certo tempo”, disse. “A experiência mostra que o passageiro fica tranquilo até três minutos [de espera]. A partir de sete, oito minutos, ele já começa a ficar impaciente, mesmo recebendo mensagem sonora. O nosso passageiro está acostumado com a nossa regularidade de dois em dois minutos.”

Lopes repetiu várias vezes que os protocolos foram executados corretamente, mas admitiu que o Metrô está estudando o que aconteceu para avaliar se precisará fazer correções.

“É precoce falar em mudanças nos protocolos, mas é uma oportunidade de melhoria. Esse caso é um ‘case'”, disse o coordenador, afirmando que há dez anos o Metrô não enfrentava um caos semelhante. “Nós não tivemos uma tragédia porque os protocolos foram aplicados, mas tivemos o transtorno e lamentamos por isso.”

Soares negou que há falta de funcionários no Metrô, apesar das várias reclamações de pessoas que não conseguiam obter informação. “Fica mais difícil achar o funcionário, porque a ocorrência está em andamento, mas ele estava lá.”

INFORMAÇÃO TRUNCADA

Questionado na manhã desta manhã por não ter explicado, ainda na quinta, qual era a falha, o Metrô, por meio da assessoria, respondeu que divulgou os problemas a quem pediu nota. “Tivemos dois problemas de porta que foram divulgados pelo Direto do Metrô e em nota para quem pediu”, afirmou.

“Na estação Brás da linha 3-vermelha, uma falha em porta levou ao esvaziamento do trem. 17h20/ 17h28. Entre às 18h02 e 18h12, um trem foi evacuado na estação Belém da linha 3-vermelha depois de um passageiro forçar a porta para entrar e ela não sinalizar como fechada”, afirmou a assessoria, reforçando que essas informações constavam na seção Direto do Metro, no site da companhia. Porém, a explicação não constava nas notas enviadas à reportagem na noite de quinta.

De acordo com o Metrô, por causa do problema, a velocidade da linha 1-azul teve de ser reduzida, para equilibrar o fluxo na transferência da estação Sé, no centro de São Paulo.

O Metrô disse ter acionado o sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) entre as estações Carrão e Barra Funda no período em que a linha esteve parada.

FÁBIO PESCARINI E FRANCISCO LIMA NETO / Folhapress

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