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Alunos da USP são expulsos de alojamento sob estádio e buscam novo teto

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Cinquenta e um estudantes foram expulsos de alojamentos que ocupavam sob a arquibancada do estádio de futebol do Cepe (Centro de Práticas Esportivas) da USP. Eles viviam ali desde o fim de fevereiro à espera de vagas no conjunto residencial da instituição, o Crusp.

A remoção, coordenada pela Prip (Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento), ocorreu na última sexta (17). Agora, os graduandos e pós-graduandos que viviam ali procuram um novo teto.

Parte deles foi acolhida provisoriamente no Crusp durante o fim de semana, só para ter onde dormir. Outros seguem desamparados e cogitam até desistir dos cursos e retornar às suas cidades.

Depois que deixaram os alojamentos, os alunos solicitaram uma reunião com a Prip. No encontro, foram solicitadas 11 vagas no conjunto residencial para os ex-residentes do alojamento em situação de maior vulnerabilidade econômica. A pró-reitoria negou e, em nota à reportagem, disse que os apartamentos são destinados apenas aos estudantes contemplados em edital do auxílio-moradia.

Há dois tipos de benefício concedidos pela universidade para habitação: parcial, de R$ 300 mensais com estadia no Crusp; e integral, de R$ 800 mensais para custear aluguel enquanto aguarda por um quarto. Dos 51 alunos que estavam no alojamento, 8 conseguiram vagas no Crusp e 35 obtiveram o benefício de R$ 800 -os estudantes alegam, contudo, que o valor é insuficiente para custear aluguel próximo à Cidade Universitária, no Butantã (zona oeste).

Dos 11 alunos considerados mais vulneráveis, 8 acabaram entre os contemplados com auxílio integral. Os estudantes propuseram então uma solução à Prip, converter esses 8 dos auxílios integrais em parciais (com vaga no Crusp). Mas a gestão da USP novamente negou.

“Não podemos ser coniventes com a concessão de privilégios, já que os estudantes que solicitam a conversão estariam mudando de posição na fila única, prejudicando no mínimo 158 outros estudantes que se encontram também aguardando vagas na moradia”, diz a pró-reitoria.

MORADIA IMPROVISADA

Os alojamentos do Cepe foram abertos no fim de fevereiro. Naquele mês, começaram a ser divulgados alguns nomes elegíveis ao auxílio-moradia da universidade.

Logo, movimentos estudantis alertaram a reitoria de que haveria chamadas de aprovados nos vestibulares até março, alunos chegariam de vários pontos do país, se inscreveriam no programa assistencial e aguardariam sem ter onde dormir. Por isso foi solicitada uma medida emergencial -a ocupação dos cômodos debaixo do estádio.

Os alunos, porém, concordaram deixar o espaço até 5 de abril, o que não fizeram. Até a última sexta, eles ocupavam quatro cômodos com janelas basculantes. Dois eram exclusivos para os homens, e dois para as mulheres. Cada um deles tinha nove beliches, ou seja, 18 camas.

Malas jogadas, varais improvisados e alguns ventiladores -necessários em razão do calor intenso dos últimos tempos- compunham o cenário, também repleto de mofo, infiltrações e insetos. Não havia cozinha no espaço.

Os moradores tinham acesso a dois vestiários, sujos e cheios de azulejos soltos. Não havia divisórias entre as duchas. Em 2019, os alojamentos do Cepe chegaram a ser fechados pela situação precária.

BRUNO LUCCA / Folhapress

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