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Antes de Lula reencontrar Xi, Brasil negocia logística, e China propõe tecnologia

PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) – O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, estará em Pequim por cinco dias a partir do próximo sábado (26) para reuniões com autoridades chinesas em busca de investimentos em projetos de logística e cadeias produtivas –a serem anunciados por Lula e Xi Jinping durante a visita do presidente brasileiro, em 12 e 13 de maio.

Em seguida, passa dois dias em Xangai, sede do Novo Banco de Desenvolvimento, presidido por Dilma Rousseff, que também foi chefe da Casa Civil de Lula e ajuda nas negociações. A instituição, conhecida como Banco do Brics, deve participar do financiamento de parte dos acordos.

Uma semana atrás, uma delegação chinesa esteve no Palácio do Planalto para conhecer a carteira de projetos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Na visita de Xi a Brasília, em novembro, ele e Lula concordaram em buscar “sinergias” entre PAC e Iniciativa Cinturão e Rota, o programa chinês conhecido no Brasil como Nova Rota da Seda.

Um dos focos da discussão, que incluiu representantes de ministérios brasileiros como Planejamento e Agricultura, foi o Corredor Bioceânico, que pretende ligar o Brasil ao Pacífico, por rodovia até o Chile e eventualmente ferrovia até o porto de Chanqay, no Peru -construído e agora administrado por uma empresa chinesa.

Se confirmado o interesse de Pequim, o acordo resultaria na entrada de gigantes chineses de infraestrutura em licitações das obras no Brasil. Segundo fontes diplomáticas, outra prioridade a ser buscada por Costa e sua comitiva, inclusive representantes de ministérios como Indústria e Comércio, é mais investimento nas cadeias de produção industrial.

Um dos projetos mais adiantados é o do satélite CBERS-5, o primeiro geostacionário do Brasil, que culmina uma parceria tecnológica iniciada em 1988, quando as relações bilaterais davam os primeiros passos. Nesta quarta (23) em Pequim, o ministro da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, destacou o programa como modelo de cooperação para a América Latina.

Foi durante encontro preparatório para o Fórum China-Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), com representantes dos países da região. “Os satélites desenvolvidos conjuntamente pela China e pelo Brasil promoveram o rápido desenvolvimento dos dois lados no design e na fabricação de satélites”, disse Yin.

O Fórum acontece no próximo dia 13 e é a justificativa para a visita de Lula. “Nós esperamos que a China e a América Latina construam um mecanismo de cooperação, com foco em agricultura, energia, inteligência artificial e economia digital”, completou o ministro.

O diretor do Departamento de Assuntos Latino-americanos e Caribenhos do Ministério das Relações Exteriores, Zhang Run, comentou que as relações de Pequim com a região se apoiam “sem jogos de soma zero e sem cálculos geopolíticos em que o vencedor leva tudo”.

Também citou os satélites com o Brasil, para argumentar que a cooperação sino-latino-americana “vai ajudar a romper o monopólio, a cortina de ferro digital, e a hegemonia tecnológica”.

São economias complementares também em ciência e tecnologia, diz Zhang, com a China liderando em inteligência artificial, satélites e “big data” -e os países latino-americanos com “vantagens únicas em conservação de biodiversidade, tecnologia agrícola e energia renovável”.

NELSON DE SÁ / Folhapress

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