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Após caos, Enel vai estar preparada para enfrentar chuvas neste ano, diz CEO da empresa

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Se voltar a acontecer a tempestade que atingiu São Paulo em novembro do ano passado e derrubou o fornecimento de luz por vários dias, a concessionária de energia, desta vez, vai estar preparada, promete o diretor-presidente da Enel Brasil, Antonio Scala.

Segundo o executivo, a empresa deve contratar 5.000 novos profissionais para atuar em campo até 2026, automatizar medidores e aumentar a poda de árvores, entre outras ações para lidar com eventos climáticos.

Desde a crise do ano passado, que atingiu a imagem da companhia, a Enel foi multada e entrou na mira da prefeitura e do governo federal, com decreto endurecendo as regras para as concessões.

Diante do aumento na pressão por responsabilização das empresas pelas falhas relacionadas ao clima, Scala afirma que a solução passa por redefinição dos planos de investimento, dos planos para lidar com as contingências e pelo relacionamento com clientes e o poder público.

“O tema da mudança climática é algo que nós vimos forte em São Paulo, mas está acontecendo em todo o país e no mundo. Então, significa, efetivamente, a necessidade para as empresas e outros operadores de revisar de forma profunda a modalidade de operação, de como funcionam as operações, para que as empresas possam estar mais prontas a enfrentar situações que no passado eram raras, ou que nunca aconteceram, e que agora vão acontecer com mais frequência.”

PERGUNTA – Quais são os projetos de renováveis da Enel hoje no Brasil?

ANTONIO SCALA – Começamos a investir em renováveis eólicas e solares no Brasil há mais de dez anos. Temos cerca de 6,5 gigawatts de capacidade em marcha entre usinas hidrelétricas, eólicas e solares. Somos o primeiro operador de eólica no país e quase o primeiro em solar. Inauguramos as eólicas de Aroeira e Pedra Pintada, na Bahia. Neste ano, estamos finalizando uma solar em Minas Gerais, nossa primeira no estado. No Brasil, também temos a Lagoa dos Ventos, que é a maior eólica da Enel no mundo, um complexo de 1,5 gigawatt.

P. – A Enel prometeu investimentos de R$ 20 bilhões no Brasil. Quanto vai ser destinado a energias renováveis?

AS – Esses números se referem ao plano de 2024, 2025, 2026. Cerca de 80% está destinado a distribuição, de São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro. Do restante, a maioria está dedicada à construção de usinas renováveis, eólicas e solares.

P. – A parte principal do investimento vai para o aumento da qualidade, que foi muito questionada após os apagões da época dos temporais?

AS – Sim, temos construído um plano de ações robusto. Este montante é dedicado à qualidade da distribuição, mas não é só o investimento. Começamos um plano de incorporação de novo pessoal técnico. No horizonte de três anos, o objetivo é incorporar quase 5.000 pessoas entre as distribuidoras em funções de eletricistas, o que significa mudar de forma radical a presença operacional que temos na rua, talvez dobrar ou triplicar o pessoal próprio.

Revisamos completamente o protocolo de gestão das contingências climáticas e a capacidade de atuar de forma mais rápida na previsão de evento meteorológico ruim, tanto no âmbito técnico quanto no de comunicação com os clientes, potencializando a capacidade de atendimento do canal telefônico, que pode dobrar sua capacidade em relação ao patamar do fim de 2023.

Começamos um programa de abertura de novos pontos físicos para facilitar o atendimento dos clientes, além de investimentos específicos em São Paulo para ter um patamar de resiliência mais alto sem a necessidade de enterramentos de cabos. Temos este piloto de resiliências em alguns bairros que vão ser finalizados antes do verão.

P. – A empresa vai ficar preparada para as situações de mudança climática?

AS – Exatamente. É uma combinação de fatores. Alguns podem ter impacto imediato. Por exemplo, aumentamos a atividade de podas. Em São Paulo, neste ano teremos quase o dobro das podas de 2023. Essa é uma das ações que imediatamente elevam a resiliência na rede. Isso se junta ao aumento do número de pessoas, que também tem impacto imediato, e aos investimentos que podem precisar um pouco mais de tempo. A ideia é combinar ações de impacto imediato e ações mais estruturais.

P. – Nas próximas chuvas, a empresa vai ter uma resposta diferente da que foi feita no ano passado?

AS – Sim. Já no verão passado, algumas dessas ações foram implementadas. E algumas das contingências, que não foram tão severas como as de novembro, tiveram tempo de restabelecimento muito menor. A finalidade é ter uma estrutura pronta para enfrentar melhor as contingências.

P. – Parte dos investimentos vai para os medidores inteligentes?

AS – Qual é o papel deles na transição energética? É um dos investimentos para fortalecer a capacidade de atuação em caso de contingências. O medidor inteligente permite ao consumidor conhecer melhor como funciona o seu consumo e facilita comportamentos mais virtuosos do cliente. Esse é um componente da transição energética. Também envolve qualidade de serviço. Reduz erros de faturação e melhora a visibilidade em caso de falta de luz, o que ajuda a agilizar a resposta. Em São Paulo, já chegamos, em julho, a 1 milhão de medidores digitais instalados.

P. – Depois do problema de apagão pelas chuvas, o Ministério de Minas e Energia defendeu elevação da responsabilidade das empresas por falhas ligadas às condições climáticas. O que achou disso?

AS – O tema da mudança climática é algo que nós vimos forte em São Paulo, mas está acontecendo em todo o país e no mundo.

Então, significa, efetivamente, a necessidade para as empresas e outros operadores de revisar de forma profunda a modalidade de operação, de como funcionam as operações, para que as empresas possam estar mais prontas a enfrentar situações que no passado eram raras, ou que nunca aconteceram, e que agora vão acontecer com mais frequência.

Por isso, o movimento da empresa de redefinir seu plano de investimento, seu plano de manejo das contingências climáticas, o contato com clientes, e também o relacionamento com o poder público para enfrentar de forma mais coordenada as contingências climáticas. São coisas que vão facilitar o manejo destes casos, minimizando o impacto para os clientes.

P. – Em alguns casos de falta de energia, o problema é atribuído ao furto de cabos de cobre, um metal cujo preço subiu por causa da demanda do mercado de transição energética, para a energia solar, eólica e eletrificação de veículos. Como lidar com isso? Enterramento resolve?

AS – O cobre tem volatilidade de preço por várias dinâmicas de mercado. É um material nobre usado na transição energética e em vários âmbitos da indústria.

O furto de cabos gera um risco para quem furta e gera um impacto para a empresa e os clientes. Não é um tema fácil. Em algumas áreas, a incidência está crescendo. Estamos tentando melhorar a colaboração entre empresas e poder público. Isso é algo que existe no Brasil e em algumas partes do país o fenômeno está tomando uma dinâmica de crescimento que nos preocupa como setor.

Enterramento não resolve, porque o cabo enterrado também pode ser furtado. Às vezes, pode ser mais fácil roubar cabos enterrados do que os aéreos. É um tema de segurança pública. Não é uma situação técnica, para evitar que seja roubado. É um tema de monitoramento, de efetividade do regime jurídico.

P. – A crise do apagão das chuvas virou tema da disputa eleitoral paulistana com falas de Boulos e o prefeito Nunes. Como avalia a politização disso?

AS – O que podemos dizer como empresa é que colocamos todos os recursos para solucionar o tema da qualidade. A cidade precisa de uma infraestrutura resiliente, e é sobre isso que estamos focando os esforços.

RAIO-X | ANTONIO SCALA, 44

No Grupo Enel desde 2009, o executivo ingressou na área de gestão de risco na Enel Produzione Spa. Mais tarde, liderou diversas áreas em outras empresas do grupo, como Enel Energia, Enel Global Trading e Enel Green Power, antes de assumir o posto de diretor-presidente da Enel Brasil

JOANA CUNHA / Folhapress

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