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Após celebrar ‘tech bros’, SXSW agora discute resistência ao Trump 2

AUSTIN, EUA (FOLHAPRESS) – Há sete anos, Elon Musk foi a atração surpresa e mais midiática do SXSW, megaevento de inovação, tecnologia e cultura em Austin, no Texas. No palco, ouviu aplausos, foi aclamado tal qual um popstar e defendeu, entre outras coisas, maior regulação do governo para inteligência artificial.

“Acho que o perigo da IA é muito maior do que o das armas nucleares”, declarou.

A cena do bilionário sendo ovacionado registrada em 2018 é impensável e soa até irônica na atual edição do festival, que começou na última sexta-feira (7) e vai até o dia 15 de março.

Musk agora atua no governo Donald Trump à frente de uma agência que tenta justamente derrubar regulamentações. Não é o único “tech bros” —como são chamados os empresários do setor de tecnologia que se aliaram ao republicano — antes celebrado e hoje sumido do evento.

Mark Zuckerberg, da Meta, esteve presencialmente na edição de 2008 e apresentou em conferência virtual sua aposta no metaverso em 2022. Musk já tinha ido ao festival em 2013.

Não se pode dizer, porém, que o dono da Tesla e do X não esteja presente de alguma maneira em Austin, capital do estado para onde ele levou a sede de suas empresas.

Uma versão do bilionário, interpretada pelo humorista James Adomian foi atração do braço cultural do SXSW, que tem esquetes de stand-up. No espetáculo “Elon Musk: Disrupt Democracy…LOL”, o ator replicou cacoetes e ironizou excentricidades do bilionário.

Foi com humor também que um dos palestrantes mais esperados do SXSW criticou os empresários que estiveram na posse de Donald Trump. O professor Scott Galloway, da NYU (Universidade de Nova York), arrancou gargalhadas da plateia ao apresentar o que chamou de “dominó da covardia”.

Uma montagem apareceu no telão exibindo peças de dominó com os rostos dos donos do X e da Meta e de Jeff Bezos (Amazon), Satya Nadella (Microsoft), Sam Altman (OpenAI), Sundar Pichai (Google), Tim Cook (Apple) e Yaccarino (X).

Especialista em tendências de negócios e tecnologia, Galloway é um crítico do atual governo dos EUA. Usa linguagem direta e com palavrões para falar de temas áridos e expor sua visão pessimista sobre a economia dos país.

“Acho que vamos começar a afastar o capital”, afirmou ao criticar o abandono de alianças “de 80 anos e acordos comerciais incrivelmente prósperos com democracias consistentes e confiáveis”. “Tudo isso para chupar o pau de um autocrata assassino russo”, afirmou, arrancando risadas e aplausos da plateia.

“Eu salvei aquela imagem de Musk fazendo aquela saudação nazista (na posse de Trump) e toda vez que revejo, penso: ‘Eu me nego a normalizar isso’. Pensem no que a idolatria ao dinheiro fez com a gente?”, Galloway.

Na época, Musk ironizou as acusações de que tenha feito a saudação nazista. No X, escreveu que estava cansado de ataques do tipo “todo mundo é Hitler”.

A ausência dos “tech bros” não impede que as gigantes de tecnologia marquem presença em Austin. Executivos da Meta, Google, Microsoft e Apple estão entre os painelistas do SXSW.

Não há representantes da X e da Tesla. O principal patrocinador do festival é a Rivian, montadora americana de carros elétricos, rival da empresa de Musk.

O evento que começou como um festival de música em 1987 se transformou em um sucesso comercial com centenas de milhares de inscritos que pagam, no mínimo, US$ 1.650 (cerca de R$ 9.900) para terem acesso às atrações. Em 2024, o Brasil registrou a segunda maior delegação, com 2.500 inscritos.

Este ano, a reeleição de Trump pauta a agenda do evento, com painéis sobre ameaças à democracia dividindo espaço com temas como inteligência artificial, computação quântica, inovação e economia criativa.

O escritor e professor de estudos midiáticos e economia digital Douglas Rushkoff queria mais do que isso. Em uma palestra sobre efeitos da IA na sociedade, ele evocou o espírito de contracultura do início do festival dos anos 1980. Deseja o mesmo para a tecnologia.

“A internet começou como um refúgio para a contracultura e um catalisador para novas possibilidades”, afirmou. “Agora, as tecnologias digitais promovem fins utilitários em vez de fins criativos, e a inteligência artificial favorece o provável em detrimento do possível”.

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O repórter viajou a convite do SP2B

PAULO PASSOS / Folhapress

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