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Após pedido de equipe de Milei, TV edita trecho de entrevista sobre criptogate

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – A edição de uma entrevista com o presidente Javier Milei sobre o escândalo batizado de “criptogate”, exibida nesta segunda-feira (17) por uma TV argentina, ofuscou o tema central da conversa, na qual o chefe da Casa Rosada fazia uma espécie de prestação de contas.

Um trecho em que um assessor do presidente interrompe e reclama de uma pergunta não foi exibido na TV, mas foi divulgado no YouTube do canal TN (Todo Noticias) -e posteriormente apagado. O recorte, que tem pouco menos de 2 minutos, circulou nas redes sociais, foi compartilhado pela oposição e foi abordado por jornais locais.

Milei dava sua primeira entrevista após o escândalo da criptomoeda $Libra, que divulgou em sua conta oficial no X e registrou uma subida exponencial de valor e, logo depois, colapsou. O presidente foi acusado de fraude na Justiça, e já há um pedido de impeachment.

Questionado sobre as possíveis implicações jurídicas, Milei diz na entrevista que não cuida desses temas. “Seria imprudente da minha parte falar sobre. Quem mais entende é o nosso ministro da Justiça, Mariano Cúneo Libarona”, diz.

A isso, o jornalista Jonatan Viale diz que Milei participou da divulgação da criptomoeda como cidadão e como presidente. Milei diz: “É bom que você destaque que tuitei como um cidadão, porque compartilhei na minha conta pessoal [no X]”. O jornalista, então, insiste: “Está bem, mas o senhor é o presidente.”

O diálogo continua brevemente, até que entra no enquadramento da câmera o assessor de Milei e uma das figuras que, mesmo sem cargo público, têm mais poder na gestão: Santiago Caputo. Ele cochicha algo no ouvido do presidente e depois ao jornalista, que diz: “Claro, já me dei conta de que [isso] pode trazer problemas judiciais [a Milei].”

Viale então recalcula a entrevista, interrompe essa consulta e volta a perguntar sobre o tema da criptomoeda. A reportagem procurou a assessoria do canal TN, que ainda não comentou o tema.

Nesta terça-feira (18), figuras ligadas a Milei tentaram colocar panos quentes na situação. Seu porta-voz, Manuel Adorni, disse que “Santiago Caputo interrompeu a entrevista porque tem o defeito da excelência e notou que aquilo podia deixar alguma confusão nos telespectadores”. Afirmou, porém, que o próprio Milei não teria gostado e teria dito, ao desligarem as câmeras, que aquilo foi “desnecessário”.

A relação da imprensa argentina com os governos de turno sempre foi turbulenta. Mas, a despeito de sua postura hostil contra jornalistas, a quem já chamou de “mentirosos seriais”, “imbecis” e “chantagistas”, Milei conseguia espaços de projeção para suas ações na imprensa local, com entrevistas nas quais, em geral, sempre se saía bem.

O presidente compartilha poucas entrevistas, e sempre com repórteres conhecidos por terem afinidade política com ele. Internacionalmente, suas conversas são prioritariamente para jornais dos Estados Unidos e da Europa, como The Washington Post e Financial Times.

Um dos opositores que se aproveitou da edição da entrevista foi o ex-presidente Alberto Fernández, peronista que foi substituído por Milei no cargo e que está, ele próprio, no centro de outro escândalo: acaba de se tornar réu em uma ação sobre violência contra a ex-esposa.

No X, Fernández disse, em referência ao jornalista Jonatan Viale: “Eles rasgam as roupas se os chamam de ‘gordos leitosos’, mas não têm vergonha de encobrir uma fraude com uma entrevista roteirizada”.

A passagem depreciativa faz referência a um episódio de 2020, durante a pandemia de Covid, no qual Fernández curtiu e compartilhou, em sua conta no Twitter, um tuíte que descrevia Viale como um “gordo leitoso” por suas críticas à condução do combate da crise sanitária.

Foram muitas as críticas de opositores e de organizações jornalísticas na ocasião, e o então presidente apagou a publicação.

Fernández disse, na época, que se tratou de “um erro involuntário que levou esta conta a compartilhar uma crítica que eu respeito, mas que continha adjetivos que acredito que é melhor evitar”. “Lamento se alguém se sentiu magoado com isso”, completou.

Javier Milei enfrenta o primeiro escândalo de sua gestão, iniciada em dezembro de 2023 e até aqui bem avaliada, no geral, pelo êxito do programa econômico, fundamentalmente na diminuição da inflação, que retrocedeu mais de 20 pontos percentuais em um ano.

O presidente ultraliberal parece estar prestes a conseguir um novo acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e ainda é incerto o impacto que o escândalo do criptogate terá nessa área. Em sua defesa, ele diz que apenas divulgou a $Libra, mas não a promoveu. Milei recebeu em outubro passado, na Casa Rosada, os criadores da criptomoeda que prometia ajudar pequenas e médias empresas.

MAYARA PAIXÃO / Folhapress

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