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Após salto, dólar abre semana caindo frente ao real e aguarda por dados dos EUA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dólar caía frente ao real nos primeiros negócios desta segunda-feira (13). Às 9h07, a moeda à vista caía 0,31%, a R$ 5,141 na venda. Investidores vêm ajustando posições após salto acentuado da moeda semana passada, conforme mercado aguardava dados de inflação dos Estados Unidos.

Na sexta-feira (10), o Ibovespa fechou em queda de 0,46%, a 127.599,57 pontos, e o dólar subiu 0,29%, cotado a R$ 5,157 na venda.

Ao todo, a Bolsa acumulou queda de 0,68% na última semana, e o dólar avançou 1,75%.

Os investidores repercutiam dados da inflação do mês de abril e seguiam de olho em declarações de integrantes do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) para calibrar expectativas quanto à taxa de juros norte-americana.

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação do país, acelerou a 0,38% no mês passado, apontou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O dado ficou acima das projeções de analistas consultados pela Bloomberg, que previam avanço de 0,35%.

No acumulado de 12 meses, a inflação perdeu força e desacelerou a 3,69% –o menor patamar desde junho do ano passado, quando esteve em 3,16%, mas ainda acima da mediana das projeções de analistas de 3,66%.

Ainda assim, o resultado aponta para uma inflação dentro da meta perseguida pelo BC (Banco Central), cujo centro é de 3% em 2024, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo e para cima.

“A recente divulgação do IPCA […] sugere uma inflação em trajetória de aproximação à meta estabelecida. A expectativa é que o Copom continue a navegar entre a pressão por taxas de juros menores e a necessidade de manter a inflação sob controle, especialmente se novos dados do IBGE adicionarem complexidade ao debate”, avaliou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

O mercado também seguiu repercutindo o corte da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 10,75% para 10,50% ao ano. A taxa de juros é o principal instrumento da autarquia para convergir a inflação à meta.

Ainda que a desaceleração do ritmo de cortes fosse esperada, a surpresa esteve na divisão do Comitê: todos os diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram favoráveis a uma redução maior, de 0,5 p.p., enquanto os outros cinco dirigentes optaram pela de menor magnitude.

A divisão interna no Copom levantou temores sobre mudanças no perfil do colegiado e sobre um possível viés político na autarquia a partir de 2025, quando será formado um novo mandato. O presidente Roberto Campos Neto deixará o cargo ao final deste ano, assim como outros dois diretores, cujas vagas serão ocupadas por indicados do presidente Lula. O quadro formará, no ano que vem, uma maioria de dirigentes indicados pelo petista.

A ata da reunião está esperada para esta terça-feira (14).

Olhando para fora, o dirigente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que as chances de uma nova alta nos juros dos EUA estão elevadas e “não podem ser descartadas”, mas ainda se diz cauteloso em definir o tamanho da restrição.

No final de abril, o Fed deixou sua taxa de juros de referência inalterada na faixa atual de 5,25% a 5,50%, onde se encontra desde julho. Operadores, que no final do ano passado chegaram a prever que o início da redução dos juros nos EUA poderia começar tão cedo quanto março, adiaram consecutivamente suas projeções, que agora apontam setembro como o momento provável do primeiro corte.

Num geral, quanto mais o Federal Reserve cortar os juros e quanto menos o BC afrouxar a política monetária local, melhor para o real. Isso porque, quanto maior o diferencial de juros entre Brasil e EUA, mais interessante fica a moeda doméstica para uso em estratégias de “carry trade”, em que investidores tomam empréstimo em país de taxas baixas e aplicam esse dinheiro em mercado mais rentável.

Redação / Folhapress

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