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Após três anos de obras, veja como deve ficar o complexo do Pacaembu com reformas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – No fim de junho de 2021, a Prefeitura de São Paulo liberou as obras na concessão do Pacaembu. Três anos e algumas promessas de inauguração depois, locais conhecidos dos paulistanos, como a piscina e o estádio, continuam dividindo seu espaço no complexo com canteiros de obras.

Depois de previsões para janeiro, abril e junho deste ano, a concessionária, Allegra Pacaembu, agora diz que cada equipamento terá seu próprio evento de entrega, sem anunciar datas.

Alguns deles -ao menos seus espaços- já foram usados para eventos, como o centro de tênis, que recebeu uma feira de arte na sua quadra interna, e o centro de convenções, palco de uma feira de design. A Folha registrou parte das obras no Pacaembu na última quarta-feira (24).

Quem entrar pelo portão da rua Capivari poderá ver a estátua da tenista Maria Esther Bueno e a quadra externa de tênis, uma das duas que compõem o centro. Já a coberta, com piso de saibro, teve restauro na estrutura treliçada de madeira para manter parte do material original, a peroba rosa. A concessionária prevê capacidade para 1.500 pessoas. Quem quiser treinar no centro de tênis vai precisar fazer reserva por aplicativo e pagar uma taxa, como era sob gestão da prefeitura.

Rumo ao estádio, o local do antigo tobogã, cujos ingressos para jogos eram mais baratos, abriga as obras de três novos espaços. Um deles é uma esplanada, com 2.200 metros quadrados de área e capacidade para 2.500 pessoas.

A 14,5 metros acima dela estão as bases de um edifício multifuncional, no qual a concessionária quer instalar restaurantes na cobertura, um hotel em dois andares com ao menos 80 quartos e um centro de reabilitação esportiva para atletas. Por não fazer parte dos encargos obrigatórios previstos na concessão, diz a Allegra Pacaembu, o edifício deve ser concluído em 2025.

O horário diário de funcionamento previsto para o Pacaembu é das 6h às 22h. O objetivo é manter um fluxo constante de pessoas no espaço. O acesso a equipamentos poderá ser restrito durante a realização de eventos.

Também haverá ainda uma quantidade semanal de horas com atividades promovidas no complexo pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. Com o objetivo de evitar sobrecargas no fornecimento de energia do entorno, diz a concessionária, serão usados sistemas complementares no complexo.

Serão duas usinas solares fotovoltaicas, uma usina solar para aquecer a piscina olímpica e fornecer água quente para o edifício multifuncional, bancos de baterias e quatro geradores para emergências.

E abaixo da esplanada fica o Mercado Pago Hall, nome do centro de convenções com espaço para 8.500 pessoas. O local já foi usado para a ArPa, feira de arte contemporânea que aconteceu na última semana de junho.

O local tem 4.500 metros quadrados de área livre e outros 3.000 metros quadrados de apoio. Além de elevadores, um dos acessos por escadas dá para o gramado, funcionando também como saída de emergência. Centro do complexo, o estádio terá 25 camarotes, divididos entre os dois lados, e duas alamedas, uma abaixo de cada arquibancada. Os locais deverão ter lojas e outras ações comerciais e de gastronomia, e ficarão abertos, assim como o complexo.

Os dois setores de cadeira ao longo do campo foram demolidos para as reformas. A segunda etapa foi uma escavação na rocha do vale -espaço usado para as alamedas- e a reconstrução, no mesmo ângulo de visão, da estrutura. As cores das cadeiras também fazem referência às das rochas no local.

Em uma das alamedas também deve funcionar o Salão Capivari, com espaço para 750 pessoas e oito metros de pé-direito. Já a arquibancada próxima da entrada pela praça Charles Miller não terá cadeiras. A capacidade do estádio para jogos será de 25.500 pessoas. E para shows, que tomarão a área do gramado (a ser cercado por uma pista de atletismo), de até 40 mil.

A piscina, cuja entrega chegou a ser anunciada para junho, continuará a ter uso gratuito, com cadastro por aplicativo e apresentação ou realização no complexo de exame médico. O aquecimento da água, segundo a concessionária, será feito por energia solar com um sistema que vai substituir a antiga caldeira para manter a temperatura da água a 24°C.

O uso do ginásio poliesportivo, com 2.500 metros quadrados, também será feito a partir de reserva e pagamento de taxa, como era feito durante a gestão pela prefeitura.

Desde 2021, as obras têm sido motivo de atritos com a gestão Ricardo Nunes (MDB) e sua conclusão foi anunciada em diferentes ocasiões.

Um deles ocorreu em em 2022, quando a prefeitura anunciou que não entregaria a praça Charles Miller para a empresa. Na ocasião, a Allegra pedia compensações por um prejuízo que estimou em R$ 22 milhões, provocado pela impossibilidade de realizar eventos durante a pandemia, por erros no cálculo do tamanho do terreno e por atrasos na emissão de licenças, autorizações e alvarás.

A prefeitura respondeu, na época, que a pandemia não justificaria reequilíbrio do contrato e que a Allegra teve receita com a operação do estádio durante os anos de reforma. A gestão Nunes disse também que a responsabilidade pelos estudos no terreno é da concessionária.

Já os anúncios frustrados de reabertura ocorreram em janeiro deste ano, para a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, e em abril, para um show de Roberto Carlos. Em junho, a promessa da piscina também não se concretizou. A concessionária afirmou que “aguardará as próximas etapas de entrega do rito estipulado no contrato, já iniciadas em 27 de junho, antes de anunciar novas datas.”

Em maio, o Tribunal de Contas do Município recomendou à Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, em um relatório, a aplicação de multa pelos atrasos nas obras. A concessionária respondeu que “suas divergências serão respeitosamente explicadas ao órgão dentro dos prazos estipulados.”

Após apresentar um cronograma para finalização das obras em 29 de junho, o consórcio solicitou, em 27 de junho, uma vistoria da prefeitura no local. Segundo o comunicado do TCM, a secretaria de esportes só agendou a vistoria para o mês seguinte, na última sexta-feira (26).

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, sinalizou na sexta que deve seguir a recomendação do tribunal e multar a empresa. “A empresa que ganhou a concessão está fazendo mais obras do que previsto em contrato, mas independentemente disso, venceu o prazo, em 29 de junho, para fazer a entrega desta etapa”, afirmou. “Não haverá qualquer tipo de situação que não seja o cumprimento integral do contrato, inclusive a aplicação de multa, se for o caso, por conta do não cumprimento dos prazos.”

LUCAS LACERDA / Folhapress

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