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Árvores protegidas no Rio têm lendas, história e vandalismo

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Quem vive na praia dos Tamoios, na ilha de Paquetá, já está acostumado com a cena: os beijos diários dados ao baobá chamado Maria Gorda. A explicação está ao pé da árvore: “sorte por longo prazo a quem me beija e respeita, mas sete anos de atraso a cada maldade a mim feita”.

As marcas de vandalismo no tronco, no entanto, apontam que muitos duvidaram da lenda. “Faz tempo que não machucam a árvore, e ela até gerou até três mudas pela primeira vez este ano que foram plantadas em outros locais”, disse Renato Fernandes, 64, morador da ilha.

Maria Gorda foi a primeira árvore a ser tombada na cidade do Rio de Janeiro ao lado de outras nove, em 1967. Atualmente, segundo a Fundação Parques e Jardins, há cerca de 50 locais com árvores tombadas ou imunes ao corte no município. Eles podem ser consultados em um mapa interativo da prefeitura.

Não se sabe como o exemplar africano chegou à ilha, que fica a cerca de uma hora de barco do centro. Ela é sagrada em religiões como o candomblé e moradores mais antigos da ilha costumam contar a história que ouviram ainda crianças, que ela nasceu no mesmo dia em que uma mulher escravizada morreu.

Conhecida como Maria Apolinária, ela não aceitaria a escravidão e dizia que, ao morrer, deixaria na ilha uma marca da África negra, segundo a lenda.

De acordo com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), o tombamento de árvores era um recurso utilizado em uma época em que não existiam órgãos específicos de proteção ambiental. Desde 2000, a Fundação Parques e Jardins adota o termo “imunidade ao corte” para esse tipo de ação.

Na prática, os dois nomes indicam a mesma coisa, que a árvore deve ser preservada e não pode ser derrubada.

Embora as árvores tombadas sejam identificadas com placas, no caso das imunes ao corte isso não se repete. É o caso de um trio de baobás que está localizado em frente ao Complexo de Israel, na zona norte do Rio. Sem placa, o trio de árvores com troncos grossos passam despercebidos em um canteiro em meio ao intenso fluxo de carros.

A primeira árvore tombada na cidade foi a figueira da rua Faro, no Jardim Botânico, zona sul, por uma portaria de 1980 do extinto IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal). Na época, ela estava prestes a ser derrubada para dar lugar à construção de um prédio, mas moradores protestaram. Originária do oriente médio, é a única sobrevivente de uma fileira plantada ainda no século 17.

Já a a primeira decretada imune de corte pela prefeitura foi o pau-ferro situado na rua Marquês de Olinda, em Botafogo, na mesma região. Conhecida também como jicá, a árvore foi plantada em 1867, em frente ao solar do Comendador Antônio Joaquim Soares Ribeiro para celebrar o nascimento de suas netas.

Outro pau-ferro imune está localizado no jardim do Observatório Nacional que, em funcionamento desde 1780, é o mais antigo do hemisfério sul e também conta com seus edifícios tombados.

Podendo chegar a 30 metros de altura e com imunidade, um dos anexos foi construído com a árvore entrando em suas paredes.

Na Penha, zona norte, o destaque fica por conta do conjunto de palmeiras-imperiais na rua Patagônia. Imunes ao corte, mas não imunes ao vandalismo: seus troncos são usados para sinalizar com tintas entradas de estacionamentos, além de exibir pichações do Comando Vermelho, facção que tem como base os complexos do Alemão e Penha, que ficam na região.

Em nota, a Fundação Parques e Jardins afirmou que está sendo feito um levantamento “do estado fitossanitário e estrutural das árvores protegidas e imunes ao corte da cidade”.

“Atualmente, a manutenção das árvores protegidas, que ficam em áreas públicas, é feita pela Comlurb. Quando acionada para o manejo, a companhia compartilha informações técnicas com a FPJ, para definir a melhor solução para tratar a árvore protegida”, disse, em nota a prefeitura. Já os interessados em adotar uma árvore para cuidados devem preencher um formulário online no site Adote.Rio.

BRUNA FANTTI / Folhapress

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