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Atividade econômica perde ritmo em novembro, mas ainda não preocupa analistas

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O setor de serviços, o comércio varejista e a produção industrial perderam ritmo no Brasil com recuos em novembro, mas os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não chegam a preocupar os analistas.

Eles dizem que uma desaceleração da economia já era esperada para o quarto trimestre de 2024 e destacam que as três atividades caminham para fechar o acumulado do ano passado com desempenho positivo.

Uma perda maior de fôlego é aguardada para 2025, quando a alta dos juros tende a dificultar mais o consumo e os investimentos produtivos.

Nesta quarta (15), o IBGE informou que o volume do setor de serviços caiu 0,9% em novembro, em relação ao mês anterior. A baixa veio após o segmento registrar, em outubro, o ponto recorde da série histórica, iniciada em 2011.

O resultado se soma aos divulgados na semana passada pelo instituto: recuo de 0,4% nas vendas do varejo e baixa de 0,6% na produção industrial em igual base de comparação.

“Os dados não preocupam, porque já havia uma expectativa de desaceleração da atividade econômica no quarto trimestre. É um pouco do reflexo do nível dos juros, que já vinha alto havia bastante tempo”, diz Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg.

“O que a gente tem visto é uma desaceleração, mas ela não é uniforme. Não é homogênea”, acrescenta.

O Bmg espera um avanço de 0,5% para o PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre (ainda não divulgado), após alta de 0,9% nos três meses anteriores.

Para o acumulado de 2024, o crescimento previsto para o PIB é de 3,6%. A alta tende a desacelerar a 2,2% em 2025, segundo o banco.

“Agora estamos falando de juros ainda mais altos, que vão pegar a economia [neste ano]. Não tem muito jeito. Isso é necessário para produzir a desinflação que a gente precisa”, afirma Flávio.

As pesquisas setoriais do IBGE servem como uma espécie de termômetro da atividade econômica, que é retratada de modo geral no cálculo do PIB.

No acumulado de 2024, o setor de serviços e a produção industrial acumularam altas de 3,2% até novembro, enquanto as vendas do varejo subiram 5%. O setor de serviços é aquele com o maior peso na economia.

“O quadro do ano [passado] ainda é muito favorável. A preocupação fica para 2025, principalmente para o segundo semestre, porque o primeiro tende a ter o agro forte”, afirma Igor Cadilhac, economista do PicPay.

Ele se refere à previsão para a safra de grãos, que deve bater recorde em 2025, segundo estimativas atualizadas na terça (14) pelo IBGE e pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A produção agrícola tem maior influência no PIB na primeira metade do ano.

O PicPay prevê avanço de 0,5% para o indicador no quarto trimestre do ano passado. No acumulado do ano, a alta tende a desacelerar de 3,5% em 2024 para 1,6% em 2025, conforme a instituição.

“Pode ser só um mês de dados ruins [novembro], mas tudo indica que a gente está no início do processo de acomodação da atividade, que não vai conseguir se manter em um ritmo tão robusto”, diz André Valério, economista sênior do banco Inter.

“Isso é uma história mais para 2025. Para 2024, a gente ainda vai ver um crescimento bem robusto [do PIB], acima de 3%”, acrescenta.

O Inter prevê alta de 3,4% para o indicador de atividade econômica no acumulado do ano passado e de 1,7% em 2025.

Ao divulgar os dados do setor de serviços, o IBGE indicou nesta quarta que o recuo de 0,9%, em novembro, foi puxado por dois componentes. Foram os casos de transportes (-2,7%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (-2,6%).

Três ramos, por outro lado, mostraram alta: informação e comunicação (1%), outros serviços (1,8%) e serviços prestados às famílias (1,7%).

Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, disse que a baixa de 0,9% do setor como um todo não pode ser interpretada como uma reversão da trajetória positiva das leituras anteriores.

“A gente precisaria de mais informações negativas para caracterizar um fenômeno dessa natureza. O que a gente tem, na verdade, é uma base de comparação ainda elevada”, afirmou o técnico.

LEONARDO VIECELI / Folhapress

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