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Bienal de São Paulo quer reimaginar humanidade com edição mais longa em 2025

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A 36ª Bienal de São Paulo pretende imaginar novas formas de humanidade, pautadas no encontro e no diálogo entre diferentes grupos sociais e culturais. A edição do ano que vem terá quatro semanas a mais de duração. Ela será realizada entre 6 de setembro de 2025 e 11 de janeiro de 2026.

Dessa forma, a organização espera atrair um número mais de pessoas, já que a mostra estará em cartaz durante as férias escolares. Intitulada “Nem Todo Viandante Anda Estradas – Da Humanidade como Prática”, a edição terá curadoria de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, diretor do Haus der Kulturen der Welt, em Berlim.

“Talvez as coisas no mundo melhorem se a gente pensar a humanidade como prática e não como substantivo, se a gente não aceitar o desespero”, diz Ndikung.

“Seres humanos não apenas podem, mas devem fazer melhor. Para isso acontecer, a gente precisa sair desse sistema violento, segregador, sair dessas estradas em que muitas vezes nos encontramos. Nós podemos ser viajantes, mas não precisamos percorrer essas estradas.”

Para pensar o conceito curatorial, ele e sua equipe se voltaram para a ideia de estuário, um ambiente em que as águas doces e salgadas se encontram e formam um berçário para a vida aquática.

A exemplo desse fenômeno, a Bienal quer propor uma sociedade em que a convivência possa ser um terreno fértil não para crise e violência, e sim para diálogos e negociações. Ao trazer essa proposta, o evento mira os conflitos bélicos que arrasam diversos países pelo mundo.

O exemplo mais atual disso é a guerra entre Israel e o Hamas, que já deixou milhares de pessoas mortas no Oriente Médio. Há ainda o conflito entre Rússia e Ucrânia que se arrasta há mais de dois anos.

Para colocar o conceito em prática, a próxima edição será dividida em três eixos. O primeiro deles defende a necessidade de desacelerar o ritmo frenético da vida contemporânea para contemplar a vida.

Essa seção é inspirada no poema “Da Calma e do Silêncio”, de Conceição Evaristo. Aliás, o título da Bienal é uma referência a um dos versos do poema. “Nem todo viandante anda estradas / há mundos submersos, / que só o silêncio da poesia penetra.”

“Esse poema me bateu como um trem”, diz o curador. “A ideia é pensar em estradas onde não podemos andar, nos becos em que a gente se encontra e nas vias violentas que somos forçadas a percorrer.”

O segundo eixo reflete sobre como percebemos a nossa identidade e a das outras pessoas. Ele foi inspirado pela poesia “Une Conscience en Fleur pour Autrui”, do poeta haitiano René Depestre.

Já a última seção usa o conceito de estuário para pensar sobre os encontros entre europeus, indígenas e escravizados de origem africana durante a colonização das Américas.

A partir desses encontros, marcados pela violência dos colonizadores, surgiu a miscelânea cultural que caracteriza os países latino-americanos.

A Bienal tomou como base o movimento Manguebeat para idealizar esse eixo. Surgido em Recife nos anos 1990, essa corrente musical misturava elementos tradicionais da cultura pernambucana, com o rock e o hip-hop.

De certa forma, o Manguebeat é uma ode aos diálogos culturais propostos pela próxima edição da Bienal.

MATHEUS ROCHA / Folhapress

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