Bolsa fecha em alta após abrir quase três horas atrasada; dólar avança

Na máxima do dia, a moeda norte-americana atingiu R$ 5,087

A Bolsa brasileira fechou em alta de 0,47%, aos 177.999 pontos, após abrir as negociações apenas por volta das 12h45 desta sexta-feira (31), quase três horas depois do horário previsto, em razão de problemas operacionais na B3.

O volume financeiro negociado na sessão foi de R$ 13,96 bilhões, uma queda de quase 40% em relação ao pregão anterior. Na quinta-feira (30), o Ibovespa encerrou em alta de 1,88%, aos 177.158 pontos, com volume de R$ 23,22 bilhões. As ações da B3 (B3SA3) fecharam em alta de 0,63% nesta sexta-feira, cotadas a R$ 15,73.

O dólar fechou em leve alta de 0,13%, cotado a 5,068 com os investidores ainda acompanhando a temporada de balanços corporativos e mantendo a atenção voltada à política monetária dos Estados Unidos, após o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) decidir, na última quarta-feira (29), manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%.

Na máxima do dia, a moeda norte-americana atingiu R$ 5,087. Já na mínima, recuou a R$ 5,061. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, fechou em queda de 0,04%.

A Bolsa deveria ter iniciado as negociações às 10h, horário regular de abertura do mercado. Segundo a B3, os ativos permaneceram em leilão até a normalização do sistema.

Em nota, a Bolsa diz que o atraso foi provocado por uma intercorrência operacional em um de seus componentes tecnológicos do ambiente de pós-negociação.

 

“Como medida preventiva e, alinhada com participantes do mercado, decidiu no início da manhã de hoje (31 de julho), postergar o início da negociação contínua em seus mercados. A medida teve como principal objetivo preservar a integridade das informações, a segurança dos processos de pós-negociação e o adequado funcionamento da infraestrutura de mercado.”

 

Jonathan Azevedo, coordenador de Trader da InvestSmart XP, afirma que um dos principais impactos do atraso foi a redução da liquidez. Segundo ele, com a diminuição da janela de negociação, investidores e gestores tiveram menos tempo para executar ordens e ajustar posições, afetando principalmente operações de curto prazo e estratégias automatizadas.

O especialista também destaca a maior volatilidade na reabertura do mercado, uma vez que indicadores econômicos e outras informações continuaram sendo divulgados enquanto a Bolsa permanecia fechada. Além disso, ele acrescenta que parte da formação de preços ocorreu no exterior, já que os ADRs (American Depositary Receipts, recibos negociáveis emitidos por bancos dos EUA que representam ações de empresas estrangeiras) de companhias brasileiras continuaram sendo negociados normalmente em Nova York.

Segundo Azevedo, o efeito direto sobre a receita da B3 tende a ser pequeno e restrito ao menor volume negociado durante a sessão. “O maior risco está na recorrência de falhas, que poderia elevar custos operacionais e afetar a percepção e a confiança dos participantes do mercado”, afirma.

Marcello Marin, contador e mestre em governança corporativa, diz que o aspecto mais sensível é a confiança dos investidores.

“Situações como essa levantam questionamentos sobre a credibilidade da tecnologia e da operação da Bolsa. Se for um episódio isolado, a tendência é que o mercado absorva o ocorrido e siga normalmente. No entanto, se falhas desse tipo se tornarem recorrentes, o impacto na confiança dos investidores pode ser muito maior.”

Entre os destaques do pregão desta sexta estiveram as ações do Santander (SANB11), que avançavam 13,34%, cotadas a R$ 28,62.

Na quinta-feira (30), o banco anunciou a intenção de lançar uma oferta pública para adquirir todas as ações em circulação de sua operação brasileira, que representam cerca de 10% do capital social do Santander Brasil.

O objetivo é adquirir a totalidade das ações ordinárias, preferenciais e ADSs (American Depositary Shares, ações listadas nos Estados Unidos) que ainda não pertencem ao Santander, controlador da operação brasileira. A proposta prevê uma oferta de permuta, na qual os acionistas do Santander Brasil receberiam novas ações emitidas pelo Santander global e listadas no Brasil.

Segundo Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, a alta dos papéis reflete o anúncio da oferta, uma vez que o prêmio previsto na operação é de aproximadamente 15%.

Em Wall Street, os principais índices operaram em alta, com os investidores repercutindo a temporada de balanços corporativos. O S&P 500 avançou 0,82%, o Dow Jones subiu 0,53% e o Nasdaq ganhou 1%.

Segundo Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, o desempenho dos mercados tem sido impulsionado principalmente pelos resultados corporativos, em especial das empresas de tecnologia.

O especialista destaca os balanços de Microsoft e Amazon, beneficiados principalmente pelo desempenho do segmento de computação em nuvem, diretamente ligado aos avanços da inteligência artificial. Para ele, o mercado voltou a demonstrar otimismo em relação ao potencial de crescimento dessas companhias.

Na avaliação de Yamashita, a temporada de resultados corporativos acabou deixando em segundo plano o conflito no Oriente Médio, embora as tensões na região continuem no radar dos investidores e sustentem a alta dos preços do petróleo. Às 17h12, o barril do Brent era negociado a US$ 88, com alta de 1,29%.

Na quinta-feira (30), após uma pausa de cinco dias, os Estados Unidos voltaram a bombardear diretamente o Irã. A ação foi uma retaliação ao ataque de Teerã contra forças norte-americanas na Jordânia, ocorrido na quarta-feira (29).

No Brasil, os investidores também acompanharam o cenário fiscal. A dívida bruta do país subiu mais do que o esperado em junho, enquanto o setor público consolidado registrou déficit primário acima das expectativas, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira.

A dívida pública bruta, como proporção do PIB (Produto Interno Bruto), fechou junho em 81,9%, ante 81% em maio. Já a dívida líquida do setor público passou de 67,9% para 68,5% do PIB.

Os investidores também acompanharam a queda de 0,77% do IPP (Índice de Preços ao Produtor) em junho, após recuo de 0,30% em maio, dado que trouxe algum alívio para a formação de preços na indústria.

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, ainda assim o debate sobre um corte de apenas 0,25 ponto percentual na Selic mostra que a desinflação, por si só, não elimina a necessidade de disciplina fiscal, especialmente diante da trajetória da dívida pública, da alta dos preços do petróleo e das incertezas eleitorais.

 

 

JÚLIA GALVÃO / Folhapress

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