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Brasil mantém 2º lugar em ranking de juros reais, e Argentina assume 1ª posição

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Brasil manteve a segunda posição no ranking mundial de juros reais, após o aumento de um ponto percentual na taxa básica de juros na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central nesta quarta-feira (29).

O juro real no Brasil está em 9,18% ao ano, valor inferior apenas ao da Argentina (9,36%), segundo ranking elaborado pelo Portal MoneYou.

O economista Jason Vieira, responsável pelo levantamento, afirma que o movimento mais impressionante foi o argentino, saindo em poucos meses de um posicionamento de juros reais negativos para a 1ª colocação no ranking, com uma combinação de projeções de inflação mais modestas para 2025 e taxas de juros mais atraentes para o mercado internacional.

Os dois países sul-americanos seguem distantes da taxa média entre as economias selecionadas, que é de 1,34% ao ano. Rússia (8,91%), México (5,52%) e Indonésia (5,13%) completam o ranking das cinco maiores taxas entre 40 países selecionados.

A taxa real é uma combinação da inflação projetada para os próximos 12 meses, de 5,5% considerando dados do relatório Focus do BC, e dos juros de mercado de 12 meses à frente -utilizando o contrato de Depósito Interbancário.

Houve aumento tanto dos juros como da inflação projetados em relação à última reunião do Copom.

O levantamento mostra que a maioria dos 40 países cortou ou manteve os juros recentemente. Os bancos centrais brasileiro e do Japão (que subiu a taxa de 0,25% para 0,50% ao ano) foram as exceções.

Em termos nominais, o Brasil se manteve na quarta colocação. Fica abaixo de Turquia (que cortou os juros de 50% para 45% ao ano), Argentina (que manteve a taxa em 32%) e Rússia (mantida em 21%). A média geral é de 6,7% ao ano.

China e EUA estão próximos no ranking, com taxas reais de 1,14% e 1,12%, respectivamente.

Entre essas 40 economias mais relevantes, 12 países possuem juro real negativo, entre eles, Japão (-1,32%) e Turquia (-6,0%).

GLOSSÁRIO

**Taxa básica de juros**

A taxa Selic é a referência para os demais juros da economia. Trata-se da taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia)

**Taxa real de juros**

Considera uma taxa nominal, a Selic, por exemplo, descontada a inflação

**Taxa real ex-ante**

Calculada olhando para a frente (taxa esperada), com base nas projeções para juros e inflação. É a mais relevante para a política monetária, pois influencia decisões futuras de investimento e consumo

**Taxa real ex-post**

Calculada olhando para trás (taxa verificada), com base nos juros e na inflação nos últimos 12 meses, por exemplo. Serve para avaliar um investimento já realizado

**Copom (Comitê de Política Monetária)**

Órgão do Banco Central, formado pelo seu presidente e diretores, que define, a cada 45 dias, a taxa básica de juros da economia, a Selic

**IPCA**

Indicador medido pelo IBGE que serve como meta de inflação. A meta é definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), órgão que tem a participação do BC, do ministro da Fazenda ou da Economia e de outros membros da equipe econômica

Redação / Folhapress

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