SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – No último fim de semana (14 e 15 de junho), São Paulo recebeu a final da 2º etapa do LTA Sul (League of Americas Sul), a final sul-americana do jogo eletrônico League of Legends (LoL).
A equipe brasileira Furia venceu a competição, garantindo sua vaga no Mid-Season Invitational (MSI), torneio que reúne todas as equipes vencedoras desta etapa pelo mundo.
League of Legends é um jogo de computador em que duas equipes competem para destruir a base adversária. Cada jogador escolhe um personagem com quatro habilidades. Além de coordenação de equipe, os jogadores precisam ter conhecimento dos mais de 160 personagens do jogo.
Neste ano, o LTA Sul passou por diversas mudanças. Anteriormente conhecido como CBLoL (Campeonato Brasileiro de League of Legends), a competição alterou a sua marca e formato, com a redução de times brasileiros e a adição de duas equipes do extinto LLA (Liga Latinoamérica), que contemplava todo o continente.
As mudanças foram criticadas pelos fãs, muito por conta do CBLoL ser uma liga tradicional dentro dos esports. Para Igor Correia, porta-voz da LTA Sul, o objetivo das alterações é a sobrevivência da cena competitiva.
“O LTA veio como uma evolução do modelo de negócio, buscando uma evolução competitiva para a região também, visando o futuro. Quando estamos falando de League of Legends esports, a Riot trabalha com um horizonte de até 20 anos”, disse o executivo.
A reportagem acompanhou as partidas da semifinal e da final do campeonato, que duraram cerca de três horas cada. Durante todo o tempo, as torcidas bradavam energicamente, pulando, gritando e cantando músicas dos times -o que, muitas vezes, até dificultava a escuta da narração da partida.
Para Correia, essa paixão é o que destaca o cenário brasileiro. “No Brasil, desde o começo cultivamos uma relação muito próxima com a nossa comunidade. Ela respira e vive intensamente tudo o que acontece na cena, querendo realmente ser parte daquilo”, diz ele.
Fã do time da Furia e membro da torcida organizada Dezorganizada Furiosa, Gabriel Ramos, 23, acompanha a equipe desde 2018 e chegou até a fazer uma tatuagem em homenagem ao time. “Carrego essa paixão na pele, e praticamente meu armário é tudo de Furia. Não tem como descrever. É como amor de mãe e filho, coisa de família mesmo”, afirma. “Os laços, as pessoas que a gente conhece… É inexplicável.”
Outro membro da Dezorganizada Furiosa, Leonardo Oshino, 23, acompanha os esports desde 2017, mas que conheceu a Furia só em 2022.
“Sempre fui um torcedor muito apaixonado. Quando conheci a Desorganizada, vi as baterias, o pessoal cantando todo mundo junto, me apaixonei na hora”, diz ele, ressaltando que sua paixão pela equipe vai além de apenas acompanhar as partidas. “Não é só vir aqui e torcer para um joguinho de computador. A gente roda o Brasil e temos até alguns membros embarcando para Austin, no Texas, para acompanhar a equipe do Counter Strike. Tudo isso demanda muito trabalho, não só físico como psicológico também.”
MATEUS MARTINEZ / Folhapress
