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Canecão, casa de shows do Rio fechada há 14 anos, entra em obras para reabertura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Começa este mês as obras para a reinauguração do Canecão, principal casa de shows do Rio de Janeiro fechada desde 2010. O local, que durante cinco décadas recebeu apresentações nacionais e internacionais, tem previsão de reabertura em 2026.

A obra prevê demolição total da estrutura que sobrou do Canecão e está estimada em R$ 170 milhões. O início da reforma é o desenlace de uma disputa judicial que terminou com o encerramento das atividades.

A disputa era entre a antiga administração do Canecão, e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), dona do terreno localizado em Botafogo, na zona sul da cidade. Em 1992, a UFRJ cedeu à administração do Canecão o uso do imóvel por cinco anos. A universidade tentou retomar o bem em 1997, mas não conseguiu e brigou durante 13 anos na Justiça.

Em 2010, a Justiça Federal decidiu que a universidade deveria assumir o terreno e o Canecão fechou. Tentativas frustradas de reabertura ocorreram na última década.

Em fevereiro de 2023, o consórcio formado pelas empresas Bônus Track, responsável por trazer o show da Madonna para o Rio, e Klefer venceram a WTorre na licitação que deu direito à administração do Canecão por 30 anos.

O projeto do novo Canecão prevê a abertura de um bosque de 5.000 m², área de livre circulação para frequentadores e moradores, antes e após os espetáculos. Estudantes da UFRJ e trabalhadores da região também poderão usufruir.

“Não será um espaço que abre às 19h e fecha às 23h. Ele será vivo e tem que funcionar de segunda-feira a domingo”, afirma André Torós, CEO da Bônus Klefer.

Durante décadas o Canecão foi a principal casa de shows do Rio de Janeiro, com apresentações marcantes como a de Maysa, em 1974, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho e Miúcha, em 1977. Elymar Santos, que em 1985 pagou do próprio bolso a locação da casa, se tornou um dos artistas que mais se apresentou naquele palco, ao lado de Roberto Carlos e Maria Bethânia.

Elymar era um cantor da noite do Rio de Janeiro e tinha o sonho de se apresentar no palco do Canecão, então reservado aos mais badalados artistas. Ele pagou um aluguel para uma série de apresentações e ofereceu, de mão em mão, os ingressos para os shows.

“Quando se fala em Canecão, tem que falar de Elymar. E quando se fala de Elymar, tem que falar de Canecão. Antes de estourar como música, estourei como história”, afirma.

Ele espera que a reabertura aconteça desta vez, após promessas não cumpridas. Em 2010, ele estava prestes a fazer um show comemorativo no Canecão quando houve o fechamento. O cantor é um dos personagens de um documentário em fase de finalização sobre a história do espaço.

A nova encarnação do Canecão não será como casa de shows, mas um espaço multiúso. A nova construção, de cinco pavimentos, terá salas de exposição, restaurantes e uma grande sala para shows, concertos e peças, com capacidade para até 6.000 pessoas. Nos últimos anos, a lotação máxima do Canecão era de 3.000.

“A história do Canecão é riquíssima, a casa é emblemática. Poderíamos adquirir um outro terreno menos desafiador, mas barato. Mas não teria esse peso do Canecão”, afirma Torós.

O edital prevê contrapartidas à UFRJ. No campus da Praia Vermelha o consórcio é obrigado a construir um centro acadêmico com 80 salas de aula e um refeitório com capacidade para até 2.500 pessoas. A universidade também terá datas para uso do Canecão.

Também está no projeto a recuperação do painel de Ziraldo, hoje em ruínas. A obra, conhecida entre os admiradores do cartunista como “Última Ceia”, tem seis metros de altura por 32 metros de largura, e foi feito no salão do Canecão quando este ainda era uma cervejaria. São animais, pessoas e personagens do próprio Ziraldo bebendo chope.

O painel foi danificado com a falta de manutenção e apenas fragmentos da obra permaneceram na parede. O mural do Ziraldo, segundo Torós, “é a única parede que vai ficar de pé”. O plano é restaurá-lo com ajuda da equipe da faculdade de Belas Artes da UFRJ e outros convidados da universidade.

YURI EIRAS / Folhapress

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