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China encerra exercícios militares que simularam cerco a Taiwan

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Exército de Libertação Popular (as Forças Armadas da China) concluiu os exercícios militares iniciados na quinta-feira (23) no entorno de Taiwan para simular um eventual bloqueio da ilha de governo autônomo, mas reivindicada como província chinesa por Pequim. O anúncio foi feito na noite desta sexta-feira (24) na emissora estatal CCTV.

O Ministério da Defesa de Taiwan disse ter detectado 62 aeronaves militares chinesas e 27 navios da marinha, incluindo 46 aviões que cruzaram a linha do Estreito de Taiwan, que servia como barreira não oficial entre os dois lados.

Caças Su-30 e J-16, além de bombardeiros H-6 com capacidade nuclear, estavam entre os aviões que sobrevoaram o estreito e o canal de Bashi, que separa Taiwan das Filipinas.

Ainda na sexta, o Exército chinês publicou um vídeo que mostra caminhões com lança-mísseis preparados para disparar, oficiais a bordo de navios de guerra com binóculos para observar as embarcações taiwanesas e soldados que proclamavam lealdade ao Partido Comunista.

No lançamento da missão, em postagens nas plataformas chinesas WeChat e Weibo, o porta-voz Li Xi descreveu as ações como “uma forte punição pelos atos separatistas das forças de ‘independência de Taiwan’ e um severo aviso contra interferências e provocações de forças externas”.

Ele se referia principalmente ao discurso de posse do novo presidente taiwanês, Lai Ching-te, na última segunda-feira (20). O líder afirmou que “a República da China [nome oficial de Taiwan] e a República Popular da China não são subordinadas uma à outra”, comentário que Pequim entendeu como uma declaração de que os dois territórios são países separados.

A China considera Taiwan uma de suas províncias, ainda não reunificada ao território desde o fim da guerra civil chinesa e a chegada dos comunistas ao poder na porção continental, em 1949.

O porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Wu Qian, afirmou que Lai “tem questionado seriamente o princípio de uma só China”, o que estaria direcionando Taiwan para “uma situação perigosa de guerra”. “Cada vez que ‘a independência de Taiwan’ nos provocar, nós vamos dar um passo a mais com nossas contramedidas, até conseguir a reunificação completa da pátria”, disse.

Neste sábado, Karen Kuo, porta-voz do gabinete presidencial de Taiwan, criticou os exercícios. “A recente provocação unilateral da China não apenas prejudica o status quo da paz e estabilidade no Estreito de Taiwan, mas também é uma provocação flagrante da ordem internacional, que suscitou uma preocupação séria e condenação por parte da comunidade internacional”, afirmou em comunicado.

O novo presidente taiwanês, como mostrou na última edição na newsletter “China, terra do meio”, da Folha, é conhecido pelos discursos anti-China, embora venha suavizando esta posição política desde que iniciou a campanha pela presidência no ano passado.

Os principais veículos de comunicação chineses, como a rede estatal CCTV, a agência de notícias Xinhua e o jornal Diário do Povo não noticiaram a cerimônia de posse.

Redação / Folhapress

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