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COB nega bronca, mas admite contato do COI sobre mensagem religiosa de Rayssa

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – Mostrando como o tema é tratado com cautela, só depois de certa relutância o Comitê Olímpico do Brasil (COB) admitiu ter sido contactado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a referência a Jesus em Libras, feita pela skatista Rayssa Leal, no último sábado (27), na prova em que conquistou o bronze nos Jogos de Paris.

O COI informou à reportagem, na terça-feira (30), ter procurado o COB para relembrar a diretriz que veda aos atletas manifestações de cunho religioso durante competições.

É improvável que Rayssa corra risco de sofrer algum tipo de punição. Em entrevista coletiva, na última terça-feira (30), Mark Adams, assessor de comunicação do COI, minimizou o caso como um “mal-entendido”.

Procurado pela reportagem, inicialmente o COB negou ter sido repreendido pelo COI. Minutos depois, negou ter havido “comunicação formal” do COI. Diante da insistência da reportagem, admitiu que ocorreu o contato do COI.

Segundo o COB, um representante do COI indagou se Rayssa Leal voltaria a competir nestes Jogos (não voltará). Trata-se de informação à qual a entidade internacional tem fácil acesso em seu próprio sistema.

A entidade brasileira não deu detalhes sobre quem do COI se comunicou com quem do COB, nem sobre o teor da comunicação. À Folha, o COI informou ter relembrado a Regra 50 da Carta Olímpica, que proíbe qualquer tipo de “manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial em quaisquer locais, sedes ou outras áreas olímpicas”.

Por não se tratar, segundo o COB, de comunicação em caráter oficial, o recado do COI não foi transmitido aos chefes de equipes.

A partir dessa regra, a Comissão de Atletas do COI emitiu diretrizes esclarecendo que tais manifestações são vedadas no campo de competição, na Vila Olímpica, no pódio e nas cerimônias de abertura e encerramento. Os atletas podem expressar livremente suas opiniões, porém, em entrevistas e em meios de comunicação “digitais ou tradicionais”.

Nas primeiras entrevistas após a medalha, Rayssa se referiu ao gesto despreocupadamente. Segundo reportagem do UOL, ela chegou a dizer: “Eu fiz porque faço em todas as competições. Para mim é importante, eu sou cristã, acredito muito em Deus. Fiz em língua de sinais, porque provavelmente o microfone não ia pegar a minha voz, então foi o meio que achei de comunicar com todo mundo. Eu acho isso muito importante.” E acrescentou: “Se eu peguei advertência, não tô sabendo ainda não”.

Desde que a polêmica começou, porém, o COB passou a blindar Rayssa. Um assessor da entidade a impediu de responder uma pergunta sobre o assunto, em entrevista coletiva no dia seguinte à medalha, na Casa Brasil, espaço de eventos montado pelo COB em Paris durante os Jogos.

Em live na Casa Brasil nesse mesmo dia, o apresentador Galvão Bueno perguntou a Rayssa: “Você conseguiria repetir o gesto que fez ali naquela hora? Você levou a mão à cabeça.” Galvão não esclareceu se fazia referência à mensagem em Libras captada pelas câmeras.

Rayssa respondeu a Galvão: “É porque, tipo, quando eu fico muito nervosa, minha bisa [bisavó], ela pede para eu falar assim: ‘Deus, vai na minha frente, me guie e me protege. E assim eu fiz, e eu tava meio nervosa.”

Em um ambiente polarizado, o incidente passou a ser explorado por políticos. Nesta quinta-feira (1), Jair Bolsonaro postou em sua conta oficial no Instagram uma foto de Rayssa ao lado de um texto em defesa da mensagem religiosa em Libras: “Os progressistas odeiam o Cristianismo”, diz o post do ex-presidente.

ANDRÉ FONTENELLE / Folhapress

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