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Colapso de mina da Braskem em Maceió indica acomodação de rochas e água; entenda

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O colapso da mina 18 da Braskem no domingo (10), em Maceió, não encerrou os efeitos do afundamento na lagoa Mundaú. Os impactos ambientais e os próximos movimentos —a estabilização ou o agravamento do problema— ainda estão sendo mensurados. Outros episódios, como a formação de um redemoinho em uma área da lagoa, geram dúvida sobre o que pode acontecer.

No domingo, a mina 18, uma das 35 para extração de sal-gema na região, colapsou. O efeito mais visível foi uma perturbação no espelho d’água. Parte do material transbordou, mas não foi possível verificar, ainda, a extensão do estrago.

Na superfície, foi estabelecida uma área de colapso, com raio de aproximadamente 234 metros. Essa distância tem três vezes o raio da mina, de 78 metros, segundo a Defesa Civil de Maceió. Outra área, de segurança tem cinco vezes o raio da mina.

O monitoramento da região continua. Nesta terça (12), uma nova movimentação de água foi registrada na lagoa. Segundo a Defesa Civil de Maceió, o redemoinho é normal, por causa da acomodação que ainda acontece após o colapso da mina.

De acordo com o pesquisador Emerson Soares, da Universidade Federal de Alagoas, o movimento acontece porque a água entra na cavidade da área colapsada. “O terreno da mina está se moldando, e o redemoinho está dentro do perímetro de segurança”, afirma.

O desabamento é propagado de baixo para cima desde a área a 1.200 metros de profundidade de onde a Braskem extraía o sal-gema, usado para a fabricação de soda cáustica e PVC (plástico usado na construção civil).

Reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que os poços para a exploração do sal atravessavam seis camadas de rochas não compactas. Ao longo dos anos, a retirada de sal —dissolvido por jatos de líquido— deixou grandes buracos.

Ainda eram apontados como riscos a proximidade de poços e a infiltração de água nas diferentes camadas de solo. O colapso acontece quando as rochas desmoronam e caem, preenchendo esses buracos. Assim, deixam um novo teto pelas rochas que caíram. Esse teto, por sua vez, tende a cair porque perde a sustentação abaixo.

Esse efeito se propaga de forma ascendente, com rochas e água caindo e fazendo esse buraco “subir”.

O que se viu na superfície da lagoa, então, não veio por um espaço vazio desde o fundo da mina. “Não se forma um buraco da área do sal até o topo”, diz Edilson Pizzato, professor do Departamento de Geologia Ambiental e Sedimentar do Instituto de Geociências da USP. “As rochas foram caindo, caindo, e a desestabilização chegou à parte de cima. Ainda é preciso ver o que é essa lama escura.”

Além disso, Pizzato aponta que os tubos dos poços usados para retirar o sal podem estar comprometidos pelo movimento de rochas quebrando e afundando no local. “Se estivesse tudo passando pelo tubo, já teria estabilizado.”

A movimentação após o colapso da mina 18 é o começo do que ainda pode acontecer a lagoa. “Não muda muito a situação geral da área. É mais um processo de deslocamento porque tem um monte dessas cavidades lá embaixo”, afirma Pizzato.

Ele diz que os materiais vão rachar, quebrar e se acomodar, num processo que pode levar anos, como tem sido monitorado. Segundo a Defesa Civil de Maceió, a área continua isolada, inclusive para pescadores.

LUCAS LACERDA / Folhapress

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