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Com apoio de atletas, La Porta derrota atual presidente e é eleito para comandar o COB

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) elegeu nesta quinta-feira (3), no Rio de Janeiro, Marco Antônio La Porta como o presidente que comandará a entidade durante o ciclo olímpico rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Com o robusto apoio de atletas e ex-atletas, que contestavam a candidatura de Paulo Wanderley, atual mandatário, La Porta venceu o apertado pleito com 30 dos 55 votos do colégio eleitoral. Yane Marques, medalhista de bronze em Londres 2012, é a vice da chapa vencedora.

“É motivo de muito orgulho ter a Yane do lado. É o que nos propusemos a fazer, um Comitê unido. Aproveitar o investimento de maneira assertiva. Vamos dar muita alegria ao esporte brasileiro, com foco na renovação”, afirmou La Porta.

Em meio a disputa pelo controle do COB no próximo quadriênio, a eleição realizada no Parque Aquático Maria Lenk, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, transcorreu em meio ao temor de uma batalha judicial devido ao questionamento de atletas e entidades ligadas ao esporte, como Pacto pelo Esporte e Atletas pelo Brasil, que alegavam irregularidades na candidatura de Wanderley por entender que o mesmo seria um terceiro mandato, o que contraria o Artigo-18 da Lei Pelé.

A regulamentação prevê que um dirigente permaneça por, no máximo, oito anos no cargo. Vice de Carlos Arthur Nuzman na eleição de 2016, ele assumiu o que considera mandato-tampão no ano seguinte após o afastamento do então mandatário após uma série de denúncias de corrupção.

“Eu acho que a Comissão de Atletas veio para essa eleição com muito comprometida, com muita união e muito responsável da decisão tomada. A candidatura da chapa da Yane Marques foi uma indicação nossa. Temos trabalhado para isso há muitos anos para a confirmação dessa vitória”, destacou Poliana Okimoto, maratonista aquática medalha de bronze nas Olimpíadas do Rio 2016.

Com uma intensa mobilização nos bastidores, até a madrugada que antecedeu a eleição, nomes de peso do esporte brasileiro, como a ex-jogadora de basquete Hortência, medalhista de prata nos Jogos de Atlanta 2016, a vitória de La Porta foi celebrada de maneira efusiva antes mesmo do término da contagem oficial.

“A política tem que ser séria e honesta. E, portanto, temos que seguir as regras. Quando percebemos que a Lei Pelé estava sendo mal interpretada por um lado, decidimos nos mobilizar. Não há nada pessoal contra o Paulo Wanderley, mas, se nós atletas, brigamos pela aprovação de uma lei, queremos que a mesma seja cumprida com integridade, alternância de poder. Salvamos a Lei Pelé, artigo 18-A”, pontuou Hortência.

Com a promessa de romper os limites territoriais do eixo Rio-São Paulo, a nova vice-presidente do COB promete um olhar especial para redutos esquecidos ou pouco vistos no país. Pernambucana natural do município de Afogados da Ingazeira, Yane Marques ganhou o mundo para fazer história no pentatlo moderno, modalidade que compreende provas de esgrima, natação, corrida, hipismo e tiros a laser. Com a caneta na mão, garante que o COB vai focar na formação da base para descobrir novos talentos.

“Vamos alimentar essa cadeia com muita vontade, com muito querer para captar novos talentos, sem deixar de massificar o trabalho nos já revelados. Teremos um olhar especial para cada modalidade, para federações pequenas e grande para desenvolver um grande trabalho”, afirmou Yane Marques.

MILITAR DA RESERVA E EX-VICE

La Porta, 57, foi vice-presidente de Wanderley nos últimos seis anos, e deixou o posto no início de 2024 para poder concorrer à eleição.

Militar da reserva, tem formação pela Escola de Educação Física do Exército, com pós-graduação em Treinamento Desportivo e mestrado em Ciência da Motricidade Humana.

Ele foi presidente da CBTri (Confederação Brasileira de Triathlon) entre abril de 2017 e maio de 2018, quando deixou a função para assumir a vice-presidência do COB.

Foi chefe de missão nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019 e nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

Em entrevista à Folha de S.Paulo no início de setembro, La Porta afirmou que tem como proposta trazer ao COB uma gestão mais colegiada, em que o comitê, ao lado das confederações e dos atletas, “possam, juntos, planejar o futuro do esporte.”

“A gente entende que o COB teve uma evolução muito grande na sua governança e os resultados evoluíram a partir de 2012. Agora em Paris, não digo que teve uma queda, mas deixou de evoluir. E é preciso retomar esse processo”, disse o então candidato.

Ele defendeu também uma redução gradual na dependência de recursos públicos, com atração de patrocínio corporativo para a sustentação da operação. “O COB é uma entidade privada e precisa ter mais empresas apoiando-o. Tivemos uma evolução muito grande no último ciclo, com o trabalho da nossa diretoria de marketing, e agora pretendemos ampliar esse trabalho.”

La Porta afirmou ainda que pretende reformular o papel do conselho de administração, de modo que o órgão tenha um papel mais ativo na gestão do esporte brasileiro. E que contratará a empresa de auditoria Deloitte para que seja realizada um mapeamento e posterior revisão dos processos internos, para que o repasse de recursos às confederações seja mais célere. “O esporte tem pressa.”

MARCELO BERTOLDO / Folhapress

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