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Com compra da Skechers, bilionários do 3G dobram aposta em mercado que fatura quase R$ 1 trilhão

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois do hambúrguer e das persianas, o 3G Capital decidiu apostar nos tênis. Nesta segunda (5), a empresa de private equity anunciou a compra da fabricante de calçados americana Skechers, voltada a modelos esportivos, por US$ 9,4 bilhões (R$ 53 bilhões). Trata-se de um mercado que movimenta US$ 168,6 bilhões (R$ 953 bilhões), tendo a China como maior consumidor global, em valor, segundo a consultoria Euromonitor.

A investida do 3G Capital, controlado pelos bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira –os mesmos principais acionistas da Americanas, entre outros negócios–, aponta para setores completamente distintos dos que estavam no radar do fundo.

O 3G controla a RBI (Restaurant Brands International), dona das redes de lanchonete americanas Burger King, Popeyes e Firehouse Subs, e da rede de cafeterias canadense Tim Hortons. A empresa tem vendas anuais da ordem de US$ 45 bilhões (R$ 254,3 bilhões), com 32 mil lojas em todo o mundo. O fundo enveredou pelo ramo dos restaurantes em 2010, com a aquisição do Burger King.

Em dezembro de 2021, o 3G adquiriu o controle da holandesa Hunter Douglas, que se apresenta como “líder mundial na fabricação de cortinas, persianas e toldos”. A empresa tem presença global, incluindo o Brasil.

No ano passado, o 3G vendeu sua participação na Kraft Heinz. O trio de bilionários (e não a 3G) continua como principais acionistas da Americanas, alvo de um escândalo contábil no início de 2023 e que continua em recuperação judicial.

Segundo comunicado divulgado pelo 3G e pela Skechers, a transação deve ser concluída até setembro deste ano. Embora seja a primeira vez que o 3G entra no negócio de tênis, o ramo não é novidade para dois dos principais sócios. Jorge Paulo Lemann e seu filho Marc, junto com Sicupira, são sócios da On Holding, grupo suíço que produz os tênis On Running –marca do tenista suíço Roger Federer que patrocina João Fonseca, o novo prodígio do tênis brasileiro.

De capital aberto, com valor de mercado de US$ 7,4 bilhões (R$ 41,7 bilhões) a Skechers vai continuar liderada pelo fundador, Robert Greenberg. Com a conclusão do acordo, porém, a fabricante se tornará uma empresa privada. Em 2024, registrou receita de US$ 9 bilhões (R$ 50,7 bilhões). O valor de US$ 9,4 bilhões da aquisição reflete um preço de US$ 63 (R$ 355) por ação (classes A e B).

“A Skechers é uma marca icônica, liderada por seu fundador, com um histórico de criatividade e inovação. Temos imensa admiração pelo negócio que esta equipe construiu e estamos ansiosos para apoiar o próximo capítulo da empresa”, disse a 3G no comunicado.

“Eu não me surpreenderia se esta iniciativa marcasse o início de uma consolidação de marcas esportivas pelo 3G”, diz o consultor André Pimentel, sócio da Performa Partners. “Eles já fizeram isso em outros setores e pode ser um caminho para enfrentar as líderes, Nike e Adidas.”

A Skechers tem se concentrado em segmentos menos chamativos do mercado de calçados esportivos, com estilos confortáveis a preços mais baixos que Nike e Adidas.

Fundada em 1992, a companhia começou na Califórnia como uma vendedora de botas, antes de incluir tênis para adultos e crianças no portfólio. Desde então, entrou em várias categorias esportivas, como corrida, golfe e futebol.

A guerra comercial do presidente americano, Donald Trump, impactou centros de fabricação como Vietnã e China, onde a Skechers produz uma parte significativa de seus calçados. A empresa agora está ajustando preços e trabalhando com fornecedores para mitigar custos.

“O Vietnã é o maior fabricante global de calçados”, diz a analista da Lafis Consultoria, Thais Virga. Já o Brasil é o maior fabricante fora da Ásia. “Há quem aposte que a guerra tarifária entre EUA e China possa favorecer o Brasil, com o aumento das exportações locais.”

A Skechers está presente no Brasil, com produtos importados. Mas não tem uma participação relevante, diz Thais. Por aqui, marcas como Olympikus e Mizuno, da Vulcabras, estão entre as mais vendidas, mas o mercado nacional é muito pulverizado e alvo de pirataria de marcas famosas.

No Brasil, de acordo com a Euromonitor, o mercado de tênis movimentou R$ 19,1 bilhões em 2024, um crescimento de 15% sobre o ano anterior. Para este ano, a previsão é de vendas de R$ 21,6 bilhões em calçados esportivos.

O mercado brasileiro de tênis, por sinal, cresce em um ritmo mais acelerado do que o global. Entre 2019 e 2024, as vendas aumentaram 36%. No mundo, a alta foi de 20%. Em valor, porém, o Brasil está no 11º lugar do ranking, segundo a consultoria.

RAIO X – 3G CAPITAL

Fundação: 2004

Sede: Nova York (EUA)

Direção: Alex Behring e Daniel Schwartz

Funcionários: 84

Empresas controladas: Burger King/Restaurant Brands International (RBI), Hunter Douglas e Skechers

DANIELE MADUREIRA / Folhapress

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