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Com novo leilão do BC, dólar tem queda firme em pregão pós-Natal

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após a pausa do Natal, o dólar abriu a quinta-feira (26) em queda e firmou o movimento de baixa após uma nova intervenção do BC (Banco Central) no mercado de câmbio.

Às 13h16, a moeda norte-americana caía 0,38%, a R$ 6,160. No mesmo horário, a Bolsa tinha variação positiva de 0,55%, aos 121.437 pontos.

A autoridade monetária vendeu ao mercado US$ 3 bilhões em leilão à vista realizado no começo da sessão. Foram aceitas nove propostas entre 9h15 e 9h20. Inicialmente, a ação havia levado o dólar a rondar a estabilidade.

O BC também realizou um novo leilão de 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 3 de fevereiro de 2025.

Os investidores estavam de olho no exterior, onde os rendimentos dos Treasuries e a moeda norte-americana sustentam ganhos, numa sessão de liquidez reduzida.

Com a nova intervenção realizada nesta manhã, subiu para US$ 30,77 bilhões o total de leilões realizados desde que a instituição passou a injetar dólares no mercado de câmbio há duas semanas.

Esta conta inclui tanto as operações à vista quanto os leilões de linha —venda de dólares com compromisso de recompra.

As operações do BC buscam atender à demanda por dólares por parte de empresas e fundos, para remessas ao exterior —algo comum nos finais de ano.

A autoridade também realizou swaps cambiais no fim da manhã. Foram ofertados 15 mil contratos de swaps para prazos distintos (88 e 273 dias).

A operação visa fornecer proteção cambial e impactar o mercado de dólar e juros futuros, buscando estabilidade no mercado financeiro.

A diferença nas taxas reflete o prazo e as condições de mercado esperadas para cada vencimento.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries avançavam, em meio à percepção, trazida por dados econômicos recentes, de que o ciclo de cortes de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano) pode ser menor que o anteriormente projetado.

O dólar, no entanto, tinha sinais mistos: ele sustentava leves ganhos ante as moedas fortes, mas cedia ante divisas como o peso chileno, o peso mexicano e o peso colombiano.

Após duas sessões consecutivas de queda, o dólar encerrou o pregão da segunda (23) com disparada de 1,86%, a R$ 6,184. A situação refletiu a frustração dos agentes financeiros com as contas públicas após a aprovação do pacote de corte de gastos no Congresso Nacional, segundo analistas.

Esse foi o segundo maior valor nominal já registrado da moeda norte-americana, ficando atrás apenas do recorde alcançado em 18 de dezembro, quando fechou o dia a R$ 6,267.

Na segunda, a Bolsa encerrou em queda de 1,09%, aos 120.766 pontos.

Internamente, as preocupações dos investidores seguiram voltadas para a área fiscal do governo, ainda que na sexta-feira o Senado tenha concluído a votação do pacote de medidas para segurar os gastos públicos. Com o Congresso em recesso até fevereiro, Brasília também vai diminuindo o ritmo neste fim de ano.

A equipe da XP estimou que, após tramitação do pacote no Congresso, o potencial de economia fiscal no próximo biênio recuou de R$ 52 bilhões para R$ 44 bilhões. Os cálculos do governo apontavam para cerca de R$ 70 bilhões.

“Apesar da direção correta, vemos esse ganho como insuficiente para garantir o atingimento das metas de resultado primário e, principalmente, a manutenção do limite de despesas do arcabouço fiscal nos próximos anos”, afirmaram em relatório publicado mais cedo nesta segunda-feira.

“A frustração em torno do anúncio do pacote de controle de gastos contribuiu sobremaneira para a elevação da incerteza”, afirmou a equipe do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval, chefiado pelo economista Rafael Cardoso, em relatório com revisão de estimativas macroeconômicas.

No radar dos investidores também esteve o Boletim Focus, divulgado nesta segunda. Analistas consultados pelo Banco Central elevaram pela sexta semana seguida a projeção para a taxa básica de juros no final de 2025 e passaram a ver a Selic a 14,75%.

A projeção do mercado para a alta do IPCA em 2024 passou de 4,89% para 4,91% e em 2025 foi de 4,60% para 4,84% —em ambos os casos bem acima da meta contínua de inflação perseguida pelo BC, de 3%.

O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O cenário para o câmbio também revela pressão, com projeção de dólar a R$ 6,00 no fim deste ano e a R$ 5,90 no encerramento do próximo.

No exterior, investidores ainda digerem a mais recente série de reuniões de bancos centrais. Na semana passada o Federal Reserve surpreendeu os mercados ao projetar um ritmo moderado de cortes na taxa de juros, fazendo com que os rendimentos dos Treasuries e o dólar subissem. Esta perspectiva seguiu permeando os negócios nesta segunda-feira, com o dólar e os rendimentos em alta.

A sessão do dia também era impactada pelos dados de confiança do consumidor americano, que enfraqueceu em dezembro, à medida que a euforia pós-eleição presidencial diminuiu e surgiram preocupações sobre as condições futuras dos negócios.

O Conference Board informou nesta segunda-feira que seu índice de confiança do consumidor caiu para 104,7 neste mês, de 112,8 revisados para cima em novembro. Economistas pesquisados pela Reuters previam que o índice subiria para 113,3, a partir dos 111,7 relatados anteriormente.

“As visões dos consumidores sobre as condições atuais do mercado de trabalho continuaram a melhorar, consistentes com os dados recentes de empregos e desemprego, mas sua avaliação das condições de negócios enfraqueceu”, disse Dana Peterson, economista-chefe do Conference Board.

Após dois dias de queda firme, as taxas dos contratos de DI (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a segunda-feira em forte alta, acima de 40 pontos-base em alguns vencimentos, em meio à desconfiança persistente do mercado com a política fiscal do governo Lula e ao avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior.

Como o mercado no Brasil esteve fechado na terça e na quarta-feira em função do Natal, a liquidez também foi afetada nesta segunda, marcada ainda pelo avanço do dólar.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 15,215%, ante 14,903% do ajuste anterior. Já a taxa do contrato para janeiro de 2027 marcava 15,44%, em alta de 45 pontos-base ante o ajuste de 14,992%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,63%, ante 14,244% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,38%, em alta de 37 pontos-base ante 14,013%.

“(Há uma) abertura generalizada da curva de juros, (porque) ainda paira muito no mercado a preocupação em relação ao cenário fiscal”, avaliou Henrique Cavalcante, analista da Empiricus, acrescentando que o cenário externo também ajudava a sustentar o avanço dos prêmios no Brasil.

Os preços do petróleo caíram com preocupações diante de excedente e força do dólar. Um dólar mais forte torna o petróleo mais caro para os detentores de outras moedas.

Os preços futuros do petróleo Brent caíram 0,43%, a US$ 72,63 por barril. Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos caíram 0,32%, a US$ 69,24 por barril.

Redação / Folhapress

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