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Como aposentado da USP, ganho menos que policial em SP, diz Lewandowski

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira (29) que sua aposentadoria como professor da USP (Universidade de São Paulo) é inferior ao salário recebido por policiais em São Paulo.

A declaração foi feita durante audiência na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados —a primeira com sua participação desde que passou a ser presidida pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP).

A declaração foi uma resposta a críticas de um parlamentar, que afirmou que, em muitos casos, os gastos com câmeras corporais superam os salários dos policiais e os investimentos em saúde mental.

Na ocasião, Lewandowski disse que o governo federal não é responsável pelo custeio das polícias estaduais e destacou a relevância das câmeras corporais como ferramenta de proteção tanto para os agentes quanto para a população.

“Eu sou professor da USP há 45 anos, professor titular, chefiei departamentos, estou aposentado hoje. Eu ganho menos que um policial no meu estado, que é o estado de SP. Lamentavelmente é uma distorção, polícia e professor são mal remunerados, precisamos estabelecer pisos, tetos de remuneração”, disse.

Segundo dados do Portal da Transparência da USP, o ministro recebe R$ 17.116,33 brutos como aposentado, com rendimento líquido de R$ 12.276,21.

Segundo o estudo Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na Polícia Militar de São Paulo, a média geral das remunerações brutas é de R$ 7.951,98, com valor líquido médio de R$ 5.356,67.

O menor salário médio bruto entre os cargos é o dos aspirantes a oficial e alunos, com R$ 5.056,99, enquanto o maior é o de coronel, que recebe em média R$ 28.531,64 brutos. Na remuneração líquida, os valores variam de R$ 3.781,59 (aspirantes e alunos) a R$ 20.366,27 (coronel).

Em nota enviada após a publicação, o Ministério da Justiça afirma que Lewandowski comparava o final da carreira de professor e o final da carreira de um policial no estado de São Paulo. “O ministro falava no contexto da aposentadoria dos dois profissionais”, diz o texto. Segundo a pasta, o ministro não comparava os seus rendimentos totais com o salário base de um policial em início de carreira em São Paulo.

“O ministro reforçou, inclusive, a necessidade de melhora na remuneração dos policiais no país”, diz a nota

Além da aposentadoria como professor da USP, Lewandowski recebe pelo cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública R$ 46.366,19 brutos, sendo R$ 33.886,44 líquidos.

Na ocasião, o ministro também falou sobre as fraudes do INSS. Ele disse que os responsáveis não ficarão impunes e prometeu que a pasta irá “às últimas consequências” para responsabilizar os envolvidos.

Durante a audiência, Lewandowski também foi questionado por parlamentares sobre a contratação do escritório de advocacia Henrique Lewandowski, que pertence ao seu filho, por uma das entidades investigadas pela Polícia Federal no esquema de fraudes no INSS.

O Cebap (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas) firmou contrato com o escritório em dezembro do ano passado, segundo revelou o site Metrópoles.

Em resposta, o ministro afirmou que diversos escritórios foram contratados por empresas com o objetivo de regularizar questões administrativas, o que, segundo ele, é uma prática legal.

Durante a participação do ministro, uma confusão teve início durante a fala do deputado Gilvan da Federal (PL-ES), que questionou o ministro se ele não se sentia constrangido por integrar o governo do presidente Lula (PT), a quem se referiu como “descondenado”.

O parlamentar também acusou o governo de “importar corruptos”, em referência à ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia.

A declaração provocou reação imediata do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que apresentou questão de ordem, citando o regimento da Câmara, que proíbe ofensas a autoridades convidadas. Lindbergh ainda chamou Gilvan de “desqualificado”.

Em seguida, o presidente da comissão, deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), pediu a presença da polícia legislativa e acusou os parlamentares de esquerda de tentarem causar tumulto na sessão.

*

VEJA MÉDIA DOS SALÁRIOS DAS POLÍCIAS DE SP

Soldado

– Remuneração bruta – R$ 6.362,28

– Remuneração líquida – R$ 4.551,33

Cabo

– Remuneração bruta – R$ 7.641,05

– Remuneração líquida – R$ 5.026,47

Sargento

– Remuneração bruta – R$ 8.959,84

– Remuneração líquida – R$ 5.925,06

Subtenente

– Remuneração bruta – R$ 10.956,16

– Remuneração líquida – R$ 6.979,44

Tenente

– Remuneração bruta – R$ 14.037,04

– Remuneração líquida – R$ 9.440,00

Capitão

– Remuneração bruta – R$ 17.515,96

– Remuneração líquida – R$ 11.222,36

Major

– Remuneração bruta – R$ 21.559,04

– Remuneração líquida – R$ 12.859,74

Tenente coronel

– Remuneração bruta – R$ 26.505,60

– Remuneração líquida – R$ 16.270,05

Coronel

– Remuneração bruta – R$ 28.531,64

– Remuneração líquida – R$ 20.366,27

Aspirantes a oficial e Alunos

– Remuneração bruta – R$ 5.056,99

– Remuneração líquida – R$ 3.781,59

Total

– Remuneração bruta (média) R$ 7.951,98

– Remuneração líquida (média) R$ 5.356,67

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

RAQUEL LOPES / Folhapress

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