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Conselho suspende votação do impeachment de Augusto Melo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Conselheiros do Corinthians se reuniram nesta segunda-feira (20) no Parque São Jorge para decidir o futuro do presidente Augusto Melo, mas a votação que definiria o processo de impeachment do cartola foi novamente suspensa.

Já se aproximava das 23h30, quase cinco horas e meia após a primeira chamada, quando o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, decidiu adiar a votação em meio a bate bocas e confusões no ginásio em que ocorria a assembleia. A decisão foi tomada justamente pelo avançar da noite, uma vez que muitos conselheiros, sobretudo os mais velhos, já tinham deixado o local.

Antes, eles fizeram uma votação prévia, sobre a admissibilidade do mérito da questão. Foram 126 votos favoráveis à continuidade do processo de afastamento de Augusto Melo, contra 114 desfavoráveis.

A diferença pequena, de apenas 12 votos, indica que o mandatário terá dificuldade para manter seu cargo em um primeiro momento já que é necessário maioria simples para o seu afastamento.

Uma nova votação será marcada pelo presidente do Conselho, possivelmente para a próxima segunda-feira (27). Se Augusto for sofrer uma nova derrota, Tuma terá cinco dias para marcar a assembleia dos sócios, que ocorrerá, a partir da marcação, em um prazo de 30 a 60 dias.

Caso os sócios rejeitem o impeachment, Augusto voltará ao cargo. Se a destituição for aprovada, o Conselho Deliberativo será convocado para eleger um novo presidente até o que seria o fim do mandato de Melo, em dezembro de 2026 —podem concorrer e votar no pleito para o mandato-tampão apenas os membros do órgão.

A possibilidade de perder seu cargo e ver um novo presidente ser eleito pelo Conselho Deliberativo fez com que Augusto Melo passasse a chamar o processo de “golpe”. Ao deixar o Parque São Jorge após a reunião desta segunda, ele chamou Tuma de “ditador”.

“O que prejudica [o Corinthians] é um presidente do Conselho igual ao Romeu Tuma, um cara completamente parcial que está trabalhando para eles, advogando em causa própria. Um cara que não deixou a gente se defender, um ditador. Está na hora disso acabar”, criticou Augusto Melo.

Tuma assumiu o cargo com o apoio do atual presidente do Corinthians, mas os dois acabaram rompendo a aliança. “Esse cara não tem mais condições, não tem moral nenhuma para presidir o Conselho. Temos que fazer algo, esse cara não tem mais condições. Meus advogados vão cuidar disso”, acrescentou Melo.

A reunião desta segunda-feira estava inicialmente marcada para 2 de novembro, porém Augusto Melo conseguiu uma liminar para suspender a reunião quando os conselheiros já estavam no Parque São Jorge —o Conselho do clube é formado por 301 conselheiros, 200 trienais e 101 vitalícios.

A liminar acabou derrubada pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), no dia 12 de dezembro. Coube ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, marcar a nova votação.

O pedido de afastamento de Augusto Melo tem como base as supostas irregularidades no contrato de patrocínio com a casa de apostas esportivas VaideBet. Uma investigação da Polícia Civil, ainda sem conclusão, apura a suspeita de que o intermediário da negociação seria um laranja —o clube se diz vítima.

A denúncia é referente ao pagamento de R$ 25,2 milhões, como comissão de intermediação pelo acordo com a VaideBet, à Rede Social Media Design, que pertence a Alex Fernando André, o Alex Cassundé, que atuou na campanha de Augusto. Essa empresa repassou parte da comissão para a Neoway Soluções Integradas em Serviço, registrada em nome de Edna Oliveira dos Santos, uma mulher que mora em residência humilde em Peruíbe e nem sabia da existência da empresa.

Em junho, o site de apostas anunciou a rescisão unilateral do acordo, por ver sua imagem desgastada com o caso. À época, em nota, o Corinthians afirmou que “todas as negociações, incluindo patrocínios, se deram de forma legal com empresas regularmente constituídas”. “O clube destaca que não guarda responsabilidade sobre eventuais repasses de valores a terceiros”, dizia o texto.

“O Corinthians é vítima”, afirmou Augusto, em julho de 2024, em entrevista à reportagem. “Desde o começo, eu sempre me coloquei à disposição. Como presidente, o que eu quero é esclarecer o mais rápido possível, mesmo porque o Corinthians é vítima. A partir do momento em que você tem um intermediário que faça alguma coisa, dali para fora o que ele faz é problema dele.”

O caso provocou uma debandada da diretoria formada por Augusto. Ao todo, foram 11 baixas. Entre as saídas que causaram maior desgaste para o mandatário está a de Rubens Gomes, articulador da campanha do presidente que virou diretor de futebol e agora é um de seus maiores adversários políticos.

Com sua base política fragilizada, Augusto encontrou apoio em boa parte da torcida do Corinthians, sobretudo entre as organizadas. A Gaviões da Fiel, principal uniformizada do clube, é contrária neste momento ao afastamento do cartola.

Assim como ocorreu em 2 de novembro de 2024, os torcedores convocaram um grande manifestação para esta segunda em frente ao Parque São Jorge. Isso levou o presidente do Conselho a solicitar um forte aparato policial para garantir a segurança na sede do clube.

Mesmo com o forte policiamento, houve confusão na saída dos conselheiros do Parque São Jorge.

Embora se baseie em uma situação jurídica, o processo de afastamento do presidente do Corinthians é essencialmente político. De acordo com o estatuto do clube, são motivos para a destituição do presidente:

– a) ter praticado crime infamante, com trânsito em julgado da sentença condenatória;

– b) ter acarretado, por ação ou omissão, prejuízo considerável ao patrimônio ou à imagem do Corinthians;

– c) não terem sido aprovadas as contas da sua gestão;

– d) ter infringido, por ação ou omissão, expressa norma estatutária;

– e) prática de ato de gestão irregular ou temerária.

Os autores do processo de impeachment, protocolado por um grupo de 90 conselheiros, afirmam que, devido à “omissão do dirigente, a imagem da instituição foi arremessada em um lamaçal de notícias degradantes”.

O Conselho de Ética recomendou a suspensão do processo. Isso não impediu os conselheiros de votar pelo afastamento.

LUCIANO TRINDADE / Folhapress

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