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Daniel Vorcaro, do Master, fecha negociação para vender ativos de R$ 1,5 bilhão ao BTG

BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, fechou uma negociação com o BTG Pactual, de André Esteves, para a venda de ativos no valor de cerca de R$ 1,5 bilhão.

Em comunicado ao mercado nesta terça-feira (27), o BTG afirma que o negócio inclui ações de empresas como Light (15,17% do capital social) e Méliuz (8,12% do capital social), por meio da cessão de cotas de fundos de investimento.

A negociação também envolve precatórios e imóveis como o prédio do Hotel Fasano, em São Paulo, segundo a reportagem apurou.

“A operação foi acompanhada e anuída pelo Banco Central do Brasil e pelo Fundo Garantidor de Créditos -FGC, tendo o controlador do Master [Vorcaro] o compromisso de disponibilizar os recursos para o Master”, afirma no comunicado Renato Hermann Cohn, diretor de relações com investidores do BTG.

No comunicado, o banco de Esteves afirma que o pacote de aquisições inclui também outras ações listadas em percentuais inferiores a 5%. Todas as ações adquiridas não alteram o controle ou a governança das empresas investidas e estariam alinhadas à estratégia de investimentos e geração de valor para o BTG e seus acionistas.

O BTG também diz que a operação não envolve qualquer participação societária no Master ou em empresas relacionada ao conglomerado de Vorcaro.

A operação ainda será revista pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

NEGOCIAÇÃO EXTENSA

Há duas semanas, Renato Cohn, diretor financeiro do BTG, disse em conversa com jornalistas que o BTG não tinha interesse em “ativos específicos ou em negócios do Banco Master”. Ele, no entanto, já deixava pistas de que o banco poderia analisar a compra de “ativos disponíveis para venda”

O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, anunciou em março a aquisição de fatia do Master, em uma transação que excluiu alguns ativos.

Além das ações e imóveis que pertenciam ao dono do Master e que foram vendidas ao BTG, estão no radar do mercado papéis considerados de menor qualidade e que não seria absorvida na aquisição pelo BRB.

As conversas entre as principais instituições financeiras do país sobre o futuro do Banco Master têm sido permeadas pela divergência a respeito de qual deve ser a solução para o caso.

A operação dessa terça era vista como uma etapa a mais nessa negociação que envolve o BRB e os demais ativos de Vorcaro.

A holding J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, chegou a analisar a compra de ativos do banqueiro da Faria Lima.

INVESTIGAÇÃO NA CVM

Também nesta terça (27), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) avaliou as propostas de acordo apresentadas em um processo que Vorcaro e outras pessoas enfrentam na autarquia sobre supostas irregularidades em um fundo de investimento imobiliário fechado, chamado Brazil Realty.

O tema entrou na pauta da reunião do colegiado da CVM nesta semana, mas o diretor João Accioly solicitou vista do processo. Antes, o presidente do órgão, João Pedro Nascimento, e a diretora Marina Copola votaram pela rejeição de novas propostas apresentadas.

De acordo com relatórios da CVM sobre o processo, que foi aberto em 2020, as falhas na emissão de cotas do fundo “a princípio, poderiam ser tratadas como falta de diligência dos envolvidos, entretanto, com o aprofundamento das investigações, verificou-se a natureza fraudulenta, em tese, das operações”.

Um dos imóveis envolvidos teria sido sobreavaliado em R$ 56 milhões em laudo considerado irregular, supostamente pago com R$ 5.000 em espécie.

Entre os acusados estão Daniel Vorcaro, como responsável pelo antigo Máxima, que comprou cotas do fundo, e seu pai Henrique, como responsável pela Milo, que também investiu no Brazil Realty.

Ainda conforme o processo, as cotas foram revendidas no mercado secundário e alguns dos compradores eram fundos que tinham Regimes de Previdência Social como cotistas, “que, em última linha, absorveriam os prejuízos”.

Procurado nesta terça pela Folha para comentar sobre o caso, Vorcaro não se manifestou. Em reportagem publicada no ano passado, o banqueiro negou qualquer irregularidade, afirmou que é natural que instituições financeiras tenham processos na CVM e que seus familiares, como cotistas, não tinham responsabilidade fiduciária sobre o Brazil Realty.

ADRIANA FERNANDES, DIEGO FELIX E JOANA CUNHA / Folhapress

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