SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma decisão do governo sobre o biodiesel pode não ser tão lógica quanto parece, um nome da tecnologia que é melhor você guardar e outros destaques do mercado nesta quinta-feira (20).
**DO CAMPO, PARA O CAMINHÃO, PARA A PRATELEIRA DO SUPERMERCADO**
O governo interrompeu o ciclo de aumento do biodiesel na mistura do diesel, pensando em segurar os preços do óleo de soja.
Não entendeu nada? Explicamos aqui.
MISTURA OBRIGATÓRIA
O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) tem um plano para aumentar, aos poucos, a quantidade de biodiesel presente no diesel que abastece os caminhões nos postos deixando o combustível cada vez menos poluente.
Hoje, a proporção é de 14%, mas deveria ser de 15%. Com a interrupção do governo, a quantidade de biodiesel fica igual até a segunda ordem.
POR QUE?
Um dos ingredientes do biodiesel é o óleo de soja. Ao aumentar a proporção do biocombustível, mais óleo de soja seria destinado à produção dele e menos iria para as prateleiras dos supermercados. Menos oferta + mesma demanda = preço maior. Copiou?
Com a inflação dos alimentos já causando burburinho, o governo Lula quis evitar que o preço do óleo de soja, ingrediente básico, aumentasse mais. O combustível também ficaria R$ 0,01 mais caro nas bombas.
No ano passado, o preço do óleo de soja já subiu bastante com safra menor que a esperada.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse a jornalistas na terça-feira que a decisão pode ser reavaliada em 60 dias ou mais.
Mas há quem discorde. O colunista da Folha de S.Paulo Mauro Zafalon argumenta que a pressão maior sobre o óleo de soja passou.
A produção mundial vai atingir o recorde de 424 milhões de toneladas nesta safra, com crescimento de 12% sobre a de há dois anos.
A projeção de esmagamento de soja processo que dá origem ao óleo no Brasil é de 57,9 milhões de toneladas, um volume previsto ainda com o percentual de mistura de 15% de biodiesel.
Ou seja, a quantidade maior de soja e óleo disponível deve reduzir os preços, não sendo necessário parar o programa do CNPE.
Ainda, a porção de soja utilizada na produção de biodiesel não está sendo tirada do consumidor, mas movimentando um setor extra da economia o que significa que não aumentar a produção de biodiesel não vai fazer tanta diferença assim.
PELA CULATRA
Esmagar menos soja vai gerar menos farelo, que é bastante usado para fazer ração de animais. Isso pode gerar mais pressão no preço da carne, que já é alvo de queixas, e impactar a inflação.
**MIRA MURATI, UM NOME QUE PRECISA ESTAR NO SEU RADAR**
A ex-diretora de tecnologia da OpenAI, empresa de tecnologia comandada por Sam Altman e dona do ChatGPT, lançou uma startup que pode disputar espaço entre as grandes da inteligência artificial.
Mira Murati, engenheira mecânica, juntou-se a outros cabeças do setor para criar o Thinking Machines Lab (Laboratório de Máquinas Pensantes, em tradução literal).
POR QUE FICAR DE OLHO?
Murati encabeçou a pesquisa da OpenAI, trabalhou na Tesla e em uma outra startup, a Magic Leap.
O currículo da própria impressiona, mas ela arrastou outros chefões da casa antiga consigo.
O cofundador John Schulman, o ex-chefe de projetos especiais Jonathan Lachman e o ex-vice-presidente Barret Zoph.
Também trouxe profissionais da concorrência. Google, Meta, Mistral e CharacterAI perderam funcionários para o novo projeto.
A IDEIA
O laboratório segue, ao menos na cartilha, a ideia da criadora do ChapGPT.
A OpenAI não é uma empresa, na verdade. É uma organização sem fins lucrativos que nasceu para ser um centro de pesquisa em inteligência artificial. Quem comanda o ChatGPT é uma empresa subsidiária da instituição.
A natureza da coisa é o cerne da divisão entre os executivos. Mira Murati e outros ex-membros acreditam que Sam Altman está transformando a organização em uma geradora de lucros, apenas.
Os fundadores idealizavam uma reunião de profissionais que estudassem as possibilidades da IA e difundissem a tecnologia.
A promessa do novo laboratório é pesquisar IA para a vida real e compartilhar a descoberta postando códigos e artigos em seu site para que programadores de outros lugares possam acessar os achados.
O RACHA
Em novembro de 2023, o conselho de administração da OpenAI expulsou Sam Altman da cadeira de CEO e colocou Murati no lugar, como CEO interina.
A justificativa para a rebelião foi a falta de transparência do cofundador, segundo os executivos, que teriam perdido a confiança no trabalho dele.
Por pressão de funcionários e investidores, o golpe foi revertido e Altman voltou ao posto.
**DORMINDO COM UM OLHO ABERTO**
Há um personagem não óbvio se beneficiando da chegada de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos: as bolsas de valores asiáticas.
COMO ASSIM?
O presidente americano é bastante ativo nas redes sociais, e nem sempre suas falas mais polêmicas são postadas durante o dia no Ocidente, quando as negociações estão abertas nos Estados Unidos e na Europa.
Quando o líder fala algo polêmico à noite, investidores buscam pregões abertos para movimentar seus ativos. Eles encontraram isso nas bolsas asiáticas, que funcionam no fuso contrário.
Está criando muita demanda e liquidez no mercado. De repente, há operadores de Londres logando às 1h da manhã para negociar na Ásia, disse Beng Hong Lee, da SGX, a bolsa de valores de Singapura.
O par de moedas dólar americano e renminbi chinês (USD/CNH) foi o segundo contrato futuro mais negociado nos últimos meses, atrás só do par dólar americano e euro.
Alguns exemplos de ameaças noturnas. No primeiro domingo na Casa Branca, Trump disse tarde da noite que iria impor tarifas à Colômbia por bloquear voos de deportação dos EUA para o país.
Foi também à noite que ele apresentou os planos para as tarifas contra Canadá, México e China. A mesma coisa com as taxas na importação de aço e alumínio.
Esses são anúncios que fazem preço no mercado ou seja, impactantes o suficiente para mudar o patamar de valor dos papéis de empresas.
É por isso que os investidores correm para responder o mais rápido possível. Temem que, quando o mercado americano abrir, será tarde demais.
TIC TAC
Dá para negociar o câmbio 24 horas por dia. Isso acontece porque os horários dos pregões de Sydney, Tóquio, Londres e Nova York são complementares.
Analistas do Bank of America alertaram clientes nesta semana que a incerteza nos EUA continuaria a pesar nas moedas asiáticas.
Os volumes médios diários para a maioria das principais moedas de câmbio aumentaram significativamente depois da posse, disse Nathan Swami, chefe de negociação de câmbio no Citigroup.
**A MÁQUINA QUE PODE (QUASE) TUDO**
O computador quântico é descrito por alguns como um tipo de Santo Graal para a tecnologia capaz de processar e fazer cálculos que nós, meros mortais, não somos capazes de imaginar.
A Microsoft diz estar um passinho à frente na corrida para inventá-lo: afirmou aproveitar um novo estado da matéria para criar os blocos de construção básicos do aparelho.
O QUE É?
O computador quântico funcionaria a partir das leis da mecânica quântica: enquanto os processadores de hoje são baseados em bits, que só podem codificar 0 ou 1, ele codificaria vários estados ao mesmo tempo.
Isso permitiria aplicações que nunca conseguimos alcançar, como operações complexas extremamente seguras em um tempo ínfimo.
AD INFINITUM
Digamos que o grupo de pesquisa da Microsoft que estuda isso não está tentando criar um notebook com uma câmera melhor. O buraco é mais embaixo.
Os cientistas pesquisam um tipo de partícula que compõe um quarto estado da matéria, que não é gás, líquido ou sólido.
A existência dos férmions de Majorana foi teorizada em 1937. Em 2022, a equipe de estudiosos da empresa conseguiu registrar efeitos que acreditavam ser causados pelas partículas.
Agora, a companhia diz ter construído o primeiro processador com a tecnologia, um chip batizado de Majorana 1.
Para eles, eventualmente será possível encaixar até 1 milhão de qubits em cada chip, criando um computador quântico enorme.
CÉTICOS
Há quem ache que a revolução das máquinas não está tão próxima assim. É o caso de alguns acadêmicos da física quântica.
Para Serge Haroche, vencedor do Nobel de Física em 2012, o computador ainda está distante. Muito mais do que as empresas de tecnologia deixam transparecer, em sua opinião, compartilhada em uma entrevista à Folha de S.Paulo.
É bom que grandes empresas, que têm muito dinheiro para gastar, façam isso, mas sem supervalorizar muito o que estão fazendo o que acho que é um pouco o caso. No momento, é mais um jogo de relações públicas do que de ciência real, disse.
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LUANA FRANZÃO / Folhapress
