SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pela primeira vez, a Defesa Civil estadual emitiu um alerta severo de tempestade para os celulares dos moradores da cidade de São Paulo, pouco antes das 16h desta sexta-feira (24). E o alerta se mostrou acertado porque o que se viu na sequência foi um caos em toda a capital.
Várias ruas e avenidas foram alagadas, arrastando carros nas descidas. As escadas da estação Jardim São Paulo do metrô pareciam uma cascata, que acabou por alagar os trilhos, na linha 1-azul. Além disso, parte do teto do shopping Center Norte desabou.
O alerta da Defesa Civil foi recebido por todos os moradores das regiões afetadas. Mesmo os que não haviam se cadastrado receberam a mensagem.
Segundo o órgão estadual, o “alerta foi enviado utilizando o sistema Defesa Civil Alerta, por meio da tecnologia CellBroadCast. Todos os celulares com tecnologia 5G ou 4G receberam o alerta. O objetivo é para que a população se proteja durante este temporal que possuí tempo estimado entre 30 minutos e 1 hora”.
A chuva atingiu mais fortemente as regiões norte e central da cidade e os passageiros que estavam no transporte público sofreram.
A estação Jardim São Paulo-Ayrton Senna, da linha 1-azul do metrô, ficou alagada. Usuários que estavam no local, na zona norte paulistana, gravaram vídeos com celular que mostraram escadas rolantes transformadas em cachoeira por causa da força das águas.
A circulação de trens entre a linha 1 precisou ser interrompida entre as estações Jardim São Paulo e Tucuruvi por volta das 15h55.
Por causa da interrupção na circulação de trens, o Metrô teve de acionar a operação Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), com ônibus para transportar os passageiros prejudicados.
Segundo o Sindicato dos Metroviários, a Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) já havia cobrado medidas da direção do Metrô para conseguir enfrentar problemas com a chuva na estação.
A forte chuva também provocou prejuízos no sistema de trens metropolitanos.
Na linha 7-rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), desde 16h44, a circulação de trens entre as estações Campo Limpo Paulista e Botujuru está sendo feita em velocidade reduzida.
Na linha 10-turquesa, desde as 17h, a circulação de trens entre as estações Juventus-Mooca e Brás está interrompida, devido a pontos de alagamento no trecho. Assim como o Metrô, a CPTM também acionou ônibus do sistema Paese para atender os passageiros no trecho interrompido.
Na linha 12-safira, desde as 16h20, a circulação de trens está interrompida, devido a pontos de alagamento nas estações e falha de sinalização na via. Igualmente foi implantado o sistema Paese.
O mesmo ocorreu na linha 8-diamante, da ViaMobilidade. Por causa de alagamentos, a circulação de trens entre as estações Júlio Prestes e Lapa ficou interrompida entre 16h06 e 16h53. Depois acabou normalizada.
A avenida Sumaré, na altura do estádio Palestra Itália, encheu de água, parecendo uma lagoa.
Em Pinheiros, a rua dos Pinheiros também alagou, impedindo o tráfego na região. Assim como a avenida Rebouças.
Na Vila Madalena, na zona oeste, a enxurrada descia com força o tradicional Beco do Batman. As ruas do bairro também se encheram, arrastando vários veículos rumo às partes baixas.
Na zona norte, parte do teto do shopping Center Norte desabou pelo excesso de água. A administração informou que as fortes chuvas provocaram vazamento e isolamento de algumas áreas. Esclarece ainda que as medidas necessárias estão sendo tomadas pelas equipes, e as áreas serão liberadas em breve. O shopping reitera que apesar do ocorrido, não houve vítimas.
A avenida Luiz Dumont Villares, na Parada Inglesa, também alagou, deixando muitos veículos submersos, assim como na avenida Zaki Narchi, próximo à avenida Cruzeiro do Sul.
O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) das Prefeitura de São Paulo havia colocado a cidade em estado de atenção para alagamentos às 15h27, devido às chuvas que chegavam à capital tanto pela zona oeste quanto pela zona norte, praticamente ao mesmo tempo. A condição foi tirada às 17h35, com a diminuição da precipitação.
A previsão indicava a possibilidade de pancadas isoladas, como nos dias anteriores, mas desta vez a precipitação se mostrou generalizada, em quase todos os bairros.
Imagens do radar meteorológico do CGE mostram chuva forte com potencial para queda de granizo nas Zonas Oeste, Norte, Leste e no Centro.
Essa condição aconteceu após uma tarde de forte calor com os termômetros na marca dos 31°C. Segundo o CGE, a chegada da brisa marítima, combinada com a grande disponibilidade de umidade na atmosfera, formou nuvens carregadas, de grande desenvolvimento vertical, e que produzem chuva forte acompanhadas de rajadas de vento e queda de granizo.
Essa condição estava sendo observada em várias cidades, como Jundiaí, Itupeva, Cotia, Barueri, Jandira, Mairiporã, Arujá, Santa Isabel e parte de Guarulhos. A sequência foi a chegada à capital paulista.
De acordo com as estações meteorológicas do CGE, a subprefeitura de Vila Maria/Vila Guilherme e Vila Medeiros foi onde mais choveu entre 15h27 e 17h35, quando o estado de atenção esteve ativo. Naquela região, caiu 104,4 mm. Na sequência, ficaram Pinheiros-Vila Madalena (90 mm), Santana-Carandiru (83,2 mm), Itaim Paulista-Vila Curuçá (65,4 mm), e Butantã-USP (62,8 mm).
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) também registrou a maior rajada de vento na capital na estação Mirante de Santana, às 16h, de 63 km
Ao menos 14 voos tiveram de ser desviados dos aeroportos de Congonhas, na zona sul da capital paulista, e Guarulhos, na Grande São Paulo, por causa da forte chuva que atingiu a região na tarde desta sexta-feira (24).
As empresas aéreas confirmaram que até às 18h30 outros oito voos que partiriam ou chegariam foram cancelados nos dois aeroportos.
No Aeroporto Internacional de Guarulhos, outros dois voos teriam sido desviados para o Galeão no Rio de Janeiro. A informação, entretanto, não havia sido confirmada pela GRU Aiport, concessionária que administra do aeroporto da Grande São Paulo, até a publicação deste texto.
As empresas afirmam que estão tentando acomodar passageiros prejudicados.
A GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto de Guarulhos, não informou se houve mais cancelamentos até a publicação deste texto.
A Aena, que faz a gestão de Congonhas, disse que às 17h o aeroporto estava aberto para pousos e decolagens.
Os dados do CGE mostram ainda que janeiro acumulou até o momento 85,4 mm de chuva, o que corresponde a 33,2% dos 257,3 mm esperados para o mês.
Às 17h, o Corpo de Bombeiros divulgou ter recebido 20 chamados para inundação, três para desabamento e um para queda de árvore. Não houve vítimas.
Às 15h30, a Enel São Paulo informava que havia 26,6 mil imóveis sem energia elétrica na sua área de concessão que engloba 24 municípios na região metropolitana de São Paulo. Só na capital, 7,8 mil residências estavam às escuras nesse horário.
Às 18h, os números já eram 160,7 mil na região e 126,5 mil na capital sem energia.
Em nota, a Enel afirmou ter mobilizado antecipadamente suas equipes para restabelecer a energia aos clientes impactados pelas chuvas. O fornecimento de energia foi afetado em alguns pontos, principalmente nas regiões leste e oeste.
“Neste momento, técnicos trabalham para restabelecer energia para 157 mil clientes que tiveram o serviço afetado, o que equivale a 1,9% dos 8 milhões de unidades atendidas pela empresa nos 24 municípios da região metropolitana de São Paulo, incluindo a capital”, disse a concessionária.
Nos próximos dias, o CGE prevê temporais localizados entre o final das tardes e o início da noite, ainda com sensação de tempo abafado. “A chegada de uma frente fria ao litoral de São Paulo no domingo (26) deve reforçar os temporais, principalmente a partir da tarde. As simulações atmosféricas mais recentes indicam que o forte calor, com temperaturas bem acima da média, deve diminuir a partir da segunda-feira (27)”, diz o CGE.
Redação / Folhapress
