SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar operava em queda e a Bolsa em alta nesta terça-feira (7), com os investidores avaliando os dados do IGP-DI (Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna) e da arrecadação federal para o mês de novembro, divulgados nesta manhã. O mercado segue embalado por notícia de que Trump pode moderar tarifas.
Às 11h44, a moeda norte-americana caía 0,45%, cotada a R$ 6,085. Já a Bolsa subia 1,00%, a 121.223 pontos, no mesmo horário.
O IGP-DI apontou que houve uma desaceleração em dezembro, com alta de 0,87%, depois de subir 1,18% no mês anterior, encerrando 2024 com um ganho de 6,86%, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas).
O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência. A expectativa em pesquisa da Reuters com economistas era de uma alta de 0,78% no mês.
“O recuo do IGP-DI não foi mais expressivo devido às pressões inflacionárias captadas pelo IPC, principalmente por conta da alta nos preços dos alimentos, e no setor de construção civil, influenciado pelo aumento nos custos dos materiais”, afirmou André Braz, economista do FGV IBRE.
Os mercados globais voltavam a repercutir nesta sessão a reportagem do The Washington Post, divulgada nesta segunda-feira (6), que sugeriu que assessores do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, estariam explorando planos de implementar tarifas apenas sobre importações de setores críticos para o país.
A suposta movimentação, que representaria um recuo da abordagem mais agressiva prometida por Trump durante a campanha presidencial, levava os investidores a novamente retirar algumas de suas posições compradas na moeda norte-americana, o que já havia ocorrido na sessão anterior.
Na segunda, o dólar à vista fechou em baixa de 1,11%, a R$ 6,113. É o menor valor desde 20 de dezembro do ano passado, quando fechou a R$ 6,071.
Apesar de o próprio Trump ter refutado a notícia horas depois da publicação, os mercados continuavam criando expectativa de planos tarifários mais moderados nos EUA, o que se junta a declarações recentes do republicano que mostraram mais abertura em temas como imigração e relações com a China.
“Hoje vemos uma continuidade do que se observou ontem, com um alívio marginal de que Trump não será agressivo em relação às tarifas. É o ponto de maior nervosismo em relação ao presidente eleito”, disse Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
Segundo analistas, a possibilidade de uma postura menos protecionista por parte de Donald Trump em relação às tarifas de importação estimula os mercados internacionais a buscar por ativos mais arriscados em países emergentes, como o Brasil. Esse movimento contribui para a valorização do real, ou seja, para uma diminuição da cotação da moeda norte-americana.
Outro ponto levantado por analistas para uma queda do dólar está relacionado aos ajustes realizados pelos investidores. Segundo Spiess, o mercado brasileiro agiu com “pessimismo excessivo” e de forma “exagerada” aos dados de crescimento, inflação e juros do final do ano passado, o que afetou o câmbio e a Bolsa, levando a precificações recordes.
Os agentes financeiros analisarão mais tarde, às 12h, dados de vagas de emprego em aberto nos EUA para o mês de novembro, em busca de indícios sobre o estado do mercado de trabalho no país que ajudem na projeção da trajetória da taxa de juros do Fedreral Reserve.
Operadores têm apostado que o banco central norte-americano manterá os juros inalterados na reunião deste mês, reduzindo o ritmo do afrouxamento monetário iniciado no ano passado, em meio a uma economia resiliente e uma inflação ainda acima da meta de 2%.
Na cena doméstica, o IBGE informou mais cedo que os preços ao produtor no Brasil passaram a subir 1,23% em novembro diante da pressão dos preços dos alimentos.
Além disso, a Receita Federal divulgou que a arrecadação do governo federal teve alta real de 11,21% em novembro de 2024 sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$ 209,218 bilhões.
É o segundo melhor resultado para o mês da série histórica iniciada em 1995, atrás apenas de novembro de 2013.
No acumulado de janeiro a novembro, a arrecadação foi de R$ 2,391 trilhões, 9,82% acima do registrado nos primeiros onze meses de 2023, já descontada a correção pela inflação.
O resultado é recorde para o período em toda a série da Receita. Os dados da arrecadação de novembro usualmente são apresentados no final de dezembro, mas a divulgação foi adiada para esta terça pela Receita Federal.
O foco do mercado nacional deve se voltar novamente para o cenário fiscal brasileiro nas próximas semanas, segundo analistas, uma vez que os investidores ainda demonstram receios com o compromisso do governo em equilibrar as contas públicas.
“Esses movimentos de muito ímpeto são de curto prazo, a menos que haja uma reversão doméstica clara na questão fiscal. Isso esvazia um pouco a chance de retomada do dólar para patamares mais sustentáveis”, afirmou Spiess.
No radar deste pregão ainda está uma entrevista ao vivo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para o programa Estúdio I, da GloboNews, às 13h30.
Redação / Folhapress