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Economia começa 2025 devagar, mas safra deve gerar impulso para PIB

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A atividade econômica iniciou 2025 em ritmo lento no país, mas a entrada da safra de grãos deve gerar impulso para o PIB (Produto Interno Bruto) ao longo do primeiro trimestre.

É o que apontam analistas a partir de indicadores setoriais divulgados nesta semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Nesta sexta (14), o órgão sinalizou que o volume de vendas do comércio varejista ficou praticamente estagnado em janeiro, com leve recuo ante dezembro (-0,1%).

Foi o terceiro mês consecutivo com variação negativa e próxima de zero, após o recorde da série histórica, alcançado em outubro do ano passado.

O volume do setor de serviços também registrou leve recuo em janeiro (-0,2%), enquanto a produção industrial mostrou desempenho nulo (0%) no mesmo período, segundo dados divulgados pelo IBGE na quinta (13) e na terça (11).

“Tem uma sinalização de que a economia está em um ritmo mais devagar”, afirma Tatiana Pinheiro, economista-chefe da empresa de investimentos Galapagos Capital.

Para ela, o ciclo de aumento da taxa básica de juros (Selic), que começou em setembro, ainda não provocou grandes reflexos na atividade econômica. A expectativa é de aperto maior no consumo e nos investimentos com o passar dos meses.

Na visão de Tatiana, a desaceleração da atividade refletiu o aumento das incertezas na economia. Ela cita dúvidas tanto no cenário interno, com a condução da política fiscal pelo governo Lula (PT), quanto no ambiente internacional, após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Ainda de acordo com a economista, a inflação dos alimentos também tem jogado contra o consumo.

Em janeiro, as vendas do varejo tiveram taxa negativa de 0,4% no ramo de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, conforme o IBGE. O segmento foi um dos quatro do comércio que recuaram ante dezembro.

As outras variações negativas foram registradas por artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-3,4%), móveis e eletrodomésticos (-0,2%) e tecidos, vestuário e calçados (-0,1%).

“A mensagem que fica, quando a gente olha a variação mês a mês, é de uma desaceleração gradual da atividade econômica”, afirma Felipe Sichel, economista-chefe da gestora Porto Asset, ao analisar o desempenho do varejo em janeiro.

“A gente começa a ver esse arrefecimento. Não é um colapso. É um arrefecimento”, acrescenta.

Sichel também avalia que é cedo para falar em grandes impactos da alta dos juros na atividade econômica. Ele considera que a desaceleração dos últimos meses pode estar associada à inflação e ao recuo recente de índices de confiança.

A taxa básica de juros está em 13,25% ao ano e deve fechar 2025 em 15%, indicam as estimativas do mercado financeiro, segundo o boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central).

O aumento da Selic é a arma que o BC tem para conter a inflação. Juros mais altos tendem a reduzir a demanda por bens e serviços, o que pode aliviar a pressão sobre os preços.

O efeito colateral esperado é o ritmo menor da atividade econômica, já que o custo para consumir e investir fica mais caro.

A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o colegiado do BC que define a taxa de juros, ocorre na semana que vem. O encontro está agendado para terça (18) e quarta (19).

PROJEÇÃO DE SAFRA RECORDE

Se de um lado os juros dificultam o crescimento do PIB, de outro a safra recorde de grãos deve provocar estímulo.

Na quinta (14), o IBGE disse que a produção do país tende a alcançar o recorde de 323,8 milhões de toneladas neste ano. O número esperado é 2,3% maior do que a máxima registrada até o momento, que ocorreu em 2023 (316,4 milhões de toneladas).

“O efeito do agro vai vir muito forte. Deve fazer com que o PIB tenha um crescimento melhor no primeiro trimestre do que foi no quarto trimestre do ano passado”, diz Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

Nos últimos três meses de 2024, o PIB ficou praticamente estagnado, com leve variação positiva de 0,2%, de acordo com dados publicados pelo IBGE na semana passada. Com o estímulo da safra, a previsão de Vale indica alta de 0,9% no primeiro trimestre de 2025.

“Isso vai dar uma sensação de que a economia não está desacelerando, mas, fora do agro, claramente a gente vê esse processo”, afirma.

“O agro, especialmente no interior, em áreas agrícolas mais fortes, terá o efeito de ajudar em uma composição de PIB melhor. Em contraposição, o resto da economia vai estar em desaceleração”, completa.

Por ora, a Galapagos Capital prevê PIB de 0,6% para o primeiro trimestre. O viés é de alta na estimativa.

A projeção da Porto Asset está em 0,5% para o primeiro trimestre e em 2% para o ano. O PIB fechou o acumulado de 2024 com alta de 3,4%, conforme o IBGE.

O consumo e os investimentos ajudaram a economia no ano passado, enquanto a agropecuária sofreu com problemas climáticos.

Em 2025, a previsão é de mudança nesse cenário, com uma contribuição positiva do campo.

LEONARDO VIECELI / Folhapress

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