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Ele está se acostumando, diz irmão do novo papa à Folha

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) – John Prevost, um dos irmãos do papa Leão 14, disse neste domingo (11) à Folha que Robert “está se acostumando” à nova função.

John conversou brevemente com a reportagem logo após a primeira bênção papal na praça São Pedro. Estava saindo da Cúria Agostiniana, instituição da ordem religiosa à qual pertence o novo pontífice, acompanhado de um religioso que fazia também a função de guarda-costas.

“A emoção é extremo orgulho e um pouco de incredulidade, porque é uma enorme honra e uma enorme responsabilidade”, disse John sobre o sentimento da família Prevost. O irmão do papa chegou no sábado (10) a Roma. Na mesma noite, assistiu a uma missa e jantou com o irmão, agora o líder da Igreja Católica.

Ele comentou suas impressões sobre o estado de espírito do irmão: “Ele está se acostumando. Está aprendendo para tirar um tempinho para relaxar. Então ele está bem.”

John mora em New Lenox, na região metropolitana de Chicago. É diretor de escola aposentado. Na semana passada, em entrevista à Deustche Welle, John falou sobre a relação com o irmão Robert. “Sabíamos, quando ele era criança, que seria padre. Não havia dúvida quanto a isso. Mas não pensei que ele chegaria tão longe a ponto de se tornar papa”.

Já em Port Charlotte, no sudoeste da Florida, Louis Prevost, outro irmão do papa, conta que o pontífice gostava de brincar de ser padre na infância. “Eu pensava: ‘Que diabos? Padre?'”, afirmou à agência AFP. “Ele comprava balas em formato de disco, fingia que eram hóstias e distribuía para todos os nossos amigos no quintal. Costumávamos brincar com ele, dizendo que um dia ele seria pai, e ele não gostava.”

Na quinta-feira (8), depois que a fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina, Louis conta ter ficado nervoso porque teve a sensação de que o escolhido seria seu irmão. Ele ligou a televisão e tentou se acalmar, mas diz que a espera pelo anúncio pareceu interminável.

Quando o cardeal protodiácono Dominique Mamberti pronunciou o nome do irmão, Luís relata ter explodido de alegria. “Eu estava sentado na cama, e ainda bem que estava porque, caso contrário, teria caído no chão. Pensei: ‘Meu irmão é o papa. Não acredito'”, diz.

Agora, depois que a euforia inicial passou, ele se pergunta como o novo cargo do irmão pode impactar a relação familiar. “Isso pode ser ruim para a família. Será que algum dia o veremos novamente? Será que algum dia voltaremos a falar com ele como irmãos? Ou será que tudo terá de ser oficial? ‘Como está o Santo Padre’, blá, blá, blá? Isso levanta muitas questões”, afirma.

“Ele ainda está lá, mas fora de alcance. Você não pode simplesmente pegar o telefone e ligar para ele. Tem de ser algo especial para ligar ao papa”, acrescenta.

Mildred Martínez, mãe do novo papa, nasceu em 1912 em Chicago e construiu sua vida ao lado do marido, Louis Marius Prevost, em Dolton, no subúrbio sul da cidade. Formada em biblioteconomia e educação, ela se tornou figura central na paróquia de Santa Maria da Assunção, onde ajudou a fundar a biblioteca e engajou toda a família na vida religiosa. Foi nesse ambiente católico e ativo que cresceu Robert Francis Prevost, o caçula dos três filhos, que se tornaria o primeiro papa da ordem agostiniana.

A rotina familiar incluía missas diárias, limpeza da igreja e recepção de padres na casa, famosa pelas refeições preparadas por Mildred, que também presidiu o clube de mães da Mendel Catholic High School, onde estudaram dois de seus filhos. Embora Robert tenha seguido para o seminário em Michigan, a espiritualidade cultivada no lar teve papel decisivo em sua vocação. Em entrevistas, o novo pontífice já destacou como os valores e o exemplo dos pais moldaram sua trajetória no sacerdócio.

Mildred morreu em 1990, pedindo doações para a missão agostiniana do filho no Peru em vez de flores; Louis morreu sete anos depois. A conexão da família com a fé e a educação católica continua celebrada na comunidade local: a associação de ex-alunos da Mendel homenageou o papa por seu legado familiar e espiritual, destacando a contribuição de Mildred como bibliotecária da escola e o espírito de serviço transmitido por ela e pelo marido.

ANDRÉ FONTENELLE / Folhapress

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