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Eleição em João Pessoa tem temor de ‘terceiro turno’ na Justiça

JOÃO PESSOA, PB (FOLHAPRESS) – A reta final do segundo turno é marcada por troca de ataques entre os candidatos Cícero Lucena (PP) e Marcelo Queiroga (PL), em João Pessoa, e pedidos de cassação. A disputa tem como principal enredo a investigação da Polícia Federal que mira uma suposta ligação de integrantes da gestão do prefeito a facções criminosas para aliciamento violento de eleitores.

Atual prefeito, Lucena busca um quarto mandato à frente da capital da Paraíba. Ele já governou a cidade de 1997 a 2004 e retornou ao poder nas eleições de 2020. O gestor também já foi senador e governador do estado.

Por sua vez, Marcelo Queiroga busca pela primeira vez chegar à chefia do Poder Executivo. O ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro (PL) foi lançado candidato com o aval do ex-presidente, que foi a ato de campanha na cidade durante o segundo turno. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também esteve presente.

Apesar da participação de expoentes do bolsonarismo, o segundo turno na cidade não tem como principal marca a polarização nacional.

A Operação Território Livre da PF, que mira aliados de Lucena, é o principal tema. As investigações apontam a existência de um possível esquema criminoso em que integrantes da prefeitura viabilizavam a nomeação de servidores comissionados indicados por membros de facções.

Em contrapartida, o grupo do prefeito receberia o apoio político e controle de territórios na campanha eleitoral. No inquérito da Polícia Federal, a primeira-dama é apontada como responsável por gerenciar os pedidos dos cargos e contratações na prefeitura. Ela não tem cargo oficial.

A Polícia Federal chegou a pedir o afastamento do prefeito, mas a Justiça negou. Cícero e Lauremília Lucena sempre negaram participação em irregularidades. A primeira-dama, que ficou detida por três dias antes do primeiro turno, afirmou que irá provar a sua inocência na Justiça.

Também na reta final, a campanha de Queiroga entrou na Justiça Eleitoral com pedido de cassação da chapa adversário, acusando o prefeito de abuso de poder.

Em resposta, o rival também pediu a cassação do candidato do PL. Os advogados da chapa apontam abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação por parte da campanha do ex-ministro da Saúde em inserções na propaganda eleitoral com acusações contra o candidato à reeleição.

Nos bastidores, aliados de Lucena se mostram confiantes na vitória no domingo (27). Pesquisa Quaest divulgada neste sábado (26) mostra o prefeito com vantagem na disputa, com 60% dos votos válidos, ante 40% do adversário.

Ele já tinha ficado próximo da vitória na primeira votação, quando obteve 49,2% dos votos válidos, ante 21,8 % do postulante do PL.

No entanto, políticos próximos ao prefeito reconhecem que a situação está sob tensão. Há temor de aliados de que, após a eleição, ele seja alvo direto na apuração da PF e que isso possa desgastar sua imagem e interferir no julgamento dos pedidos de cassação na Justiça Eleitoral.

Ainda no primeiro turno, Queiroga e os também candidatos Ruy Carneiro (Podemos) e Luciano Cartaxo (PT) se juntaram e pediram uma investigação sobre suposto aliciamento violento de eleitores. O entorno do prefeito, em reação, passou a apontar uma suposta armação política contra a campanha dele.

O núcleo de Queiroga também considera que, caso perca, haverá uma espécie de “terceiro turno” na Justiça Eleitoral. A aposta é que João Pessoa pode ter uma nova eleição nos próximos meses em caso de vitória de Lucena e posterior cassação da chapa.

Em propagandas na televisão e no rádio, Queiroga tentou captar o segmento bolsonarista, expressivo em João Pessoa, vinculando-se ao ex-presidente e a Michelle. No segundo turno das eleições de 2022, Lula venceu na capital paraibana por uma diferença de apenas 0,2% dos votos válidos.

Para se contrapor a Queiroga, o prefeito tem criticado a gestão do adversário no Ministério da Saúde. Em um debate, disse que o ex-ministro foi chamado de genocida durante o período em que esteve no cargo.

Para o segundo turno, Queiroga recebeu o apoio do deputado Ruy Carneiro, terceiro colocado no primeiro turno com 16,7% dos votos válidos.

Lucena recebeu o apoio do PT, cujo candidato no primeiro turno, o ex-prefeito Luciano Cartaxo, teve 11,8% dos votos válidos. Cartaxo, porém, declarou neutralidade.

O atual prefeito de João Pessoa é aliado do governador João Azevêdo (PSB), que está engajado na campanha de Lucena.

JOSÉ MATHEUS SANTOS / Folhapress

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