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Embaixador do Irã no Brasil afirma que país seguirá com enriquecimento de urânio

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta quinta-feira (26) que o país persa continuará a enriquecer urânio, apesar dos ataques de Estados Unidos e de Israel ao programa nuclear de Teerã.

“Nossas conquistas foram feitas enquanto países ocidentais e EUA nos proibiram. Portanto, não fazemos questão e não é importante para nós se eles proíbem. Seguimos firmemente nossos desejos e interesses”, disse Abdollah Nekounam em entrevista coletiva em Brasília.

Para Nekounam, os ataques a Teerã não devem ser tratados como uma disputa entre dois países, mas como um problema mundial.

“Países que são membros do TNP [Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares] têm o direito de ter seu programa nuclear e enriquecer seu urânio. Dois países que têm bombas nucleares atacaram um membro do TNP e suas instalações nucleares pacíficas —um deles nem é membro do TNP [Israel]”, disse. “O nível desse diálogo não é somente sobre o conflito entre dois países, é algo global”.

O embaixador reforçou a versão iraniana de que os objetivos do projeto atômico são pacíficos, envolvendo uma série de indústrias, como a farmacêutica, e defendeu o direito do Irã de desenvolvê-lo com base no TNP, ratificado por Teerã em 1970.

“Na mesma medida em que nos afastamos das armas nucleares, buscamos com todo o nosso poder usar nossos direitos nucleares dentro da estrutura do TNP. Um país como o Irã não pode se sentar e esperar para que outro ofereça urânio para produzir eletricidade e radio-fármacos”, disse.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada às Nações Unidas, tem questionado o programa de enriquecimento iraniano. O conselho diretivo da organização, após relatório divulgado em maio, afirmou que Teerã descumpre obrigações relativas ao seu projeto atômico. Desde então, o governo iraniano aumentou suas críticas à agência.

O embaixador reafirmou que as inspeções externas ao programa nuclear estão suspensas após os ataques promovidos por Israel e EUA. Ele, no entanto, evitou falar sobre medidas que o regime teocrático ameaça tomar, como a saída do país do TNP e o fechamento do estreito de Hormuz —ele afirmou não estar ciente de um documento oficial do Parlamento iraniano sobre a via marítima.

Israel atacou o rival regional pouco após o posicionamento AIEA e sob o argumento de que Teerã poderia desenvolver em poucos dias uma bomba nuclear. Os ataques atingiram bases e instalações, além de locais com civis na capital iraniana, com o objetivo de matar parte da cúpula militar e degradar a defesa aérea do Irã.

O país persa reagiu com salvas de mísseis balísticos e drones contra Israel. No último sábado (21), madrugada de domingo no Irã, os Estados Unidos realizaram bombardeios a três instalações nucleares iranianas, em Natanz, Isfahan e Fordow, esta subterrânea e alcançável apenas por mísseis antibunker produzidos pelos EUA.

Desde então, o conflito está congelado por um frágil cessar-fogo anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, descumprido em seguida e retomado após o republicano cobrar publicamente que os dois países parassem de se atacar.

O embaixador do Irã, membro do Brics, agradeceu ao Brasil e aos demais países membros do grupo pela declaração condenando os ataques, divulgada após o bombardeio americano. A nota, de tom moderado, expôs a divisão dos integrantes do grupo sobre o conflito no Oriente Médio. Uma parte tentou condenar diretamente Israel e EUA, casos de Irã, China e Rússia, e outra trabalhou para amenizar o texto, como Índia e Etiópia.

Nekounam ressaltou a importância do grupo como iniciativa importante para suprir lacunas da ordem global, mas evitou falar sobre a declaração. Ele não confirmou a ida do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ao Rio de Janeiro para a cúpula do Brics, nos dias 6 e 7 de julho.

GUILHERME BOTACINI / Folhapress

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