RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Entrega de novas câmeras da PM vai até o fim de 2025 e sistema pode ser adaptado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A entrega das 12 mil novas câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo pode levar até o fim do ano que vem para ser concluída. O prazo está prevista em contrato, que prevê também a possibilidade de adaptações no programa à medida que a corporação usar os equipamentos.

Neste mês, encerra-se o prazo para instalação das primeiras 2.500 câmeras.

Elas já passaram por testes para avaliar a qualidade das gravações, a capacidade de transmitir vídeos ao vivo, o mecanismo de acionamento e a capacidade das baterias, entre outras características. Isso ocorreu ainda durante a licitação, como etapa obrigatória para aprovar o vencedor da concorrência. O novo programa agora está em implementação e estão previstos treinamentos da tropa com os novos dispositivos.

Segundo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), as novas câmeras devem passar por um período de testes a partir da próxima terça-feira (10). A Secretaria de Segurança Pública diz que na semana que vem será feita a integração das câmeras com o datacenter da PM.

“A implementação ocorrerá gradualmente, e só terá início quando o sistema estiver plenamente funcional”, disse a secretaria.

O contrato entre o governo estadual e a Motorola, fornecedora dos equipamentos, prevê uma fase de adaptação e desenvolvimento de programas digitais sob medida para a PM.

Além disso, está prevista a instalação gradual de infraestrutura nos quartéis ao longo de 15 meses, até dezembro de 2025, para armazenas as câmeras e os equipamentos onde elas descarregam as gravações —as chamadas docas. Esse processo foi dividido em cinco fases, cada uma com duração de três meses, e prevê a adaptação da rede elétrica e a instalação de outros equipamentos.

O acordo entre as partes também prevê que, se achar necessário, a PM peça modificações nos sistemas que gerenciam as imagens das câmeras corporais. Algumas dessas adaptações têm prazo para serem feitas e há entregas previstas até o fim do mês.

“A contratada [Motorola] deverá realizar a customização do software de gerenciamento de vestígios digitais, de modo a estar adequado à realidade das instituições que interagem com a contratante [PM], permitindo a utilização de metadados com tags de classificação de vestígios, revisão, codificação de ocorrências”, diz um trecho do termo de referência do contrato.

Na quinta-feira (5), Tarcísio afirmou que o governo testaria funcionalidades como o acionamento remoto e a função de rádio-comunicador das novas câmeras.

“Estou falando de uma câmera que já funciona como rádio comunicador, que facilita a operação do policial, que não vai ter que usar rádio comunicador e acionar a câmera ao mesmo tempo. Se ele esquecer de acionar a câmera, tem um acionamento remoto. E a gente vai testar todas essas funcionalidades”, disse o governador. “Se a gente não estiver confortável, ela não entra em operação.”

Tarcísio fez as afirmações dois dias após circularem imagens de um PM jogando um homem de uma ponte durante uma abordagem. O caso, que trouxe nova pressão contra a política de segurança do governo paulista, repercutiu após uma sequência de mortes contra vítimas desarmadas.

A principal crítica de especialistas em segurança pública ao novo modelo é sobre o método de acionamento da gravação. Hoje as câmeras usadas por PMs gravam de forma ininterrupta, mesmo que em baixa qualidade e sem som, durante todo o turno. Um botão no equipamento pode ser apertado para melhorar a gravação.

No novo modelo, não haverá a gravação contínua. Segundo o governo, o acionamento será “intencional, porém obrigatório.”

Em julho, seis empresas que participaram da licitação que escolheu as fornecedora das novas câmeras apresentaram recursos pedindo a anulação do processo. Elas afirmam que houve descumprimento de regras e até indícios de fraude.

Os recursos foram apresentados após as concorrentes da Motorola acompanharem o teste em que a PM aprovou os equipamentos.

Elas afirmam que as câmeras não têm a autonomia de bateria suficiente, não são capazes de ler placas de automóveis conforme as exigências do edital, e que o sistema de gerenciamento dos arquivos permitiria a alguns usuários apagar imagens —o que também é vetado pelas regras do edital, além de ser um risco para investigações que dependem das gravações.

À época, o governo paulista afirmou que “todas as amostras de testes para a prestação de serviços para a prova de conceito cumpriram os requisitos legais, técnicos e tecnológicos exigidos” e que “as denúncias são infundadas”. A Motorola disse na ocasião que se manifestaria apenas no processo administrativo que cuidava do caso.

Nesta sexta-feira (6), questionada sobre a nova fase de testes, a empresa afirmou que “os testes serão realizados estritamente como previsto no edital e a utilização seguirá a diretriz operacional definida pela Polícia Militar”.

TULIO KRUSE / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS