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Equador chega ao segundo turno com direita e esquerda em empate técnico

GUAYAQUIL, EQUADOR (FOLHAPRESS) – Daniel Noboa aparece multiplicado em totens de papelão em tamanho real distribuídos por sua campanha em avenidas, residências e comércios. E Luisa González circula adesivada em ônibus, em placas no teto dos táxis e dos tradicionais tricimotos, os veículos de três rodas que transportam moradores em curtas distâncias por US$ 0,25.

Os dois candidatos à Presidência do Equador pintam as principais cidades do país com a perfeita atmosfera de quem irá ao segundo turno neste domingo (13) e também são um lembrete constante da incerteza. Não é possível fazer apostas ou projeções de quem será o chefe de Estado eleito. Noboa e González estão em empate técnico.

Foram poucas as pesquisas de intenção de voto confiáveis divulgadas nesta etapa da disputa. Na mais recente delas, da consultoria Comunicaliza, Noboa tem 41,5% de apoio; González, 41,1%. A margem de erro é de 1,42 ponto percentual no levantamento que ouviu 4.700 pessoas. Eles estão, portanto, em empate técnico.

O cenário já havia sido adiantado no primeiro turno, em fevereiro, quando Noboa conseguiu 44,17% dos votos, e González, 44%. Foi a primeira vez em que dois candidatos foram ao segundo turno com mais de 40% da preferência dos eleitores, cada, no país. Meros 16,7 mil votos separaram os dois políticos.

Em um país alçado pelo narcotráfico ao posto de nação mais perigosa da América Latina, com a maior taxa de homicídios da região (38,7 para cada 100 mil habitantes; no Brasil são 16,7 por 100 mil), o período eleitoral não ocorreu sem temores. E a lembrança do assassinato de um candidato em plena campanha, em 2023, é viva na memória.

Nesse sentido, chamou a atenção a acusação feita por González na manhã de sexta-feira (11), um dia após o encerramento das campanhas na cidade portuária de Guayaquil, a mais perigosa do país e economicamente muito importante.

Aquela que tenta se tornar a primeira mulher presidente da história do Equador disse que os militares designados a acompanhá-la para sua segurança foram, “repentinamente, dispensados de suas funções”. O governo Noboa negou tê-lo feito.

Na mesma semana que antecedeu as eleições, a mais tradicional empresa de pesquisas eleitorais no país, a Cedatos, anunciou a desistência de fazer levantamentos de boca de urna no domingo, ainda que fosse uma das poucas autorizadas pelo órgão eleitoral para isso.

Os diretores argumentaram que o ambiente de insegurança somado às fortes chuvas desta temporada, que alagaram várias zonas e levaram a mudanças nos centros de votação, impossibilitava o trabalho.

Ainda na seara da segurança, o governo fechou as fronteiras terrestres para cidadãos estrangeiros desde a tarde da última sexta até o final desta segunda (14). Neste sábado (12), Noboa voltou a decretar estado de exceção em sete províncias do país com o argumento de que houve aumento nos índices de violência.

Com a segurança como motor das demandas sociais, dois nomes com histórias e projetos políticos muito diferentes se enfrentam pela quarta vez nas urnas. Daniel Noboa e Luisa González disputaram primeiro e segundo turno em 2023, na eleição para um mandato-tampão em substituição a Guillermo Lasso. O mesmo ocorre neste ano.

Ele, um dos mais ricos herdeiros do país, com fortuna oriunda da venda de bananas, formado em administração por universidades americanas, ex-deputado e o líder mais jovem a chegar à Presidência, com 35 anos (hoje está com 37).

Ela, uma advogada, ex-parlamentar e ex-ministra de Estado, mãe solo de 47 anos e aliada de primeira hora do ex-presidente Rafael Correa, asilado na Bélgica com uma condenação de oito anos de prisão no Equador por corrupção.

Em 17 meses no cargo, Noboa militarizou a segurança pública em meio a um contexto de escalada da violência, no qual um canal de TV foi invadido ao vivo por homens armados e encapuzados e o maior líder narco do país fugiu da prisão em Guayaquil.

Sua política linha-dura reduziu as mortes intencionais em 16%, mas também colheu dezenas de acusações judiciais de violações de direitos humanos, como o desaparecimento de pessoas levadas por militares.

No período final do curto mandato, possíveis escândalos começaram a ganhar projeção. Em um deles, investiga-se se a empresa do irmão do presidente, Santiago, teria sido beneficiada pelo Estado em contratos públicos e, mais, se teria desviado combustível subsidiado pelo Estado para vendê-lo em preços cheios, sem a ajuda estatal.

Em outro, revelado pela Agência Pública, documentos mostram que Noboa e outro de seus irmãos, John, são donos de uma empresa que é sócia-majoritária de uma exportadora em cujos contêineres a polícia já encontrou por três vezes cocaína escondida em meio a bananas. Não há, até aqui, implicações jurídicas para o atual presidente em nenhum dos casos.

Se reeleito, Daniel Noboa, que ao estrear na política se colocava como um personagem de centro-esquerda, mas na prática adotou políticas da centro-direita, reforçaria um grupo hoje minoritário, mas importante, de políticos da América do Sul nesse espectro: Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai) e Dina Boluarte (Peru).

Enquanto Luisa González engrossaria a lista de governos de esquerda ou centro-esquerda dessa parte das Américas: Lula (Brasil), Gustavo Petro (Colômbia), Luis Arce (Bolívia), Gabriel Boric (Chile), Yamandú Orsi (Uruguai), além da ditadura da Venezuela.

Lista de presidentes do Equador desde a volta da democracia em 1979

Presidente Período Campo político

Jaime Roldós Aguilera 10 de agosto de 1979 a 24 de maio de 1981 Centro-esquerda

Osvaldo Hurtado 24 de maio de 1981 a 10 de agosto de 1984 Centro-direita

León Febres Cordero 10 de agosto de 1984 a 10 de agosto de 1988 Direita

Rodrigo Borja Cevallos 10 de agosto de 1988 a 10 de agosto de 1992 Centro-esquerda

Sixto Durán Ballén 10 de agosto de 1992 a 10 de agosto de 1996 Centro-direita

Abdalá Bucaram 10 de agosto de 1996 a 6 de fevereiro de 1997 Centro

Fabián Alarcón 11 de fevereiro de 1997 a 10 de agosto de 1998 Centro

Jamil Mahuad 10 de agosto de 1998 a 21 de janeiro de 2000 Centro-direita

Gustavo Noboa 22 de janeiro de 2000 a 15 de janeiro de 2003 Direita

Lucio Gutiérrez 15 de janeiro de 2003 a 20 de abril de 2005 Centro

Alfredo Palacio 20 de abril de 2005 a 15 de janeiro de 2007 Centro-esquerda

Rafael Correa 15 de janeiro de 2007 a 24 de maio de 2017 Esquerda

Lenín Moreno 24 de maio de 2017 a 24 de maio de 2021 Direita

Guillermo Lasso 24 de maio de 2021 a 23 de novembro de 2023 Direita

Daniel Noboa desde 23 de novembro de 2023 Direita

MAYARA PAIXÃO / Folhapress

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