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Escoamento da safra de soja provoca fila de até 1.200 caminhões em Porto Velho

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) – O atraso para o início do plantio de soja devido ao clima e à colheita até 15% superior à safra anterior têm gerado fila de até 1.200 caminhões por dia no porto de Porto Velho, utilizado para o escoamento da produção até o Pará.

Os caminhões têm utilizado postos no entorno, especialmente um em Candeias do Jamari (RO), município distante 20 quilômetros da capital rondoniense, para esperar a vez de descarregar, o que tem levado de quatro a seis dias para ocorrer, segundo a Aprosoja-RO (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Rondônia).

A safra deste ano sofreu atraso de quase um mês no plantio devido ao clima e, já na colheita, teve excesso de chuvas, o que tornou o processo mais lento, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Com clima propício em fevereiro, a colheita foi acelerada e isso contribuiu para o gargalo logístico na capital de Rondônia, que só deve ser solucionado após a conclusão da safra, segundo produtores rurais.

A janela de plantio no estado teve início em 10 de setembro, mas os produtores começaram efetivamente a plantar em 5 de outubro, 25 dias após o prazo.

“A chuva atrasou um pouquinho nesta safra, começou a chover um pouco mais tarde. Isso concentrou o plantio numa janela menor e, consequentemente, você tem a colheita numa janela menor também. Além disso, tem a produtividade, que aumentou em relação ao ano passado”, disse Marcelo Lucas da Silva, diretor da Aprosoja-RO.

A produção embarcada escoa pelo rio Madeira até chegar ao porto de Santarém, de onde é levada para o exterior. Enquanto isso não acontece, caminhoneiros ficam em postos de apoio e às margens da BR-364 à espera do momento de descarregar —quanto mais tempo ficarem aguardando, mais gastos os produtores rurais têm.

Além da soja produzida no estado, o porto também escoa parte da produção do noroeste de Mato Grosso.

Silva afirmou que ao cenário de menos tempo e maior produção se junta o deficit de infraestrutura de toda a cadeia, o que cria o atual acúmulo de caminhões. “A gente vem mensurando com o pessoal da triagem e entre mil e 1.200 caminhões por dia chegam a ficar parados aguardando para descarregar.”

Dados do Governo de Rondônia mostram que a colheita de soja no estado alcançou cerca de 80% da área plantada na última semana, 20 pontos percentuais acima do detectado pela Aprosoja no início do mês.

No total, o estado tem área plantada estimada em 687,157 mil hectares —o equivalente a 962,4 mil campos de futebol—, distribuídos em 4.600 propriedades rurais na safra 2024/25.

O número mostra um crescimento em relação às 3.700 áreas de cultivo apontadas pela Idaron (Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril), órgão do governo estadual, na safra 2023/24. A previsão é que a média de sacas de soja por hectare, que no ano passado foi de 54, chegue a até 62 sacas na atual safra.

Um outro problema que os produtores enfrentam, segundo o diretor da associação, envolve a Amaggi, uma das maiores empresas agrícolas do país. Ela opera duas unidades portuárias em Porto Velho e tem privilegiado nesses locais descarregar cargas de sua própria frota, o que ampliaria o tempo de fila dos caminhões com soja dos produtores, conforme ele.

“O que o produtor leva, ela põe numa fila separada. E os caminhões dela ou contratados por ela têm a preferência de descarga numa outra fila. O caminhão do produtor fica de quatro a seis dias lá parado, esperando, servindo de armazém para ela. E o caminhão dela chega, descarrega, chega, descarrega e vai embora. Não fica mais do que 24 horas”, disse.

A Amaggi informou que o cenário de concentração do fluxo numa janela menor causada pelo atraso na colheita rondoniense “por vezes pode gerar alguns atrasos”, mas afirma que o carregamento de caminhões em suas unidades portuárias na capital de Rondônia segue um cronograma já estabelecido pela empresa.

Conforme a companhia, suas operações foram adaptadas. “Este cenário de maior fluxo operacional por vezes pode gerar alguns atrasos, mas que não deverão impactar significativamente o escoamento de grãos por aquele corredor logístico.” A Amaggi também afirmou respeitar os produtores de Mato Grosso e Rondônia.

“Estamos operando com um volume 15% superior em comparação ao mesmo período do ano passado. Este maior volume, aliado à concentração ocasionada pelo atraso na colheita, cria desafios logísticos extras, mas que estão sendo resolvidos com apoio de toda a equipe”, disse a empresa, por meio de nota.

A previsão é que o Brasil produza 167,4 milhões de toneladas de soja na safra 2024/25, o que, se confirmado, indica alta de 13,3% em comparação com a safra anterior, de acordo com a Conab.

O cenário ruim no porto da capital rondoniense deve persistir até o final do mês, quando a safra no estado deverá terminar, segundo a associação.

MARCELO TOLEDO / Folhapress

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