RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Especialistas defendem regionalização de saneamento, mas com autonomia de municípios

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Garantir o direito ao saneamento depende de ações municipais conjuntas que considerem as características de cada microrregião, mas ações da sociedade civil podem ajudar a acelerar esse processo.

Segundo dados do Censo 2022, 49 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso adequado à rede de esgoto e 4,8 milhões não têm água encanada.

De acordo com Nina Rentel, diretora de tecnologias sociais da Gerando Falcões, rede de ONGs voltadas para projetos em favelas, é importante atuar nas áreas marginalizadas enquanto o poder público não supre as carências de saneamento.

“A gente tende a iniciar pelo formal e deixar por último o que já está à margem, cada vez mais vulnerável frente às questões climáticas. Mas temos que pensar em começar pelas soluções nessas microcadeias de mitigação de risco.”

Rentel afirmou que a Gerando Falcões tem trabalhado para limpar córregos e garantir o fluxo de água em favelas, além de lidar com resíduos sólidos.

Ela participou da segunda mesa do seminário “O Poder Transformador do Saneamento”, realizado nesta quinta-feira (9) pela Folha de S.Paulo e pelo Instituto Trata Brasil. Com mediação de Lygia Maria, colunista do jornal, o painel discutiu caminhos para os municípios atingirem a universalização, prevista para 2033 pelo marco do setor instituído em 2020.

Para a CNM (Confederação Nacional de Municípios), o prazo para a meta de universalização é pouco factível. Cláudia Lins, gerente de sustentabilidade da organização, disse haver grandes lacunas mesmo em capitais e defendeu a autonomia dos municípios.

Em São Paulo, por exemplo, cerca de 550 mil famílias ainda não têm acesso à coleta de esgoto. O dado foi apresentado por Fernando Chucre, secretário-executivo de Planejamento e Entregas Prioritárias da prefeitura, que levantou o tema da regionalização.

A regra atual do marco prevê que empresas municipais de saneamento devem participar de uma estrutura que atenda mais de uma cidade, com o objetivo de promover ganho de escala das operações e, assim, atrair mais investimentos. Caso a medida não seja cumprida, as companhias ficam impedidas de acessar recursos da União.

Chucre vê a regionalização como o caminho natural, especialmente em relação à Região Metropolitana de São Paulo, que tem 39 municípios.

“Como podemos imaginar esses municípios com um sistema independente, considerando que o esgoto é tratado parcialmente em Barueri, que as águas são captadas em vários reservatórios de outros municípios e que os investimentos de infraestrutura são feitos de maneira compartilhada?”

Lins reconheceu exemplos positivos da estratégia, mas criticou a perda de autonomia trazida pela obrigatoriedade.

Campinas, em São Paulo, teve o terceiro melhor desempenho entre os cem maiores municípios do Brasil no quesito, segundo ranking do Instituto Trata Brasil. A Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento), responsável pelo setor na cidade, é uma empresa pública.

Presente no evento, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) defendeu que cada cidade ou estado tenha a liberdade de decidir sobre o modelo. “O que é importante é a gestão.”

BEATRIZ GATTI / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS