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Esquerda faz atos dispersos pelo país contra anistia a Bolsonaro

SÃO PAULO, SP E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Neste domingo (30), a esquerda realizou atos dispersos pelo país, tendo a pauta contra a anistia aos envolvidos com os atos golpistas de 8 de janeiro como bandeira principal e defendendo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A organização da maioria dos atos, que seguem ao longo dos próximos dois dias, foi feita pelas entidades que formam as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular.

Em São Paulo, partidos de esquerda e centrais sindicais se reuniram na praça Oswaldo Cruz, na região da avenida Paulista. Dali, seguiram em caminhada até o antigo Doi–Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), principal centro de tortura da ditadura militar na cidade.

Convocada pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) em suas redes sociais, a manifestação reuniu lideranças do PSOL, como o deputado federal Ivan Valente (SP). O Partido dos Trabalhadores (PT) foi representado pelo deputado federal Lindbergh Farias (RJ), líder do partido na Casa, e o deputado estadual Antônio Donato (SP).

“Esse ato de hoje, antes de tudo, ele é muito simbólico, porque amanhã completa 61 anos do golpe militar de 64 que instaurou uma ditadura nesse país. E nós estamos aqui defendendo a democracia, defendendo punição aos golpistas 61 anos depois”, disse Boulos.

Afirmou ainda que será feita articulação para que o projeto de lei da anistia não seja aprovado. “Anistia é o escambau”, afirmou ele.

“Essa semana a gente ficou ouvindo provocação da imprensa, da direita, dizendo que nosso ato ia ser esvaziado”, disse ainda o deputado. “Eu digo a vocês sem medo de errar, aqui hoje na avenida Paulista tem mais gente do que o ato golpista em Copacabana”.

Quando começou a seguir rumo ao Doi-Codi, no Paraíso, zona sul de São Paulo, a manifestação ocupava o espaço da praça Oswaldo Cruz e seu entorno e tomava uma das duas vias da avenida Paulista, no quarteirão entre a praça e a rua Teixeira da Silva.

Levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap e da ONG More in Common apontou que o público do ato foi de 6.600 mil pessoas.

A medição foi feita no horário considerado o pico do evento, às 15h15, por meio de fotos aéreas analisadas com inteligência artificial. O mesmo grupo contabilizou a presença de 18,3 mil pessoas em ato com Bolsonaro, no último dia 16, no Rio de Janeiro, a favor da anistia.

No ato em São Paulo deste domingo, os manifestantes também pediam a retirada do governo de Israel da Faixa de Gaza e o fim da escala de trabalho 6×1. Houve ainda gestos a favor de Lula (PT), com prticipantes que faziam o gesto de L ao passar por apoiadores do presidente que estavam nos prédios ao longo do caminho.

No Rio de Janeiro, o ato foi marcado para a próxima terça-feira (1°), mas entidades realizaram panfletagem e ações com cartazes pela cidade neste domingo.

Membros do MTST (Movimentos dos Trabalhadores Sem-Teto) carioca estenderam sob os Arcos da Lapa uma bandeira com a frase “sem anistia para quem ataca a democracia”.

A bandeira, segundo membros da entidade, foi colocada às 7h e retirada dez minutos depois por policiais militares. Em nota, a PM afirmou que a remoção foi feita por se tratar de um monumento histórico e cultural.

Militantes do PT (Partido dos Trabalhadores) e da UP (Unidade Popular) entregaram panfletos e adesivos contra a anistia na feira da Glória e no parque do Flamengo.

O ato na capital fluminense na próxima terça está marcado para ocorrer na sede do antigo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), no centro, com caminhada em direção ao Clube Militar, na Cinelândia.

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, o ato se concentrou na praça da Independência, na avenida Afonso Pena. Os mineiros levaram cartazes com fotografias de desaparecidos e mortos pela ditadura militar e um boneco de pano com o rosto de Bolsonaro colocado entre grades.

Os manifestantes que carregavam as grades usavam máscaras dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes, dois dos que votaram, na quarta (26), pelo recebimento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), em julgamento da Primeira Turma da corte que tornou o ex-presidente réu.

Em Recife, Pernambuco, o ato ocorreu no parque Treze de Maio, no bairro da Boa Vista e em Belém, no Pará, a manifestação concentrou estudantes ao redor do Theatro da Paz.

Já em Brasília, o ato no Eixão do Lazer teve cartazes contra a anistia e pela memória dos mortos na ditadura, com referências ao filme “Ainda Estou Aqui”. Também houve bandeiras e cartazes a favor da Palestina e de um cessar-fogo na região.

Há atos previstos nesta segunda-feira (31) em Niterói, no Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e Fortaleza.

Na terça (1°) estão programadas manifestações nas capitais Aracaju, Campo Grande, Salvador, João Pessoa, Rio de Janeiro, Teresina, São Paulo e Fortaleza.

As frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular programaram 29 mobilizações, em municípios de diversos estados do país, entre sexta (28) e terça-feira (1°). Já o coletivo de advogados Prerrogativas promoverá um ato na segunda-feira, na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), na capital paulista.

Pelo segundo ano consecutivo, o governo Lula não realizará atos oficiais em memória da data que marca o golpe militar de 1964.

No ano passado, no aniversário de 60 anos, o presidente orientou os ministérios a não fazerem nem críticas nem cerimônias ligadas ao tema, em uma tentativa de não tensionar a relação com os militares. Em 2024, Lula disse que preferiria não ficar “remoendo” sobre o golpe de 1964 porque isso “faz parte do passado” e ele queria “tocar o país para frente”.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania afirmou que a pasta demonstra, por meio de ações, seu compromisso com a democracia, a verdade e a memória da história política do Brasil. Em nota, destacou ações em março sobre o tema.

Entre elas, está o pedido de desculpas da ministra Macaé Evaristo às famílias de mortos e desaparecidos por negligência da União na guarda e identificação de restos mortais na vala de Perus.

MARIANA ZYLBERKAN E YURI EIRAS / Folhapress

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