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Está difícil emplacar ideias originais nos EUA, diz criador de ‘Narcos’ no Rio2C

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O cenário de retração da produção audiovisual nos Estados Unidos tem tornado muito difícil para autores emplacarem novas ideias de séries de TV. Quem diz é Chris Brancato, produtor, roteirista e showrunner americano que participou de sucessos como “Narcos” e “Law and Order”. Ele é um dos convidados desta edição do Rio2C, evento que reúne nomes da indústria criativa na capital fluminense até domingo (1º).

“Depois de investir centenas de milhões de dólares, várias empresas de streaming perceberam que a Netflix venceu. E agora estão tendo que se ajustar”, afirma. “Além disso, depois da pandemia o número de produções diminuiu. É difícil encontrar quem queira investir dinheiro em uma série. É preciso desenvolver vários projetos em paralelo, com a esperança de um dar certo.”

O cenário mais enxuto, acrescenta, tem impactos na própria criação de novas histórias, uma vez que fica mais difícil de emplacar ideias muito fora da caixa.

“Fica mais fácil emplacar projetos mais convencionais, para um público mais amplo. É mais complicado criar algo que nunca foi feito antes”, afirma, acrescentando que o cenário é pior ainda para quem está começando agora no mercado.

“É difícil se você nunca emplacou uma série antes. E mais fácil se você for Ryan Murphy, Shonda Rhimes ou outro showrunner famoso.”

Além do cenário de crise que já estava instalado -e foi agravado pelos incêndios recentes em Los Angeles-, há toda a incerteza envolvendo as políticas tarifárias do governo Donald Trump. O republicano já deu declarações públicas de que quer que filmes e séries americanos voltem a ser gravados nos Estados Unidos; hoje, por questões de custos, não é incomum que sejam rodados em outros países, onde há incentivos fiscais para as produções.

A próxima empreitada de Brancato, por exemplo, é a série “The Westies”, para a MGM+, sobre uma gangue irlandesa de mesmo nome. O projeto está sendo filmado em Toronto, no Canadá, uma locação comum de séries americanas.

“Ainda não sabemos se essa questão tarifária vai afetar nosso orçamento, mas por enquanto isso aconteceu”, diz ele. “Não entendo o que Trump está fazendo. Por enquanto, estou ficando com a cabeça baixa e focando em fazer histórias legais, porque isso não muda.”

Brancato participou do Rio2C para falar da criação de anti-heróis em séries e do valor de construir personagens com imperfeições, com a roteirista Alice Gomes. Ele revelou que, durante o trabalho em “Narcos”, a equipe da série chegou a se encontrar com o então presidente da Colômbia Juan Manuel Santos -os integrantes do governo tinham a preocupação de que o programa fosse glamurizar Pablo Escobar.

“Santos disse esperar que nós mostrássemos que Escobar foi derrotado pelas autoridades. E que tanto ele quanto os integrantes do seu bando acabaram presos ou mortos”, afirmou. “E era essa a intenção da série.”

Ao fim, Brancato defendeu que -mesmo em séries históricas como as que tem feito- é importante mostrar múltiplas dimensões de cada personagem, mesmo que eles sejam criminosos.

MAURÍCIO MEIRELES / Folhapress

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