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EUA fazem acordo para exploração de minerais que prevê fundo de reconstrução da Ucrânia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os Estados Unidos e a Ucrânia anunciaram nesta quarta-feira (30) a assinatura de um acordo que cria um fundo de investimento destinado à reconstrução e recuperação econômica do país invadido pela Rússia a ser financiado pela exploração de recursos minerais ucranianos.

O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pela ministra do Desenvolvimento Econômico e Comércio da Ucrânia, Iulia Sviridenko, que visita Washington. Os detalhes ainda são escassos, mas relatos da imprensa americana dão a entender que o governo Donald Trump não conseguiu um acordo que desse aos EUA acesso irrestrito às riquezas naturais da Ucrânia e à sua infraestrutura petroleira e de gás.

As negociações do acordo aconteceram em paralelo às conversas de paz na guerra da Ucrânia e à pressão de Trump por um acordo que representasse, na visão do presidente americano, uma forma de devolver aos EUA o dinheiro gasto com auxílio militar a Kiev ao longo do conflito contra a Rússia.

O acordo deveria ter sido finalizado no dia 28 de fevereiro, quando o presidente ucraniano Volodimir Zelenski viajou a Washington para sua primeira visita oficial aos EUA após a vitória de Trump nas eleições de 2024. Entretanto, o encontro entre os líderes no Salão Oval terminou em bate boca público, com o republicano acusando Zelenski de não estar interessado em pôr fim à guerra, e o ucraniano deixou o país sem assinar o tratado econômico.

Horas antes do anúncio de que o acordo havia sido assinado, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, havia dito que Kiev tentava fazer uma mudança de última hora no texto, mas que certamente a questão seria reconsiderada. Bessent não deu mais detalhes e negou que o lado americano tenha feito novas exigências de Kiev.

Os detalhes do acordo ainda não estão disponíveis, mas versões anteriores às quais a imprensa americana teve acesso previam controle significativo dos EUA da infraestrutura energética da Ucrânia, além de “acesso preferencial” a minerais como níquel, lítio, grafite, titânio e terras raras, como lantânio e cério. Esses termos parecem não estar no texto final.

Esses minerais são essenciais para as indústrias aeroespacial de defesa e de energia verde do mundo. A China, principal rival dos EUA, tem liderança no mercado em muitos deles, e investe em projetos na África e na América Latina para obter mais.

Uma versão do acordo divulgada em fevereiro pelo jornal Financial Times continha uma cláusula que estabeleceria um fundo para o qual a Ucrânia contribuiria com 50% dos rendimentos da “futura monetização” de recursos minerais estatais, incluindo petróleo e gás. O fundo deveria ser aplicado em projetos dentro da Ucrânia.

Uma concessão importante que Kiev buscava dos americanos era algum tipo de garantia de segurança relacionada à extração dos minerais. O governo de Zelenski tinha a esperança que, por meio do acordo, seu país pudesse obter dos EUA uma promessa de auxílio militar contra a Rússia.

De acordo com o jornal The Washington Post, o acordo final não inclui nenhuma garantia nesse sentido. Ao invés disso, diz que o tratado “afirma o alinhamento estratégico a longo prazo” entre os dois países e o apoio americano “à segurança, prosperidade, reconstrução e integração da Ucrânia aos sistemas econômicos globais”.

Por outro lado, a Ucrânia conseguiu evitar que o texto fizesse qualquer menção direta a devolver o dinheiro gasto pelos EUA com equipamento militar entregue a Kiev. A hipótese de pagamentos diretos havia sido circulada pelos americanos.

A ministra de Desenvolvimento Econômico e Comércio da Ucrânia, Iulia Sviridenko, que está em Washington, disse que o acordo será “mutuamente benéfico para os dois países”, e que os detalhes serão gerenciados pelos governos “de igual para igual”.

VICTOR LACOMBE / Folhapress

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