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Exoneração de coordenador antes do Censo Agropecuário abre nova frente de crise no IBGE

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A crise envolvendo funcionários e a gestão do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), presidido pelo economista Marcio Pochmann, tem novo episódio.

Desta vez, o motivo da turbulência é a exoneração do servidor Octávio Costa de Oliveira do cargo de coordenador de estatísticas agropecuárias do órgão.

A decisão veio a público na sexta-feira (30) e pegou parte dos trabalhadores de surpresa em meio ao processo de preparação para o Censo Agropecuário 2026 –uma das pesquisas mais importantes da instituição.

A reportagem apurou que divergências em relação ao cronograma do recenseamento pesaram na decisão. Entre o corpo técnico, a avaliação é que os preparativos para o Censo Agropecuário estão atrasados. Assim, realizar a coleta dos dados no próximo ano não seria a opção mais adequada.

A ideia de transferir o levantamento para 2027, contudo, enfrenta resistência no comando do instituto. O atrito resultou na exoneração de Oliveira, nome conhecido nos corredores do IBGE. Ele trabalha no órgão há mais de duas décadas.

Oliveira já foi comunicado da exoneração, mas a saída do cargo ainda não foi formalizada, dependendo de trâmites burocráticos. O nome substituto não foi anunciado até o momento.

O clima agora entre funcionários e ex-servidores é de mais incertezas quanto ao cronograma do Censo Agropecuário, que faz um mapeamento do setor.

A edição mais recente é relativa a 2017. À época, o instituto contabilizou 5,1 milhões de estabelecimentos agropecuários no país.

O IBGE vive uma crise interna que se arrasta desde o segundo semestre de 2024, com críticas de servidores à gestão de Pochmann. O economista, indicado pelo presidente Lula (PT) em 2023, rebateu as contestações em mais de uma ocasião.

A reportagem enviou questionamentos para a presidência do órgão sobre a exoneração de Oliveira, a preparação para o Censo Agropecuário e o orçamento da pesquisa, mas não recebeu retorno.

O pedido foi encaminhado por email para a assessoria de comunicação do IBGE na noite de segunda-feira (2) e refeito na tarde desta terça (3).

A reportagem também tentou contato com Pochmann por mensagem e ligação telefônica na manhã e na tarde desta terça, mas não teve retorno.

A preparação para o Censo Agropecuário exige tarefas como treinamento de equipes e testes de equipamentos e sistemas. Os dados são de grande interesse para o agronegócio, no qual o governo Lula encontra resistência.

Um dos desafios para a coleta das informações em 2026 é o calendário de eleições presidenciais no Brasil. Em 2022, por exemplo, pesquisadores do instituto enfrentaram dificuldades para levantar os números de outra pesquisa, o Censo Demográfico, em meio ao clima de polarização política da época.

A eventual transferência do levantamento agropecuário para 2027 também teria desafios. Como o ano de 2026 será de eleições presidenciais, uma nova gestão pode ser indicada para o IBGE a partir de 2027.

Outra incerteza sobre o Censo Agropecuário diz respeito à garantia de verba para a pesquisa em meio às restrições fiscais do governo federal.

O IBGE está vinculado ao MPO (Ministério do Planejamento e Orçamento). Consultada pela reportagem, a pasta afirmou que tem feito esforços, dentro dos seus limites, para viabilizar o Censo Agropecuário junto ao Congresso, mas reconhece que “o principal entrave” ainda é a necessidade de suplementação orçamentária.

De acordo com o MPO, em 2025, foi levada à JEO (Junta de Execução Orçamentária) a demanda do instituto de R$ 649,6 milhões. A pasta também afirma que, segundo o IBGE, o valor total estimado para as atividades do Censo Agropecuário, no período de 2025 a 2028, é de cerca de R$ 2,9 bilhões.

“No entanto, na última avaliação bimestral de receitas e despesas foi identificada a necessidade de contenção orçamentária e financeira de R$ 31,3 bilhões”, afirma o MPO. Desse modo, acrescenta a pasta, ainda está pendente o atendimento aos recursos demandados pelo IBGE.

SERVIDORES QUESTIONAM TROCA

A substituição de Octávio Costa de Oliveira ganhou repercussão na sexta-feira, após um comunicado de uma ala da Assibge, a associação sindical dos trabalhadores do instituto.

“A saída forçada do coordenador não apenas desmotiva a equipe responsável, mas também ameaça comprometer o planejamento, a coleta e a análise de dados do Censo Agro”, disse o núcleo da Assibge que representa os servidores lotados na avenida Chile, no centro do Rio de Janeiro.

Os trabalhadores desse endereço passam por processo de mudança para o Horto, na zona sul da cidade.

“A desarticulação de uma liderança consolidada pode gerar atrasos operacionais, enfraquecer a gestão técnica e afetar a qualidade das estatísticas produzidas”, acrescentou o núcleo da Assibge.

Um abaixo-assinado que questiona a exoneração de Oliveira também circula entre os servidores do IBGE. Com a assinatura de chefes das seções estaduais de pesquisas agropecuárias, o texto tenta evitar a substituição do coordenador.

“A preocupação se aprofunda, à medida que estamos às vésperas do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, em que prescindir de um profissional altamente qualificado à frente de levantamento tão complexo trará impactos imprevisíveis”, afirma o comunicado.

O texto também aponta preocupação em relação aos prazos e ao andamento da pesquisa. Segundo a nota, o trabalho “permanece uma incógnita” diante de um orçamento que ainda não está assegurado.

LEONARDO VIECELI / Folhapress

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