RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

FMI piora projeção de déficit do Brasil para 2024 e 2025

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O FMI (Fundo Monetário Internacional) piorou sua projeção para o déficit primário da economia brasileira em 2024. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (17), o fundo revisou o dado de 0,2% para 0,6% do PIB.

A trajetória para os anos seguintes também piorou. O superávit de 0,2% previsto para 2025 foi revisado para um déficit de 0,3%. Agora, o fundo estima que o Brasil vai chegar a um déficit zero apenas em 2026, e registrar seu primeiro superávit, de 0,4%, em 2027.

Os números são mais pessimistas do que os do Ministério da Fazenda. Na segunda (15), o ministro Fernando Haddad confirmou que a meta prometida de superávit de 0,5% no próximo ano não será alcançada, mas disse que trabalha com o objetivo de zerar o déficit.

Por outro lado, o fundo melhorou a projeção para a dívida bruta brasileira neste ano. No último Monitor Fiscal, divulgado em outubro, a estimativa era de um percentual de 90,3% do PIB neste ano e 92,4% no próximo. Agora, o FMI projeta 86,7% e 89,3%, respectivamente.

Em ambos os cenários, a trajetória é de alta nos próximos anos. A diferença é que o fundo vê isso acontecer agora em um ritmo mais lento, chegando a 93,9% do PIB em 2029, percentual inferior aos 96% estimados anteriormente para o ano.

No relatório Monitor Fiscal, divulgado nesta quarta (17), o FMI também fez um apelo aos países para que resistam à tentação de aumento de gastos em ano eleitoral —em 2024, um recorde de 88 economias foram ou vão às urnas. Na visão do fundo, o mundo enfrenta uma situação fiscal frágil, com altos níveis de endividamento pós-pandemia agravados por um patamar elevado de taxas de juros, que encarecem o custo da dívida.

Segundo o fundo, pesquisas mostram que o déficit registrado em anos eleitorais tendem a superar as projeções em 0,4 ponto percentual.

“Esforços duradouros de consolidação fiscal são necessários para garantir finanças públicas sustentáveis e reconstruir reservas em um contexto de perspectivas de crescimento de médio prazo em desaceleração e altas taxas de juros reais. O aperto fiscal também apoiaria a ‘última milha’ da desinflação, especialmente em economias superaquecidas”, afirma o fundo.

Ele alerta, porém, que de 2022 para 2023, o percentual de países que implementaram medidas de ajuste fiscal caiu de 70% para 50%. A dívida pública global chegou a 93% do PIB, número 9 pontos acima do registrado pré-pandemia, escrevem os economistas do fundo Era Dabla-Norris, Vitor Gaspar, Marcos Poplawski-Ribeiro e Jiae Yoo.

A estimativa é que a dívida pública global alcance 99% do PIB em 2029, puxada por EUA e China. Para mitigar esse cenário, o FMI pede que os países criem regras fiscais e terminem imediatamente estímulos criados durante a pandemia, inclusive subsídios a energia.

A instituição também recomenda que as receitas de impostos sejam equilibradas com os gastos. No caso de países emergentes, o fundo vê espaço para ampliação da arrecadação via modernização do sistema tributário, ampliação da base de contribuintes e melhora da capacidade institucional de cobrá-los. Nesse sentido, o Brasil é citado como um dos exemplos de economias que promoveram uma reforma recentemente com esses objetivos.

Ao mesmo tempo, o FMI vê como oportunidades esforços multilaterais de reestruturação da dívida de países pobres, uma prioridade do G20, taxação de empresas e precificação de carbono. Esses dois últimos esforços, principalmente, são um caminho para bancar gastos necessários na transição energética e proteção da população mais vulnerável, enumera o fundo.

FERNANDA PERRIN / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS