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Galípolo prevê juros altos por mais tempo para atingir meta de inflação

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O diretor de Política Monetária do Banco Central e futuro presidente da instituição, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (2) que pode ser necessário manter a Selic (taxa básica de juros) elevada por mais tempo. “A economia está mais dinâmica, com desemprego em mínimos históricos e o real desvalorizado. Isso indica a necessidade de uma política monetária mais restritiva por mais tempo”, disse, durante evento com investidores promovido pela XP.

No início do mês, o Banco Central decidiu intensificar o ritmo de alta e elevou a taxa em 0,5 ponto percentual, de 10,75% para 11,25% ao ano.

Galípolo também comentou sobre os efeitos da política fiscal recente, sugerindo que ela pode ter impulsionado o consumo e, consequentemente, a inflação. “Talvez a progresividade da política fiscal tenha colocado mais dinheiro na mão de pessoas com propensão a gastar”, analisou. “E isso acabou se revelando num dinamismo superior ao que a gente imaginava.”

O diretor afirmou que o principal objetivo do Banco Central agora é “reancorar as expectativas” inflacionárias do mercado, já que as projeções para 2025 e anos seguintes estão acima da meta oficial de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Ele reforçou que o Banco Central tem os meios necessários para atingir a meta e que a possibilidade de alterá-la não está em discussão.

“Esse é um não tema para diretor de Banco Central, diretor do Banco Central persegue meta, não tem debate sobre. É a determinação da meta. Já manifestei essa minha opinião várias vezes e é isso para gente. Já temos bastante coisa para olhar e se preocupar. O Banco Central tem instrumentos para cumprir [a meta].”

Sobre a reação do mercado ao pacote de corte de gastos anunciado na semana passada pelo governo federal, Galípolo disse que houve uma volatilidade inicial “no sentido de digerir as informações”, com a surpresa de mudança na tributação. “No início, houve uma dúvida se o IR [Imposto de Renda] estaria correlacionado com os gastos”. Ele acredita que o Ministério da Fazenda seguirá explicando o pacote, com transparência.

O dólar tem sofrido forte impacto da frustração do mercado com os cortes anunciados, superando o recorde de R$ 6. O Banco Central chegou a receber críticas por não fazer qualquer intervenção para evitar a depreciação do câmbio. Galípolo afirmou que o Banco Central só atua no câmbio se houver desfuncionalidade.

“É uma discussão que às vezes vai surgir, de que o país tem US$ 370 bilhões de reservas, por que não segura [o dólar] no peito? Quem está no mercado e está assistindo sabe que não é assim que funciona”, afirmou.

Galípolo reforçou aos investidores a importância de garantir uma transição suave na presidência da autoridade monetária e manter a estabilidade institucional.

“Sou integrante da gestão do Roberto [Campos Neto] e vamos seguir como ele cruzou. É um processo de passagem de bastão entre vários diretores que a gente vai seguindo ali e o importante é a gente conseguir preservar essa estabilidade e acho que está sendo importante essa mensagem”, afirmou.

ANA PAULA BRANCO / Folhapress

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